11 junho 2015
O estranho dia em que os motoristas de ônibus se tornaram cegos aos passageiros.
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15 maio 2015
no vagão
É domingo à noite, mas o vagão não está vazio. Ao contrário, há pessoas demais para um horário tão morto. Adolescentes bêbados gritando, casais de mãos dadas, senhores com jornais, músicos, viajantes solitários. Há uma mulher sentada com duas crianças. Segura-as com firmeza, e trava com os pés uma mala. Tem o rosto inchado, com manchas escurecidas que se insinuam por entre os cabelos e a pele negra. Olhos estão injetados e o maxilar travado. Fixa o nada.
Uma das crianças dorme, mais nova, sobre seu projeto de mochila. A outra, mais velha, está de pé e desligada.
Apita a chegada na estação. Os olhos da mãe entram em foco. A filha se põe alerta.
Portas abrem. Pessoas saem. Portas fecham.
Ambas relaxam, parcialmente.
'Próxima estação: ... ... Terminal Rodoviário Tietê'
A mulher sacode o filho adormecido. Um senhor ergue os olhos do jornal e bufa, em censura. Ela ignora, e coloca a criança de pé.
O trem pára e as crianças se desequilibram. Ela os puxa de volta, agarra a mala e marcha para fora.
Há tensão em seus ombros e pescoço.
'vamo logo. segura teu irmão. direito. não é pra soltar.'
'isso. agora me dá a mão. vem.'
Passam as catracas e ela agarra a mão da filha com mais força. O terminal é o mesmo formigueiro de sempre. Cheio de formigas desorientadas e enferrujadas da viagem. O cheiro é de gente.
Ela vai abrindo caminho e vai a uma guichê sonolenta. Compra duas passagens, depois de ralhar que pelo pequeno não ia pagar porcaria nenhuma.
Faltam vinte minutos.
A mulher olha ao redor, pega as crianças e vai até o caixa eletrônico. Tira todo o dinheiro que consegue e coloca no sutiã.
Descem para a plataforma. O mais novo senta em cima da mala e adormece de novo. A mais velha ajuda a mãe a preencher as passagens.
Os minutos passam aos trancos no relógio da estação. Elas analisam a plataforma.
Cinco minutos antes da partida o ônibus chega. A mulher enxota o filho e vai entregar a mala.
'cuida do teu irmão. e qualquer coisa grita'
Olha de relance a cada poucos segundos. Ela ainda está lá, segurando o braço do outro com firmeza.
Recebe o comprovante da mala e faz um gesto, eles se aproximam.
'Boa noite.' 'Boa noite.' 'Tem permissão de viagem?' 'O pai morreu' 'Tem certidão?' 'Não, moço, foi mês passado, ainda não saiu. Tem permissão de viagem antiga, serve?'
Ele hesita. 'Meus pêsames, dona'
'Que o Senhor o guarde. Posso subir?'
'Deixa eu ver a antiga pelo menos'
Ela vasculha a bolsa e entrega.
'Tudo bem. Pode subir'
'Obrigada, bom trabalho'
'Amém'
Acomoda os dois, põe o pequeno no colo e puxa a cortina.
Uma das crianças dorme, mais nova, sobre seu projeto de mochila. A outra, mais velha, está de pé e desligada.
Apita a chegada na estação. Os olhos da mãe entram em foco. A filha se põe alerta.
Portas abrem. Pessoas saem. Portas fecham.
Ambas relaxam, parcialmente.
'Próxima estação: ... ... Terminal Rodoviário Tietê'
A mulher sacode o filho adormecido. Um senhor ergue os olhos do jornal e bufa, em censura. Ela ignora, e coloca a criança de pé.
O trem pára e as crianças se desequilibram. Ela os puxa de volta, agarra a mala e marcha para fora.
Há tensão em seus ombros e pescoço.
'vamo logo. segura teu irmão. direito. não é pra soltar.'
'isso. agora me dá a mão. vem.'
Passam as catracas e ela agarra a mão da filha com mais força. O terminal é o mesmo formigueiro de sempre. Cheio de formigas desorientadas e enferrujadas da viagem. O cheiro é de gente.
Ela vai abrindo caminho e vai a uma guichê sonolenta. Compra duas passagens, depois de ralhar que pelo pequeno não ia pagar porcaria nenhuma.
Faltam vinte minutos.
A mulher olha ao redor, pega as crianças e vai até o caixa eletrônico. Tira todo o dinheiro que consegue e coloca no sutiã.
Descem para a plataforma. O mais novo senta em cima da mala e adormece de novo. A mais velha ajuda a mãe a preencher as passagens.
Os minutos passam aos trancos no relógio da estação. Elas analisam a plataforma.
Cinco minutos antes da partida o ônibus chega. A mulher enxota o filho e vai entregar a mala.
'cuida do teu irmão. e qualquer coisa grita'
Olha de relance a cada poucos segundos. Ela ainda está lá, segurando o braço do outro com firmeza.
Recebe o comprovante da mala e faz um gesto, eles se aproximam.
'Boa noite.' 'Boa noite.' 'Tem permissão de viagem?' 'O pai morreu' 'Tem certidão?' 'Não, moço, foi mês passado, ainda não saiu. Tem permissão de viagem antiga, serve?'
Ele hesita. 'Meus pêsames, dona'
'Que o Senhor o guarde. Posso subir?'
'Deixa eu ver a antiga pelo menos'
Ela vasculha a bolsa e entrega.
'Tudo bem. Pode subir'
'Obrigada, bom trabalho'
'Amém'
Acomoda os dois, põe o pequeno no colo e puxa a cortina.
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'Quem conta um conto...',
Paralelos
14 maio 2015
Escritora de tempos.
Reescreves narrativas. Sim, as próprias, as vividas. Reinventas-as, tiras umas emoções, omites uns pedaços que não cabem no teu propósito. Contas a ti mesma: foi tudo tão de repente, chegou do nada, fiquei sem reação. Fantasias as coisas passadas para chafurdar ainda mais fundo. Esqueces das tuas faltas, das tuas culpas, palavras atravessadas.
Aí um dia encontras algo escrito, da época. Teu escrito, tua narrativa. Prova irrefutável de – veja bem, não era bem assim... viste chegando, cantaste a pedra e fizeste da mesma maneira. “como a mariposa indo de encontro à lâmpada” - escreveste. Axiomático.
De sopetão tudo fica meio confuso – mas, calma, então já sabias disso? As narrativas servem para muitas coisas – para iludir, para curar, para colocar panos quentes. Há fatos que nos entalam na garganta e nos fazem sufocar.
Também te fazem reincidir, pois te esqueces. A versão revisada faz sempre mais sentido, é melhor estruturada, tem uma tese, apresenta resultados. A outra só faz trazer inquietações, dúvidas cobertas de poeira, angústias, tristezas. Cruezas. E a certeza de que és tão igual a qualquer um. Um ser humano que desconstrói. E inventa. E se justifica, para ficar de bem com a pessoa mais importante desse teu mundo – tu.
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17 abril 2015
BEAUVOIR, S. A Mulher Desiludida: A idade da discrição
"E, súbito, o fluxo me arrasta e me arrastará até que eu tombe na morte. Tragicamente, minha vida se precipita. E, entretanto, ela se escoa neste momento com que lentidão - hora por hora, minuto por minuto! É preciso sempre esperar que o açúcar derreta, que a lembrança se apague, que a ferida cicatrize, que o sol se ponha, que o tédio se dissipe. Estranho corte entre esses dois ritmos. Meus dias me escapavam aos galopes e em cada um deles eu enlanguescia."
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19 março 2015
TIERRA, Pedro. Poema - Prólogo
Fui assassinado.
Morri cem vezes
e cem vezes renasci
sob os golpes do açoite.
Meus olhos em sangue
testemunharam
a dança dos algozes
em torno do meu cadáver.
Tornei-me mineral
memória da dor.
Para sobreviver,
recolhi das chagas do corpo
a lua vermelha de minha crença,
no meu sangue amanhecendo.
Em cinco séculos
reconstruí minha esperança.
A faca do verso feriu-me a boca
e com ela entreguei-me à tarefa de renascer.
Fui poeta
do povo da noite
como um grito de metal fundido.
Fui poeta
como uma arma
para sobreviver
e sobrevivi.
Companheira,
se alguém perguntar por mim:
sou o poeta que busca
converter a noite em semente,
o poeta que se alimenta
do teu amor de vigília
e silêncio
e bebeu no próprio sangue
o ódio dos opressores.
Porque sou o poeta
dos mortos assassinados,
dos eletrocutados, dos “suicidas”,
dos “enforcados” e “atropelados”,
dos que “tentaram fugir”,
dos enlouquecidos.
Sou o poeta
dos torturados,
dos “desaparecidos”,
dos atirados ao mar,
sou os olhos atentos
sobre o crime.
Companheira,
virão perguntar por mim.
Recorda o primeiro poema
que lhe deixei entre os dedos
e dize a eles
como quem acende fogueiras
num país ainda em sombras:
meu ofício sobre a terra
é ressuscitar os mortos
e apontar a cara dos assassinos.
Porque a noite não anoitece sozinha.
Há mãos armadas de açoite
retalhando em pedaços
o fogo do sol
e o corpo dos lutadores.
Venho falar
pela boca de meus mortos.
Sou poeta-testemunha,
poeta da geração de sonho
e sangue
sobre as ruas de meu país.
Sobreviveremos
Perdemos a noção do tempo.
A luz nos vem da última lâmpada,
coada pela multidão de sombras.
A própria voz dos companheiros tarda,
como se viesse de muito longe,
como se a sombra lhe roubasse o corte.
Nessa noite parada sobrevivemos.
Ficou-nos a palavra, embora reprimida.
Mas o murmúrio denuncia que a vitória
não foi completa. Dobra o silêncio
e envia o abraço de alguém
cujo rosto nunca vimos e, todavia, amamos.
Nessa noite parada sobrevivemos.
Sobreviveremos.
Ficou-nos a crença, de resto, inestinguível,
na manhã proibida.
(74)
(pseudônimo de Hamilton Pereira)
Morri cem vezes
e cem vezes renasci
sob os golpes do açoite.
Meus olhos em sangue
testemunharam
a dança dos algozes
em torno do meu cadáver.
Tornei-me mineral
memória da dor.
Para sobreviver,
recolhi das chagas do corpo
a lua vermelha de minha crença,
no meu sangue amanhecendo.
Em cinco séculos
reconstruí minha esperança.
A faca do verso feriu-me a boca
e com ela entreguei-me à tarefa de renascer.
Fui poeta
do povo da noite
como um grito de metal fundido.
Fui poeta
como uma arma
para sobreviver
e sobrevivi.
Companheira,
se alguém perguntar por mim:
sou o poeta que busca
converter a noite em semente,
o poeta que se alimenta
do teu amor de vigília
e silêncio
e bebeu no próprio sangue
o ódio dos opressores.
Porque sou o poeta
dos mortos assassinados,
dos eletrocutados, dos “suicidas”,
dos “enforcados” e “atropelados”,
dos que “tentaram fugir”,
dos enlouquecidos.
Sou o poeta
dos torturados,
dos “desaparecidos”,
dos atirados ao mar,
sou os olhos atentos
sobre o crime.
Companheira,
virão perguntar por mim.
Recorda o primeiro poema
que lhe deixei entre os dedos
e dize a eles
como quem acende fogueiras
num país ainda em sombras:
meu ofício sobre a terra
é ressuscitar os mortos
e apontar a cara dos assassinos.
Porque a noite não anoitece sozinha.
Há mãos armadas de açoite
retalhando em pedaços
o fogo do sol
e o corpo dos lutadores.
Venho falar
pela boca de meus mortos.
Sou poeta-testemunha,
poeta da geração de sonho
e sangue
sobre as ruas de meu país.
Sobreviveremos
Perdemos a noção do tempo.
A luz nos vem da última lâmpada,
coada pela multidão de sombras.
A própria voz dos companheiros tarda,
como se viesse de muito longe,
como se a sombra lhe roubasse o corte.
Nessa noite parada sobrevivemos.
Ficou-nos a palavra, embora reprimida.
Mas o murmúrio denuncia que a vitória
não foi completa. Dobra o silêncio
e envia o abraço de alguém
cujo rosto nunca vimos e, todavia, amamos.
Nessa noite parada sobrevivemos.
Sobreviveremos.
Ficou-nos a crença, de resto, inestinguível,
na manhã proibida.
(74)
(pseudônimo de Hamilton Pereira)
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02 fevereiro 2015
27 janeiro 2015
27 dezembro 2014
YEATS, W. B. Deirdre
Deirdre: Were it not most strange
That women should put evil in men's hearts
And lack it in themselves? And yet I think
That being half good I might change round again
Were we aboard our ship and on the sea.
That women should put evil in men's hearts
And lack it in themselves? And yet I think
That being half good I might change round again
Were we aboard our ship and on the sea.
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03 novembro 2014
se mi rilasso,
collasso
mi manca l'aria e l'allegria
perciò
mi manca l'aria e l'allegria
perciò
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18 setembro 2014
10 julho 2014
CDA, Os ombros suportam o mundo.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
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18 junho 2014
Carneiro, G. a filosofia acidental
não há free-lunch, free-lance, verso livre.
livre no mundo nem o universo
provável self-delivery de algum deus perverso
que nos criou por pura subversão
depois foi passar o final do verão
nalgum balneário sobtropicaos
muito além daqui, do Taiti, do Paradis.
a tal liberdade é uma ficção
talvez criada por Benjamin Franklin,
que francamente não merece crédito
com suas roupas protoperformáticas.
o jeito é assumir as consonâncias
a física quântica, o sexo tântrico
(eu gostei tantro, tantro quando me contaram)
redescobrir que Deus não joga dados
ou descobrir que num lance de dedos
mistura-se os futuros e os passados
livre no mundo nem o universo
provável self-delivery de algum deus perverso
que nos criou por pura subversão
depois foi passar o final do verão
nalgum balneário sobtropicaos
muito além daqui, do Taiti, do Paradis.
a tal liberdade é uma ficção
talvez criada por Benjamin Franklin,
que francamente não merece crédito
com suas roupas protoperformáticas.
o jeito é assumir as consonâncias
a física quântica, o sexo tântrico
(eu gostei tantro, tantro quando me contaram)
redescobrir que Deus não joga dados
ou descobrir que num lance de dedos
mistura-se os futuros e os passados
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15 junho 2014
DE SILVA, Diego. Sono contrario alle emozioni
Da un po', passeggiare per il lungomare della mia città (quello dove la domenica mattina presto corrono gli illusi) costeggiando la quasi totalità delle sue palme mozzate, sottoposte ad amputazioni d'urgenza nell'esttremo tentativo di salvare il residuo di vita che ancora le sostiene prima che il parassita che le divora dall'interno completi la strage, è diventata una pratica malinconica. Un po' come attraversare un ospedale da campo in una zona di guerra.
Quando la recisione di un altro albero malato apre una nuova finestra sul mare, quest'ulteriore spalancamento visuale (che è, al tempo stesso, pienezza e dispersione dello sguardo) produce tristezza in luogo di piacere. Vorresti non vederlo, quel mare in piú. Quella dilatazione dell'orizzonte. Quello spazio improvvisamente libero, che nella sua sconfinata bellezza costituisce la prova sensibile di una morte in corso. Di una scomparsa che procede per sottrazioni progressive, nella consapevolezza dell'irreversibilità di quel disgraziato processo.
Allora, com'è inevitabile che vada, pensi alle tue mancanze. Alle amputazioni che hai dovuto eseguire e subire. A come si sta modificando il tuo personale paesaggio. E ti si restringe, si svilisce il senso della prosecuzione delle cose e della libertà, quasi non la volessi, non sapessi cosa fartene.
Così ti fermi a guardare, anche se da guardare non c'è proprio niente, e qualche volta capita che il corridore tardivo che ti ha superato un momento prima rallenti gradualmente fino a fermarsi e finga di riprendere fiato. Quello che proprio vorrebbe è chiederti cosa ti ha preso, perché stai fissando quel pezzo di mare, ma non lo fa perché non ti conosce e se pure ti conoscesse non lo farebbe, però si trattiene lí a corricchiare sul posto nella speranza di scoprirlo, solo che a un tratto, non saprebbe assolutamente dire perché, sente arrivare un magone tremendo, di quelli che preoccupano, quasi quasi direbbe che sei tu che glielo stai passando, allora si dà una spinta e riprende a correre, tecnicamente scappa.
Quando la recisione di un altro albero malato apre una nuova finestra sul mare, quest'ulteriore spalancamento visuale (che è, al tempo stesso, pienezza e dispersione dello sguardo) produce tristezza in luogo di piacere. Vorresti non vederlo, quel mare in piú. Quella dilatazione dell'orizzonte. Quello spazio improvvisamente libero, che nella sua sconfinata bellezza costituisce la prova sensibile di una morte in corso. Di una scomparsa che procede per sottrazioni progressive, nella consapevolezza dell'irreversibilità di quel disgraziato processo.
Allora, com'è inevitabile che vada, pensi alle tue mancanze. Alle amputazioni che hai dovuto eseguire e subire. A come si sta modificando il tuo personale paesaggio. E ti si restringe, si svilisce il senso della prosecuzione delle cose e della libertà, quasi non la volessi, non sapessi cosa fartene.
Così ti fermi a guardare, anche se da guardare non c'è proprio niente, e qualche volta capita che il corridore tardivo che ti ha superato un momento prima rallenti gradualmente fino a fermarsi e finga di riprendere fiato. Quello che proprio vorrebbe è chiederti cosa ti ha preso, perché stai fissando quel pezzo di mare, ma non lo fa perché non ti conosce e se pure ti conoscesse non lo farebbe, però si trattiene lí a corricchiare sul posto nella speranza di scoprirlo, solo che a un tratto, non saprebbe assolutamente dire perché, sente arrivare un magone tremendo, di quelli che preoccupano, quasi quasi direbbe che sei tu che glielo stai passando, allora si dà una spinta e riprende a correre, tecnicamente scappa.
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06 maio 2014
Insone II
uma da manhã
ouves a ausência dos ônibus
dos carros
das rodas
não tem gente no buteco
sobra só um cutucar de papelão lá embaixo
ninguém fala
pode ser um cachorro
um gato, um trem qualquer
o silêncio da rua amplifica inunda ensurdece
o vidro quebrado da janela não dissipa o calor do quarto
realça tão só o arrepio
o relógio na cozinha estoca
a cama morna
o vazio imóvel
tudo acabado o baile encerrado atordoado
e o sono..
que sono?
ouves a ausência dos ônibus
dos carros
das rodas
não tem gente no buteco
sobra só um cutucar de papelão lá embaixo
ninguém fala
pode ser um cachorro
um gato, um trem qualquer
o silêncio da rua amplifica inunda ensurdece
o vidro quebrado da janela não dissipa o calor do quarto
realça tão só o arrepio
o relógio na cozinha estoca
a cama morna
o vazio imóvel
tudo acabado o baile encerrado atordoado
e o sono..
que sono?
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