Quando aparecem cretinos demais na sua vida, mesmo que simplesmente resvalem na sua trajetória, você começa a se perguntar qual é a natureza humana.
Excessivamente pensado e sem nenhuma conclusão aparente, esse inferno de conceito só nos atrapalha - essa necessidade infeliz de rotular coisas e pessoas, essa obsessão por tipologias, por leis gerais. É frustrante não haver um modelo para observar e encaixar as pessoas, para facilitar a lida com seres estranhos.
É a cretinice dos apartamentos, das pizzarias, da lógica estúpida que parece reger essa sociedade que lhe leva a perder a fé na espécie humana, a achar que uma epidemia poderia resolver o problema do planeta. Aí você esbarra num rosto sorridente - num foco de resistência à babaquice extremamente contagiosa que assola o mundo - e respira fundo, estala as articulações e aceita que existem pessoas bacanas por aí.
A identificação do problema que nos acomete ainda não se deu. É a lógica individualista derivada do 'capitalismo selvagem'? É o distanciamento dos outros seres humanos, é o centramento na própria sobrevivência? Temos mesmo essa capacidade de agir como ser social, sem tentarmos nos massacrar (politica, cultural, social, economicamente..?)? É a intolerância com o próximo?
O que é? Qual é o nosso problema, saco?
31 maio 2011
30 maio 2011
Questão de Ordem - Jeff
gostaria de ter lido essa poesia no Sarau, mas não o havendo feito, coloco-a aqui.
(em memória do poeta revolucionário Roque Dalton)
Algo de mim se perdeu
por entre as pautas reivindicadas
quando foi não me lembro...
assembleias... reuniões... passeatas...
Algo de mim se perdeu
por entre as bandeiras levantadas
quando foi não me lembro...
conjunturas... estratégias... táticas...
Algo de mim se perdeu,
e não há nada,
absolutamente nada
em nenhuma ata...
(eu mesmo vasculhei exaustivamente os arquivos)
não se têm informes,
encaminhamentos,
palavras de ordem...
nada.
Apenas uma ausência
enorme constante programática?
Algo de mim se perdeu
por entre as questões ordinárias...
e pode soar ridículo, burguês e desagradavelmente
intimista,
mas sinto, camaradas,
que essa coisa perdida
era,
justamente,
a que me centralizava
(subversiva, clandestina, revolucionária).
(em memória do poeta revolucionário Roque Dalton)
Algo de mim se perdeu
por entre as pautas reivindicadas
quando foi não me lembro...
assembleias... reuniões... passeatas...
Algo de mim se perdeu
por entre as bandeiras levantadas
quando foi não me lembro...
conjunturas... estratégias... táticas...
Algo de mim se perdeu,
e não há nada,
absolutamente nada
em nenhuma ata...
(eu mesmo vasculhei exaustivamente os arquivos)
não se têm informes,
encaminhamentos,
palavras de ordem...
nada.
Apenas uma ausência
enorme constante programática?
Algo de mim se perdeu
por entre as questões ordinárias...
e pode soar ridículo, burguês e desagradavelmente
intimista,
mas sinto, camaradas,
que essa coisa perdida
era,
justamente,
a que me centralizava
(subversiva, clandestina, revolucionária).
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16 maio 2011
Vorrei che le disillusioni smetessero de tormentarmi. Mi sono già stancata.
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14 maio 2011
Every morning at sunrise, the sun shining through a church window reveals a message.
Costumeiro era o atraso
cenário míope atropelado
borrão de cores arrastadas
barulho frenético de roda enferrujada
o sacolejo do aro torto
me eram razões para esquecer do mundo
e me concentrar na fria perspectiva da matéria
da aula daquele professorzinho enfezado
estourador de faltas
tipologista de atrasos
infernizador dos amantes da segunda de manhã
pedalava descabelada
desabalada
pondo abaixo a ladeira
naquela derradeira manhã outonina
que, recostada nos batentes do inverno
suspirava densos nevoeiros
o sol, ainda baixo e tímido na umidade do dia
expelia luz, cegava, escandalizava o branco sujo da neblina
e oferecia uma igreja mirrada
encardida e espremida entre lojas (ainda fechadas) e letreiros intimidadores
expunha-a como troféu
como reduto
como (!) resistência
ao desenfreado avanço das rodas
à vida maquinal que arremetia por aros tortos e fagocitava o raciocínio.
30 abril 2011
Rotativa
A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a roseira prá lá...
Que fique de lição - não ler escritos alheios.
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a roseira prá lá...
Que fique de lição - não ler escritos alheios.
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24 abril 2011
Rethinking Roland's quotes.
The strangest thing about the world moving on is that we lose track of events. Suddenly, we don't know what's happening anymore. Suddenly, we realise that a intricate process has gone by and we need a break to adapt our minds. It's not a bad thing, nor a good one. It's just... odd.
And it happens all the time.
And it happens all the time.
23 abril 2011
Such a...
Ho provato di tutto per farti più prossimo di me - avevo anche concluso che ero stata ben riuscita (fino ad un punto).
Crasso sbaglio.
Tutti gli sfoghi, tutte le storie, è tutto stato un monologo tra me ed una statua, in cui tu sei stato solamente una pietra a guardarmi con quegli occhi che traboccano sentimenti umani.
Sì, mi sono risentita. Mi risentì perché non sei stato là mentre avevo bisogno - e neanche quando ti cercavo. Mi risentì di quasi aver dovuto supplicare per trovarti. Mi risentì di esserti sembrata qualcosa che s'era seppellita da tanto tempo (al meno dalla mia parte).
Sono rammaricata per scoprire che è stato tutto una via senza ritorno. Pensavo che tu fossi comportato appositamente, che avevamo segnato un accordo senza parole, che sarebbe stato tutto finito, e pure mi ritorni con quegli auguri ipocriti.
Ho lasciato stare, siccome di ipocrite il mondo è pieno.
Ma come volevo che questi pensieri fossero follie. Non lo sapresti mai.
Anzi, non lo saprai mai.
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Monólogos
17 abril 2011
Essa moça tá diferente
Já não me conhece mais
Está pra lá de pra frente
Está me passando pra trás
Essa moça tá decidida
A se supermodernizar
Ela só samba escondida
Que é pra ninguém reparar...
Já não me conhece mais
Está pra lá de pra frente
Está me passando pra trás
Essa moça tá decidida
A se supermodernizar
Ela só samba escondida
Que é pra ninguém reparar...
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15 abril 2011
...che voy hacer, je suis perdu
Ieri mi è venuta una stanchezza incredibile. Come se tutto il mondo fosse diventato più buio, più pesante. Come se il caldo del giorno mi avesse scioglieta, come se i miei muscoli fossero diventati molli come caucciù.
Ma, doppo un test, tutto si è risolto. Il mondo ha ritornato, ruotando a tutta velocità. La birra è diventata più fredda, suo sapore è diventato più forte. Non è stato il test, ma qualcosa ha scoppiettato.
ただいま.
Ma, doppo un test, tutto si è risolto. Il mondo ha ritornato, ruotando a tutta velocità. La birra è diventata più fredda, suo sapore è diventato più forte. Non è stato il test, ma qualcosa ha scoppiettato.
ただいま.
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Relatos.
19 março 2011
The moment after.
Arfadas no escuro. Como se olhos fossem se acostumando ao breu, distinguem-se vultos. Dois eram eles.
Ouve-se um lento resfolegar no quarto ao lado - o terceiro ronca.
Um dos respirares acalma-se aos poucos. O outro suga, desesperado, cada vez mais ar.
'Tá tudo bem aí?' pergunta a primeira.
O segundo ofega, chia, angustia.
'Ei, o que houve?'
Ele tenta se sentar, arquejando pesadamente. A primeira se levanta rápida, desajeitada, acende a luz. O corpo nu na luz amarela, a pele sem pelo, os seios pequenos e arrepiados da primeira viagem, o olhar de pânico. O primeiro, do outro lado da cama, de silhueta magra e comprida (mal saída do estirão), convulsa, a arfar frases entrecortadas, ininteligíveis.
'...-binha de As-...'
A primeira veste a camiseta do segundo, caça sua calcinha (acha-a do outro lado do quarto); abre a porta aos trancos e sai.
Pancadas aflitas na porta do quarto ao lado.
'Escuta, tem alguma coisa acontecendo com o seu filho! Ele está asfixiando! (merda, merda!)'
O ressonar pára. Acende-se uma luz por debaixo da porta.
Um sussurro.
'Ai, caralho.'
Ouve-se um lento resfolegar no quarto ao lado - o terceiro ronca.
Um dos respirares acalma-se aos poucos. O outro suga, desesperado, cada vez mais ar.
'Tá tudo bem aí?' pergunta a primeira.
O segundo ofega, chia, angustia.
'Ei, o que houve?'
Ele tenta se sentar, arquejando pesadamente. A primeira se levanta rápida, desajeitada, acende a luz. O corpo nu na luz amarela, a pele sem pelo, os seios pequenos e arrepiados da primeira viagem, o olhar de pânico. O primeiro, do outro lado da cama, de silhueta magra e comprida (mal saída do estirão), convulsa, a arfar frases entrecortadas, ininteligíveis.
'...-binha de As-...'
A primeira veste a camiseta do segundo, caça sua calcinha (acha-a do outro lado do quarto); abre a porta aos trancos e sai.
Pancadas aflitas na porta do quarto ao lado.
'Escuta, tem alguma coisa acontecendo com o seu filho! Ele está asfixiando! (merda, merda!)'
O ressonar pára. Acende-se uma luz por debaixo da porta.
Um sussurro.
'Ai, caralho.'
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05 março 2011
kunderismos.
"É, agora eu via isso com clareza: a maioria das pessoas se entrega à miragem de uma dupla crença: acredita na perenidade da memória (dos homens, das coisas, dos atos, das nações) e na possibilidade de reparar (os atos, os erros, os pecados, as injustiças). Uma é tão falsa quanto a outra. A verdade se situa justamente no oposto: tudo será esquecido e nada será reparado. O papel da reparação (tanto pela vingança quanto pelo perdão) será representado pelo esquecimento. Ninguém irá reparar as injustiças cometidas, mas todas as injustiças serão esquecidas."
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Trechos
03 março 2011
Alfama
Lei scendeva le scale in fretta, come se qualcosa la perseguisse, come se la pioggia non potesse più aspettare tra le nuvole grigie, come se i gradini fossero sparire, o forse come se quelle pietre fossero sciogliere sotto i suoi piedi.
Lei correva, e Portogallo singhiozzava.
Lei correva, e Portogallo singhiozzava.
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27 fevereiro 2011
Un po' di notte.
A lua espreitava
vigiava
procurava por qualquer ato que pudesse denunciar seus ânimos.
Mas a frieza lisa das pedras do rio era pesada demais no chacoalhar suave das águas.
Eram impenetráveis;
imperscrutáveis.
17 fevereiro 2011
Não sei mais se o que me escorre é uma lágrima do céu ou um pingo de choro.
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