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11 junho 2015

O estranho dia em que os motoristas de ônibus se tornaram cegos aos passageiros.

Sem sinal de parada – apertado por sei lá que criatura – passavam reto pelos pontos. Três, quatro braços estendidos se indignavam à sua passagem imperturbada. Não estavam lotados.
Foi-se um. Dois velhinhos resmungaram.
E foi-se outro. Três estudantes bufaram.
No terceiro, que parou para a descida de alguém, não atendeu nem mesmo às batidinhas no vidro. A trabalhadora esbravejou.

 

Os barulhos deveriam ser daquele troço que bate no vidro lá de trás, pensou. E seguiu viagem.

 

14 maio 2015

Escritora de tempos.


Reescreves narrativas. Sim, as próprias, as vividas. Reinventas-as, tiras umas emoções, omites uns pedaços que não cabem no teu propósito. Contas a ti mesma: foi tudo tão de repente, chegou do nada, fiquei sem reação. Fantasias as coisas passadas para chafurdar ainda mais fundo. Esqueces das tuas faltas, das tuas culpas, palavras atravessadas.
Aí um dia encontras algo escrito, da época. Teu escrito, tua narrativa. Prova irrefutável de – veja bem, não era bem assim... viste chegando, cantaste a pedra e fizeste da mesma maneira. “como a mariposa indo de encontro à lâmpada” - escreveste. Axiomático.
De sopetão tudo fica meio confuso – mas, calma, então já sabias disso? As narrativas servem para muitas coisas – para iludir, para curar, para colocar panos quentes. Há fatos que nos entalam na garganta e nos fazem sufocar.
Também te fazem reincidir, pois te esqueces. A versão revisada faz sempre mais sentido, é melhor estruturada, tem uma tese, apresenta resultados. A outra só faz trazer inquietações, dúvidas cobertas de poeira, angústias, tristezas. Cruezas. E a certeza de que és tão igual a qualquer um. Um ser humano que desconstrói. E inventa. E se justifica, para ficar de bem com a pessoa mais importante desse teu mundo – tu.

03 abril 2014

Por maior que seja o mal-estar pelo passar do tempo e pela transitoriedade das coisas, o som do tique-taquear de um relógio me acalma.

07 julho 2013

Irresoluto

Uma vida de relações inacabadas... Tantas pontas soltas que não se acha mais o fio principal (há?)

26 março 2012

O céu

abril-se
antes de mar-çe acabar

25 março 2012

é inebriante
feito cheiro da primeira chuva na saída do inverno
ou trago sedento de chá gelado no calor interiorano
ou feito ainda silêncio que segue o rastro do último ônibus
- ah... mal sabe o que é bom, essa aí. Não me diz nem coisa com coisa

é a comunhão com este espaço-tempo
a sensação de pertencimento
que me re-põe-tira a calma
e me desnorteia
- como se alguma vez sensações tivessem sido claras, né...
e vê se para de piegagem, mulher, que isso assusta os outros.

12 março 2012

Com a sensação de que algum acontecimento desagradável me espreita. Sinto seu hálito, percebo suas vibrações no ar, vislumbro-o de relance (mas não é o suficiente para conseguir me prontificar ao inevitável bote).

06 julho 2011

Ode ao pássaro morto

Fora antes uma Bolinha de penas
dessas saltitantes, alvo de mil preocupações
“merda, será que eu passei por cima?”.

Agora, mero monte amorfo de plumas
incrustrado no asfalto.
Poderia muito bem se passar por um bolo de sujeira
daquelas que se tira de debaixo da cama.

16 maio 2011

Vorrei che le disillusioni smetessero de tormentarmi. Mi sono già stancata.

15 abril 2011

...che voy hacer, je suis perdu

Ieri mi è venuta una stanchezza incredibile. Come se tutto il mondo fosse diventato più buio, più pesante. Come se il caldo del giorno mi avesse scioglieta, come se i miei muscoli fossero diventati molli come caucciù.
Ma, doppo un test, tutto si è risolto. Il mondo ha ritornato, ruotando a tutta velocità. La birra è diventata più fredda, suo sapore è diventato più forte. Non è stato il test, ma qualcosa ha scoppiettato.


ただいま.

20 outubro 2010

Porque a vida é movimento

Tem dias que simplesmente a gente não consegue ficar aterrado no mundo. Tem dias que, sentado no metrô, ainda que numa posição desconfortável, a gente chega no ponto final e não quer levantar. Ainda que o túnel ruja, ainda que o pé esteja enregelado, ainda que esteja tarde e a gente esteja com fome. Não dá vontade de sair dali. Não dá vontade de viver.

12 abril 2010

I don't wanna, I don't wanna, I don't wanna, I don't wanna, I don't wanna in vain

I don't wanna wait in vain for your love

'Cause summer is here
I'm still waiting there
Winter is here
And I'm still waiting there

...like always, ha-ha.

16 março 2010

the world has moved on.

has been moving on seria o termo exacto
e eu não quero que pare
aceleremos
corramos
nos distanciemos deste agora que me dá um incômodo na barriga
como se meus órgãos estivessem lutando judô

subamos
no raio de uma estrela subir até sumir.

27 fevereiro 2010

Podia ser fácil escolher.

14 setembro 2009

Placebo.

Tu mentes para si mesma, na maior cara dura. Conscientemente. Não te convences, mas serve de efeito placebo. É bem contraditório, tu admites. Ages como se acreditasses no que afirmas, mas no fundo - na real, nem tão no fundo assim - sabes que o que é não é. Crias uma imagem que sabes que não é real, mas não é tão distante de ti quanto parece. É como na física: depois de fazer um monte de aproximações para chegar facilitar a conta, a gente acaba num resultado consideravelmente diferente.

"It's been a long time now since I've seen you smile"

10 setembro 2009

Conjuguemos.

Eu corro
tu corres
ele corre
nós corremos
vós correis
eles correm.

corremos todos.
(cansada estou)

30 julho 2009

I know it doesn't seem so,

but I know what to wait for, and what I'm seeking out. (:
Trust me, I really do.

16 julho 2009

Mr. T

"Hey! Mr. Tambourine Man, play a song for me,
I'm not sleepy and there is no place I'm going to.
Hey! Mr. Tambourine Man, play a song for me,
In the jingle jangle morning I'll come followin' you.

Though I know that evenin's empire has returned into sand,
Vanished from my hand,
Left me blindly here to stand but still not sleeping.
My weariness amazes me, I'm branded on my feet,
I have no one to meet
And the ancient empty street's too dead for dreaming."

06 julho 2009

Balacl...

"And there isn't no going back
And it's wrong wrong wrong
But we'll do it anyway cause we love a bit of trouble"

27 junho 2009

picture that.

Há alguém nu em um ambiente claro tentando maquinalmente retirar de sua pele algo que escorre; algo que escorre de seus ouvidos, de seus olhos e cobre seu corpo. É um líquido translúcido, meio viscoso que parece ter imagens em seu interiro distorcidas pela reflexão da luz. Do líquido parece vazar um som indistinto, como várias pessoas murmurando ao mesmo tempo. Esse alguém tem a expressão de entorpecimento, os olhos vidrados, vazios, a boca entreaberta. Suas mãos estão enegrecidas, manchadas de símbolos, desenhos e esquemas. Setas sobem-lhe pelo antebraço; agulhas de acupuntura estão espetadas pelo corpo, algumas tombadas pelo líquido que escorre vagarosamente.