' Quando você for inspirar, faça-o até o ar chegar ao pé' ela disse, disfarçando com delicadeza a impaciência que a rondava. 'Como se o ar fosse ser armazenado lá, também, como se você fosse voar'.
Alice fechou as pálpebras enquanto o fez, as narinas a dilatar-se silenciosas, as costelas inflando-se como um balão, a pélvis a segurar-lhe o ar que tramava de escapar-lhe, rindo como criança marota. Ele foi descendo, disseminando-se dentro de seu corpo de fantasia, explorando os vãos entre as células, até que enfim ele chegou ao pé. Os olhos se abriram, extáticos, relampejando triunfo.
É. Extáticos era bem a palavra. Não era ar que a impelia senão seus músculos retesados. A voz de sua professora não era nada senão um eco longínquo em sua mente, deteriorada e distorcida pelas mãos firmes e mornas que lhe subiam pelas coxas, com as costas roçando entre si. Alice fechou os olhos de novo e tenaziou o que pôde primeiro distinguir pelo tatear: sua ovelha de pelúcia. Estava a levantar vôo, e não deixaria para trás sua nuvem particular.
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11 agosto 2009
29 maio 2009
dois;
O sinal do intervalo soou, e Alice mal se mexeu. Pensava em algo muito profundo, e de tanta profundidade seus olhos estavam perdidos, a face branca. Ninguém a incomodava. Os ruídos a cercavam. Ela ouvia, ouvia; e pensava.
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'Quem conta um conto...',
Aliciando,
inacabados.
12 maio 2009
um;
Alice pestanejou uma, duas, três vezes. A visão teimava em continuar fora de foco, mas o neurótico despertador apitava cada vez mais alto, e ela não queria acordar o pai, que dormia no quarto ao lado. Tateou o criado-mudo em busca do celular, que guinchava e vibrava sobre o tampo de madeira. Desligou-o. Espiou pela janela ao lado da escrivaninha: mal amanhecera, o céu ainda estava naquele cinza indistinto que pode ser tanto prenúncio de chuva como de um dia qualquer, normal, meio azulado - sabe como é... abril é um mês espacialmente azul, ainda mais em um país onde as folhas não caem no outono. Resmungou um pouquinho e se levantou.
Pedindo licença ao professor para entrar, apressou-se para a sua mesa, fazendo sua saudação tímida de atrasada. Os olhos custavam a focar-se no professor, e logo ela deixou de prestar atenção, desenhando lânguidas formas em seu caderno, em cima de uma longa explicação de botânica.
Pedindo licença ao professor para entrar, apressou-se para a sua mesa, fazendo sua saudação tímida de atrasada. Os olhos custavam a focar-se no professor, e logo ela deixou de prestar atenção, desenhando lânguidas formas em seu caderno, em cima de uma longa explicação de botânica.
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