Mostrando postagens com marcador Relatos.. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Relatos.. Mostrar todas as postagens

29 agosto 2016

à livre opção sexual

não quero enfrentar minha família
vamo mais rápido que tem uns caras estranhos atrás da gente
beija eu, não beija ela
vocês não tem vergonha?!
fala mais baixo, é minha mãe
nossa mas boceta fede, como você consegue
ela é só uma amiga
deus me livre de namorado
pelo menos você não precisa se preocupar com contracepção
nossa mas você nem parece
não, que eu saiba não tem profilaxia
até eu pareço mais fancha que você
todas nós estamos sozinhas, não é exclusividade
você era mesmo meio moleque
precisamos defender a livre opção sexual
aaa..o meu ex- era de lá também

hoje é dia de

02 junho 2016

Ela tem passado bastante tempo nessa janela, hein, comentou Ab, se divertindo com minha minúcia em limpar o LP antes de colocar a agulha. Sentado no parapeito, ele deu seus três tragos antes de expirá-los, também em tríade.

Uhm. Um som choroso invadiu o ar.

E você anda um bocado obcecada com essa Opfer, tudo isso é ela?

Capaz. Esse cânon não pára de tocar.

Perpetuum, riu ele. Lembro-me quando ele terminou a Musikalische Opfer, sujeito interessante, ele era. Um pouco excêntrico, como nós, Pequena. Pena que não vingou muito na época. Balançou a perna três vezes e pulou para dentro.
Olhou de esguelho para a guria antes de entrar. È lontan lontano, quella.

Eh, infatti. E come risona qua dentro.

Há essas mentes que vibram na mesma frequência - sabemos disso, não?

Eccome.

Estou faminto, minha querida, vou buscar algo. Apanhou a bengala e, descerrando três vezes a porta, saiu.


É, moça. Essas pessoas não nos deixam. Levantei para fechar os vidros e a cortina e me aninhei nas almofadas, ouvindo a agulha deslizar.

31 maio 2016

Abri as janelas e acendi o cigarro. Venta muito.

No prédio à frente há uma mulher parada diante da janela. A janela parece fechada, seus cabelos não se movem. Ela come algo de uma cuia, com palitos.

Hashi, me sussurra Ab. Aquiesço, me desvencilhando de sua lembrança.
Hashis, then.

Ela olha fixamente para algum ponto, encolhida como que fustigada pelo vento. Do lado de fora.

Dentro do seu aquário, ri Ab. Te lembra alguém?

Não me dou ao trabalho de responder.

Até as olheiras, Sib, olha ali...

Aham. Amasso a bituca e largo no parapeito. Fechando a janela para entrar, vejo-a pela última vez, imóvel, olhando para o nada.

Pior que parecia mesmo.

11 junho 2015

O estranho dia em que os motoristas de ônibus se tornaram cegos aos passageiros.

Sem sinal de parada – apertado por sei lá que criatura – passavam reto pelos pontos. Três, quatro braços estendidos se indignavam à sua passagem imperturbada. Não estavam lotados.
Foi-se um. Dois velhinhos resmungaram.
E foi-se outro. Três estudantes bufaram.
No terceiro, que parou para a descida de alguém, não atendeu nem mesmo às batidinhas no vidro. A trabalhadora esbravejou.

 

Os barulhos deveriam ser daquele troço que bate no vidro lá de trás, pensou. E seguiu viagem.

 

19 março 2015

TIERRA, Pedro. Poema - Prólogo

Fui assassinado.
Morri cem vezes
e cem vezes renasci
sob os golpes do açoite.

Meus olhos em sangue
testemunharam
a dança dos algozes
em torno do meu cadáver.

Tornei-me mineral
memória da dor.
Para sobreviver,
recolhi das chagas do corpo
a lua vermelha de minha crença,
no meu sangue amanhecendo.

Em cinco séculos
reconstruí minha esperança.
A faca do verso feriu-me a boca
e com ela entreguei-me à tarefa de renascer.

Fui poeta
do povo da noite
como um grito de metal fundido.

Fui poeta
como uma arma
para sobreviver
                         e sobrevivi.


Companheira,
se alguém perguntar por mim:
sou o poeta que busca
converter a noite em semente,
o poeta que se alimenta
do teu amor de vigília
                                   e silêncio
e bebeu no próprio sangue
o ódio dos opressores.

Porque sou o poeta
dos mortos assassinados,
dos eletrocutados, dos “suicidas”,
dos “enforcados” e “atropelados”,
dos que “tentaram fugir”,
dos enlouquecidos.

Sou o poeta
dos torturados,
dos “desaparecidos”,
dos atirados ao mar,
sou os olhos atentos
sobre o crime.

Companheira,
virão perguntar por mim.
Recorda o primeiro poema
que lhe deixei entre os dedos
e dize a eles
como quem acende fogueiras
num país ainda em sombras:

meu ofício sobre a terra
é ressuscitar os mortos
e apontar a cara dos assassinos.


Porque a noite não anoitece sozinha.
Há mãos armadas de açoite
retalhando em pedaços
o fogo do sol
e o corpo dos lutadores.

Venho falar
pela boca de meus mortos.
Sou poeta-testemunha,
poeta da geração de sonho
                                          e sangue
sobre as ruas de meu país.
Sobreviveremos

Perdemos a noção do tempo.
A luz nos vem da última lâmpada,
coada pela multidão de sombras.
A própria voz dos companheiros tarda,
como se viesse de muito longe,
como se a sombra lhe roubasse o corte.
Nessa noite parada sobrevivemos.
Ficou-nos a palavra, embora reprimida.

Mas o murmúrio denuncia que a vitória
não foi completa. Dobra o silêncio
e envia o abraço de alguém
cujo rosto nunca vimos e, todavia, amamos.

Nessa noite parada sobrevivemos.
Sobreviveremos.
Ficou-nos a crença, de resto, inestinguível,
na manhã proibida.


(74)



(pseudônimo de Hamilton Pereira)

23 março 2013

Voler bene

A Itália vai me cativando aos poucos. É constante, como uma amante fiel e paciente. Ela se mostra, discretamente, nos pequenos gestos: em um relance de olhos verdes, em um arco velho de túnel, em uma paisagem esvoaçante da janela do trem, nos seus prédios que suplicam por uma reforma. Ela chama na dureza delicada do acolhimento do arcaico no dia-a-dia.

27 janeiro 2013

Notte d'estate

É noite, e chove. A família entra em casa, vê a cachorra a esperar defronte à porta de vidro da sala. Ela molha-se.
A Filha percorre os corredores da casa (chega à sala oposta) com pressa; abre o piano e verifica uma nota que cantarolava. Si natural. Urra para o outro lado da casa e fecha o piano; o Pai, do outro lado, aquiesce aos gritos.
A cadela arranha a porta da área de serviço.
A Filha vai para o banheiro, tira as lentes do olho, lava o rosto. Segue então para o quarto. No escuro, ouve uma gota cair com estrépito. Tateia a parede e acende a luz. Há uma goteira. Põe o pijama e os chinelos e vai para a cozinha. A cã está encarando a porta, vê-se o contorno no vidro granulado. A Filha abre a porta para pegar um balde e a cachorra, feliz, pula. A garota afaga, fala com a pequena com voz aguda e imbecil, e percebe que ela está molhada. Suspira. Chega perto da casinha, e remexe na pilha de panos de chão. Escolhe um balde e apanha dois trapos. Seca a cachorra, que, extasiada, se eriça e se sente coçar.

Uma cã centrifugada, um balde e um pano na mão.
"Boa noite"
E fecha a porta. Bebe água, apaga a luz e segue para o quarto.

28 março 2012

CineMinuto 3

Pequeno mercado no começo da noite. Está apinhado de gente, todos conversam em voz baixa. As prateleiras brancas cheias de produtos coloridos em uma língua ininteligível. O ambiente é claro, ligeiramente ofuscante.
P1 está com uma cestinha de compras e desloca-se para a fila. Está cautelosa, tenta não esbarrar em ninguém nem nas prateleiras abarrotadas. Na sua frente está um velhinho, P2, que carrega uns maços de hortaliças.

Ruídos do ambiente.

P2 se vira para P1. Agita um maço de nira em sua direção.

P2: Nira... nao bon, ne!
P1 (tenta ser simpática): Ah, não? Mas ele está tão bonito..!
P2: Nao compra nira!
P1: Mas por quê?

Pausa. P2 aproxima o maço do nariz, inspira e agita o nira de novo.

P2 franze o cenho: ...
...Química, ne!

P1 demonstra compreendê-lo.

Segurança, P3: Senhor, o caixa 5 está livre.
P2 vira-se para encará-lo: ...Hai!

e se afasta.

19 novembro 2011

às vezes

é tão difícil viver. Não por excesso de problemas, não por conspiração do mundo, por nada disso. Parece que a minha força motriz se esgotou, e todas as ações são - não penosas, porque não infligem dor - difíceis. Parece que a inércia não pode jamais ser vencida. E veja, não é preguiça, é falta de motivação, de disposição de sair da rede e viver. Viver nos sentidos mais primários - interagir, comer, banhar-se, rir, chorar, cagar, mover-se.
A vontade é entrar em estado catatônico, porque o sono não vem mais.

E essas vezes têm sido frequentes demais.

31 julho 2011

Era seduta sul divano e pensava. La stanza era buia e la luce di un altro edificio la dipingeva tutta di blu. Stringeva le mascelle inconsciamente e sempre più forte, fino che percepiva e di subito le rilassava. Ascoltava i suoi organi funzionare mentre cercava di scordare quella messa che aveva saltato di tra quei ricordi antichi, da molto sepolti.
Ma la messa non la lasciava stare, anzi, suonava nella sua mente con tutte le forze, fragorosa, impetuosa. Aveva provato iniziare il suo MP4 – era scaricato; aveva cercato quelle musiche infernali (anche se questa non sarebbe la parola proprio giusta) in internet, senza risultati.
Era un po' impacciata, ed un bel tanto confusa. Stava lì, ferma, sola, a stringere le mascelle.

06 julho 2011

Ode ao pássaro morto

Fora antes uma Bolinha de penas
dessas saltitantes, alvo de mil preocupações
“merda, será que eu passei por cima?”.

Agora, mero monte amorfo de plumas
incrustrado no asfalto.
Poderia muito bem se passar por um bolo de sujeira
daquelas que se tira de debaixo da cama.

15 abril 2011

...che voy hacer, je suis perdu

Ieri mi è venuta una stanchezza incredibile. Come se tutto il mondo fosse diventato più buio, più pesante. Come se il caldo del giorno mi avesse scioglieta, come se i miei muscoli fossero diventati molli come caucciù.
Ma, doppo un test, tutto si è risolto. Il mondo ha ritornato, ruotando a tutta velocità. La birra è diventata più fredda, suo sapore è diventato più forte. Non è stato il test, ma qualcosa ha scoppiettato.


ただいま.

11 agosto 2010

Santos

Vejo na linha do horizonte luzes de uma cidade. Luzes que dividem a água do ar, o preto do preto - parecem estrelas que, ao invés de estarem dispersas pelo céu, resolveram congregar-se em uma linha horizontal.
Lá longe há uma cidade. Uma cidade de containers, de ratos, de cascos com cracas, de sujeira. Talvez um punhado de humanos. Uma cidade de luzes, mergulhada no (m)ar salobro, tênue na cisão entre fluidos salgados.
No escuro, ela até parece frágil. Na claridade latejante e nublada, parece um tributo. Sabe-se lá ao quê.

31 julho 2010

Ele

era como um animal silvestre, não propriamente acanhado. não parecia seguir quaisquer tipos de comportamento racional - se é que racionalidade é uma característica dos seres humanos, no que diz respeito às ondulações emotivas (o que, há de se convir, é meio desconexo: porque o emocional teria um nome diferente se fosse composto do mesmo princípio da racionalidade?). não parecia estar seguro de si, nem do que queria; era uma grande flutuação, uma garrafa com alguma mensagem cifrada à deriva, impulsionada pelos sabores e dissabores da maré. se por algum momento avançava, impulsionando a imaginação, a esperança e a excitação de que algo por fim se modificasse e se tornasse algo diverso daquele impasse desconfortável, daquela distância estranha (aquela que quer fingir que não existe ou que se reduz, mas na realidade só aumenta... uma verdadeira ilusão de ótica!); se algo por ventura ousasse transpor esse limite que eu não saberia dizer qual é, o retrocesso era garantido, para não dizer brusco e evidente. era o molusco que, ao menor sinal de perigo, se recolhia à proteção. tudo então retornava aos dois conhecidos que se encontravam por acaso em um sábado de manhã, os ois, tudo bens, como vai a vida, o cachorro, a música...
é incrível ainda como se exaspera com essas situações, embora vividas, revividas, tetravividas - parecem sempre novas, como se fosse a primeira vez que o tango se misturasse ao ar.
sensação velha e surpresa ao se deparar com ela.

08 março 2010

Olhos nos olhos.

Eu conhecia aquele olhar. De tantas catedrais, de tantas igrejas, de tantos museus, ele estava lá. O olhar. No rosto dos santos, dos mártires, das madonnas. Nas estátuas. Sempre em estátuas. Aquele olhar estava nelas. Não em todas, mas em muitas.
Os olhos voltados para o que vem de cima, a expressão vazia, ma non troppo. Não se vê nessas estátuas a inexpressividade, mas a conjunção com o divino, ou o sofrimento pedindo socorro, ou o cansaço terreno no ato de suspirar. A mescla de tantos olhares em uma expressão quase vazia, tão comum às esculturas, às estátuas, à pedra.
Mas desta vez o olhar não vinha da pedra, nem do gesso, nem de algo inanimado. Os olhos exaustos transpassavam o chão-teto do apartamento, olhavam mais para cima, para mais além, mais além. Era aquele olhar vindo de olhos umidecidos de dor e vasos estourados, que sustentava ao redor de si a pele já pendente em rugas, as bolsas inchadas ao redor dos olhos. Respirava com dificuldade.
Era um olhar de estátua numa escultura de carne e osso. E arfava. E sofria.

15 outubro 2009

MinutoMetragem

Situações cinematográficas que acontecem por aí. Pequenas. Comuns ou exóticas. Elas existem, o tempo inteiro.
Obs.: Os personagens não têm necessariamente a ver comigo.


Teto de um ginásio de alumínio. Borrões vermelhos e brancos se deslocam pela superfície metálica. Sons de gritos, ecos, barulho de gente e bola correndo vão surgindo num crescendo até o volume habitual.

Voz em off (abafada) - P1: ...são essas pessoas que vão ser a elite da nossa sociedade em dez, quinze anos; a elite adepta ao PIG, como os pais, todos repugnantes. Eles vão estar basicamente iguais, com os mesmos planos mesquinhos para o fim de semana, com as mesmas brincadeiras. Estúpidas. Agressivas. Neofascistas...
Voz masculina se destaca da gritaria: Ô Bu(n)da!..

P1 se cala.

P1 (normal, não mais abafada), hesitante:
Buda..?

Imagem desce para os jogadores, ângulo da câmera como uma pessoa deitada na arquibancada. Risada em off (de P2).

P2 em off (rindo):
O quê? Buda?
P1 em off: Alguém falou Buda?

Câmera se movimenta e endireita.

P2 em off:
Deve ter sido Bunda.

Garoto gordo do time escorrega no piso molhado de suor e cai. Caçoam dele, do Bunda.

P1 em off:
Ah... (Silêncio. Câmera deita de novo e aponta para o teto) que calor...
Vozes vão esvanecendo e pálpebras vão se fechando enquanto P1 resmunga
P1 em off (abafada): Buda? Esses imbecis não sabem o que é Buda, devem achar que budismo hinduísmo fenshui é tudo a mesma coisa. Bando de ignorantes, os anabolizantes devem ter explodido os neurônios deles... digo, só deve ter sobrado o Tico e o Teco, com um mataburro entre eles...

29 março 2009

Olhos nos olhos [quero ver... o que você faz]

eu não faço nada, nem mesmo consigo desviar os olhos. é tipo magnético, saca?
eu só fico olhando, e vendo você me ver. e é isso.

na verdade, tenho medo de acreditar no que eu possa ter visto através deles.

17 março 2009

Bell'nd Sebastian

Ooh! Get me away from here I'm dying Play me a song to set me free Nobody writes them like they used to So it may as well be me Here on my own now after hours Here on my own now on a bus Think of it this way You could either be successful or be us With our winning smiles, and us With our catchy tunes, and us Now we're photogenic You know, we don't stand a chance... Oh, I'll settle down with some old story About a boy who's just like me Thought there was love in everything and everyone You're so naive! After a while they always get it They always reach a sorry end Still it was worth it as I turned the pages solemnly, and then With a winning smile, the boy With naivety succeeds At the final moment, I cried I always cry at endings Oh, that wasn't what I meant to say at all From where I'm sitting, rain Washing against the lonely tenement Has set my mind to wander Into the windows of my lovers They never know unless I write "This is no declaration, I just thought I'd let you know goodbye" Said the hero in the story "It is mightier than swords I could kill you sure But I could only make you cry with these words" .

25 fevereiro 2009

isso nunca tinha acontecido.

...digo, nunca havia me dado conta (até ontem, ao fechar os olhos no escuro) de como a escuridão é estática.
ok, isso é óbvio.
I mean... deitada daquele jeito, eu podia até senti-lo do meu lado, no escuro, com o braço me servindo de travesseiro; podia ouvir sua respiração morna.
ou talvez eu simplesmente estivesse começando a dormir. ou a alucinar.
quiçá.

31 janeiro 2009

estranhices.

__Ali, imersa naquele mar de pessoas desconhecidas, naquele lugar quase aleatório (friso o quase), estava uma garota – também desconhecida por todos – parecendo meio confusa. Ela se sentia como se um bolo de bosta grande demais tentasse passar pelo intestino, a dar aquela sensação de desconforto deslizando pelo abdômen. Ela estivera acompanhada por um casal que não parecia menos estranho; mas eles haviam entrado num portal sugador de gente, enquanto o pássaro-de-ferro que a sugaria se recusava a abrir a boca.
__Ela cantou baixinho, perambulou pelo corredor apinhado, foi ao banheiro; mas o nó não afrouxava, e a porra do avião não chamava para o embarque.
__Depois de mais músicas sussurradas, incontáveis pequenos gestos de impaciência, ela entrou, e assim que se acomodou no seu respectivo assento, o nó pareceu se dissolver; abstraindo a parte do estar a milhares de quilômetros longe, era como pegar um ônibus para a casa dos avós. A flying bus, indeed (and not for the grandpa’s house).
__Ela até dormiu (e acordou com a garganta a ranger de secura), comeu, leu, sentiu náuseas no ‘aterramento’ – tudo como de praxe. Nada muito fora do lugar, exceto a ausência do casal estranho.
__Ninguém a barrou, e alguns até a ajudaram com aquela mala quase do seu tamanho. O trem voou sobre os trilhos, o taxista falou bastante e ela chegou na casa de mais uma desconhecida (por ora), onde falou uma língua não-materna, com zilhões de erros e inconveniências; mas essa garota – nem tão desconhecida assim, para alguns – chegou no destino, sem extraviações de qualquer tipo.. nem mesmo de pasta de dente.
__E essa garota era eu (prazer).
PS. Hoje foi um dia estranho.