A cólica reprimida pelos comprimidos, a dor das amígdalas pelo ardido do gengibre mascado, a dos ouvidos pela
zabumba q'bumba esquisito
batendo dentro do peito
Mas o tempo não se deixa enganar. Ele não sai pipocando atrás dos aflitos; segue seu próprio ritmo, e deixa a gente, iludido, achando que não tem jeito, que é assim mesmo.
E as dores abafadas como o trânsito do lado de lá do vidro. Presentes. Latentes.
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02 maio 2016
03 novembro 2014
se mi rilasso,
collasso
mi manca l'aria e l'allegria
perciò
mi manca l'aria e l'allegria
perciò
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De Outrens,
Italianagens
26 setembro 2012
Heavy Heart (Dark Dark Dark)
In a room full of people
Will anyone dance with me?
My heart is heavy
Will anyone dance with me?
A room full of people
Will anyone dance with me?
My heart is heavy
Will anyone dance with me?
Heard on the news
Whats after the end of good things?
They said on the news
Things that they really don't change
Oh looking at you
Seems to be to me
That you're living proof
A gente nunca sabe o porquê das coisas acontecerem na hora que acontecem. A avó dizia que era porque Deus assim quer, mas vai saber.
A sala estava apinhada, mesmo com os netos comendo na cozinha entre berros e estrépito de talheres (é tanta vida naqueles projetos de gente que ela escapa pelos movimentos desengonçados e se espalha pelos objetos inanimados). Desde a morte da vó tinha ficado difícil juntar todo mundo naquela casinha.
Will anyone dance with me?
My heart is heavy
Will anyone dance with me?
A room full of people
Will anyone dance with me?
My heart is heavy
Will anyone dance with me?
Heard on the news
Whats after the end of good things?
They said on the news
Things that they really don't change
Oh looking at you
Seems to be to me
That you're living proof
A gente nunca sabe o porquê das coisas acontecerem na hora que acontecem. A avó dizia que era porque Deus assim quer, mas vai saber.
A sala estava apinhada, mesmo com os netos comendo na cozinha entre berros e estrépito de talheres (é tanta vida naqueles projetos de gente que ela escapa pelos movimentos desengonçados e se espalha pelos objetos inanimados). Desde a morte da vó tinha ficado difícil juntar todo mundo naquela casinha.
A comida, trazida (em doses não tão homeopáticas assim) por todos,
transbordava pelas beiradas da mesa. Diferentes conversas dançavam pelo
ar cheiroso de queijo derretido. O avô olhava silencioso da cabeceira,
com um sorrisinho de dar inveja à dona Lisa. Tinha comido um pouco
demais, diagnosticava, apertava-lhe o peito. Nada sério.
Da sala vinha a música agradável do moço (agora já velhinho) do banquinho e violão. Aquela voz minúscula de João se afogava no oceano de ruídos, falares e miares. Os gatos estavam assanhados com tanta fartura.
Só danço samba, só danço samba...
- Vai, muda lá a música! Alguém dança um bolero comigo?
- Pede pro pai! Ninguém mais sabe dançar isso.
O vô coçou a careca resignado e se levantou devagarinho, contornando a mesa com cuidado para não bater na quina. A filha trocou o vinil, e aconchegou-se ao pai.
...-tarara-ta-ta-...-tarara-ta -ta-...-tarara-ta-ta...
De passadas miúdas, os dois giravam pela sala. A filha atentava aos móveis para evitar um trombo.
Una vez, nada más, se entrega el alma con la dulce y total renunciación
O vô ditava a cadência. Firme e frágil, completo no paradoxo da velhice. Estava abafado ali, o ar, viciado. Aquela pressão no peito anunciava uma indigestão. Anunciou sua saída ao jardim, e três pirralhos correram para fora.
Ali, segurando o velho balanço de pneu, descansava o pé de abacate, plantado por ele e a vó há muito. Parecia ter deixado de crescer quando ela se foi, refletiu o velho. Apoiou-se no tronco ríspido, pois se sentia mais pesado. O que queijo não faz com a gente.
Abacateiro serás meu parceiro solitário nesse itinerário da leveza pelo ar
Hora da sesta, por que não? Recostou-se no companheiro, virado para olhar os netos, que saracoteavam pela terra e puxavam os rabos dos gatos descuidados.
Pesavam-lhe as pálpebras. Pesava-lhe o peito. Pesava-lhe o sono.
E depois, virou leveza.
Da sala vinha a música agradável do moço (agora já velhinho) do banquinho e violão. Aquela voz minúscula de João se afogava no oceano de ruídos, falares e miares. Os gatos estavam assanhados com tanta fartura.
Só danço samba, só danço samba...
- Vai, muda lá a música! Alguém dança um bolero comigo?
- Pede pro pai! Ninguém mais sabe dançar isso.
O vô coçou a careca resignado e se levantou devagarinho, contornando a mesa com cuidado para não bater na quina. A filha trocou o vinil, e aconchegou-se ao pai.
...-tarara-ta-ta-...-tarara-ta
De passadas miúdas, os dois giravam pela sala. A filha atentava aos móveis para evitar um trombo.
Una vez, nada más, se entrega el alma con la dulce y total renunciación
O vô ditava a cadência. Firme e frágil, completo no paradoxo da velhice. Estava abafado ali, o ar, viciado. Aquela pressão no peito anunciava uma indigestão. Anunciou sua saída ao jardim, e três pirralhos correram para fora.
Ali, segurando o velho balanço de pneu, descansava o pé de abacate, plantado por ele e a vó há muito. Parecia ter deixado de crescer quando ela se foi, refletiu o velho. Apoiou-se no tronco ríspido, pois se sentia mais pesado. O que queijo não faz com a gente.
Abacateiro serás meu parceiro solitário nesse itinerário da leveza pelo ar
Hora da sesta, por que não? Recostou-se no companheiro, virado para olhar os netos, que saracoteavam pela terra e puxavam os rabos dos gatos descuidados.
Pesavam-lhe as pálpebras. Pesava-lhe o peito. Pesava-lhe o sono.
E depois, virou leveza.
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'Quem conta um conto...',
'viva la musica',
Por mote
11 março 2012
ASSUMPÇÃO, Itamar
Quando estou longe
Quero ficar perto
Quando estou perto
Quero ficar dentro
Quando estou dentro
Quero ficar mudo
Quando estou mudo
Quero dizer tudo
Quero ficar perto
Quando estou perto
Quero ficar dentro
Quando estou dentro
Quero ficar mudo
Quando estou mudo
Quero dizer tudo
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'viva la musica',
De Outrens,
poesia..?
23 fevereiro 2012
Ai, se sêsse!
Se um dia nois se gostasse
Se um dia nois se queresse
Se nois dois se empareasse
Se juntin nois dois vivesse
Se juntin nois dois morasse
Se juntin nois dois drumisse
Se juntin nois dois morresse
Se pro céu nois assubisse
Mas porém acontecesse de São Pedro não abrisse
a porta do céu e fosse te dizer qualquer tulice
E se eu me arriminasse
E tu cum eu insistisse pra que eu me arresolvesse
E a minha faca puxasse
E o bucho do céu furasse
Tarvês que nois dois ficasse
Tarvês que nois dois caisse
E o céu furado arriasse e as virgi toda fugisse
Se um dia nois se queresse
Se nois dois se empareasse
Se juntin nois dois vivesse
Se juntin nois dois morasse
Se juntin nois dois drumisse
Se juntin nois dois morresse
Se pro céu nois assubisse
Mas porém acontecesse de São Pedro não abrisse
a porta do céu e fosse te dizer qualquer tulice
E se eu me arriminasse
E tu cum eu insistisse pra que eu me arresolvesse
E a minha faca puxasse
E o bucho do céu furasse
Tarvês que nois dois ficasse
Tarvês que nois dois caisse
E o céu furado arriasse e as virgi toda fugisse
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'viva la musica',
Cordel...encantado,
De Outrens,
Queridos
13 dezembro 2011
...enquanto os patos vão pro sul
Soa egocêntrico, é egocêntrico - afinal, hipocrisias à parte, quem não é?
É curiosa essa sensação de migrante; e convenhamos, não é como se eu fosse o estereótipo, de mala e cuia para um mundo novo. Meu "mundo novo" se localiza a cem quilômetros de distância do "mundo velho" (se muito), e as interpenetrações desses mundos são muitas e frequentemente contínuas. Mesmo assim, surge esse negocinho estranho - essa aura de não-pertencimento a nenhum dos mundos, de deslocamento tanto aqui quanto ali. É um mal-estar de existir e de ter uma parte da sua história sem relação com o lugar onde se encontra - semelhante a ter um pedaço de si que não pertence àquele ambiente.
Refinando um pouco mais essa 'síndrome do migrante' é muito parecida - se não igual - àquele ranço de ver o tempo passando, de ver as coisas mudando: árvores de infância derrubadas, prédios no lugar de outros prédios, ruas que mudam de mão, pessoas que transformam em algo que você deixa de entender. É a síndrome de quero-que-o-mundo-fique-como-está, e que nada, nem ninguém, mude. É a dicotomia - pensando em um texto que li hoje - "[de se incomodar] com a intransigência da não repetição e com a intransigência da expectativa de repetição."
É curiosa essa sensação de migrante; e convenhamos, não é como se eu fosse o estereótipo, de mala e cuia para um mundo novo. Meu "mundo novo" se localiza a cem quilômetros de distância do "mundo velho" (se muito), e as interpenetrações desses mundos são muitas e frequentemente contínuas. Mesmo assim, surge esse negocinho estranho - essa aura de não-pertencimento a nenhum dos mundos, de deslocamento tanto aqui quanto ali. É um mal-estar de existir e de ter uma parte da sua história sem relação com o lugar onde se encontra - semelhante a ter um pedaço de si que não pertence àquele ambiente.
Refinando um pouco mais essa 'síndrome do migrante' é muito parecida - se não igual - àquele ranço de ver o tempo passando, de ver as coisas mudando: árvores de infância derrubadas, prédios no lugar de outros prédios, ruas que mudam de mão, pessoas que transformam em algo que você deixa de entender. É a síndrome de quero-que-o-mundo-fique-como-está, e que nada, nem ninguém, mude. É a dicotomia - pensando em um texto que li hoje - "[de se incomodar] com a intransigência da não repetição e com a intransigência da expectativa de repetição."
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30 abril 2011
Rotativa
A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a roseira prá lá...
Que fique de lição - não ler escritos alheios.
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a roseira prá lá...
Que fique de lição - não ler escritos alheios.
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Trechos
17 abril 2011
Essa moça tá diferente
Já não me conhece mais
Está pra lá de pra frente
Está me passando pra trás
Essa moça tá decidida
A se supermodernizar
Ela só samba escondida
Que é pra ninguém reparar...
Já não me conhece mais
Está pra lá de pra frente
Está me passando pra trás
Essa moça tá decidida
A se supermodernizar
Ela só samba escondida
Que é pra ninguém reparar...
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19 outubro 2010
Zeca
o dia corre assim veloz
o dia corre além de nós...
o dia corre além de nós...
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De Outrens
15 julho 2010
è solo che...
...mi persi.
mi sono accorta mentre cercavo la licenza A-32 che mi persi. Non so dire da quanto tempo, ma non riesco a trovarmi.
Mi manca un pezzo che non so dov'è, anzi, non so cos'è. Era questa sensazione che mi disturbava e non sapevo cos'era - e ce l'ho da un sacco di tempo (mesi...)
mi sono accorta mentre cercavo la licenza A-32 che mi persi. Non so dire da quanto tempo, ma non riesco a trovarmi.
Mi manca un pezzo che non so dov'è, anzi, non so cos'è. Era questa sensazione che mi disturbava e non sapevo cos'era - e ce l'ho da un sacco di tempo (mesi...)
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Monólogos
16 maio 2010
Silence-ing.
Hello darkness, my old friend,
I've come to talk with you again,
Because a vision softly creeping,
Left its seeds while I was sleeping,
And the vision that was planted in my brain
Still remains
Within the sound of silence.
I've come to talk with you again,
Because a vision softly creeping,
Left its seeds while I was sleeping,
And the vision that was planted in my brain
Still remains
Within the sound of silence.
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Trechos
25 abril 2010
you're so nice and you're so smart
you're such a good friend I have to break your heart
I'll tell you that I love you then I'll tear your world apart
just pretend I didn't tear your world apart
I wanted to say 'and I mean it', but it sounds so cruel...
anyway, pretend this is it, will you?
you're such a good friend I have to break your heart
I'll tell you that I love you then I'll tear your world apart
just pretend I didn't tear your world apart
I wanted to say 'and I mean it', but it sounds so cruel...
anyway, pretend this is it, will you?
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12 abril 2010
I don't wanna, I don't wanna, I don't wanna, I don't wanna, I don't wanna in vain
I don't wanna wait in vain for your love
'Cause summer is here
I'm still waiting there
Winter is here
And I'm still waiting there
...like always, ha-ha.
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inacabados.
16 março 2010
the world has moved on.
has been moving on seria o termo exacto
e eu não quero que pare
aceleremos
corramos
e eu não quero que pare
aceleremos
corramos
nos distanciemos deste agora que me dá um incômodo na barriga
como se meus órgãos estivessem lutando judô
subamos
no raio de uma estrela subir até sumir.
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12 março 2010
18 fevereiro 2010
(Não) se afobe, (não)
Amores serão sempre amáveis
Futuros amantes, quiçá
Se amarão sem saber
Com o amor que eu um dia
Deixei pra você
Futuros amantes, quiçá
Se amarão sem saber
Com o amor que eu um dia
Deixei pra você
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Pedaço de Mim.
Oh, pedaço de mim
Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar
Que a saudade é o pior tormento
É pior do que o esquecimento
É pior do que se entrevar
Oh, pedaço de mim
Oh, metade exilada de mim
Leva os teus sinais
Que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco
E evita atracar no cais
Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu
Oh, pedaço de mim
Oh, metade amputada de mim
Leva o que há de ti
Que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada
No membro que já perdi
Oh, pedaço de mim
Oh, metade adorada de mim
Lava os olhos meus
Que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor
Adeus
Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar
Que a saudade é o pior tormento
É pior do que o esquecimento
É pior do que se entrevar
Oh, pedaço de mim
Oh, metade exilada de mim
Leva os teus sinais
Que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco
E evita atracar no cais
Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu
Oh, pedaço de mim
Oh, metade amputada de mim
Leva o que há de ti
Que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada
No membro que já perdi
Oh, pedaço de mim
Oh, metade adorada de mim
Lava os olhos meus
Que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor
Adeus
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14 setembro 2009
Placebo.
Tu mentes para si mesma, na maior cara dura. Conscientemente. Não te convences, mas serve de efeito placebo. É bem contraditório, tu admites. Ages como se acreditasses no que afirmas, mas no fundo - na real, nem tão no fundo assim - sabes que o que é não é. Crias uma imagem que sabes que não é real, mas não é tão distante de ti quanto parece. É como na física: depois de fazer um monte de aproximações para chegar facilitar a conta, a gente acaba num resultado consideravelmente diferente.
"It's been a long time now since I've seen you smile"
"It's been a long time now since I've seen you smile"
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22 agosto 2009
Seaside.
But I'm just trying to love you in any kind of way; but I find it hard to love you, girl, when you're far away
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Citações
04 agosto 2009
[o acaso entregou] Alguém pra lhe dizer o que qualquer dirá
Parece que o amor chegou aí
Eu não estava lá, mas eu vi...
Eu não estava lá, mas eu vi...
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