27 junho 2009
picture that.
Há alguém nu em um ambiente claro tentando maquinalmente retirar de sua pele algo que escorre; algo que escorre de seus ouvidos, de seus olhos e cobre seu corpo. É um líquido translúcido, meio viscoso que parece ter imagens em seu interiro distorcidas pela reflexão da luz. Do líquido parece vazar um som indistinto, como várias pessoas murmurando ao mesmo tempo. Esse alguém tem a expressão de entorpecimento, os olhos vidrados, vazios, a boca entreaberta. Suas mãos estão enegrecidas, manchadas de símbolos, desenhos e esquemas. Setas sobem-lhe pelo antebraço; agulhas de acupuntura estão espetadas pelo corpo, algumas tombadas pelo líquido que escorre vagarosamente.
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25 junho 2009
Eclipse solar.
É como se eu estivesse com aqueles negativos para proteger os olhos do sol na hora de ver um eclipse: a luz é mais tolerável para ver, mas o mundo fica mais escuro, marrom e feio. Os defeitos e os problemas saltam a vista, e até então eles eram ofuscados pela claridade.
E eu chafurdo na indignação, e no inconformismo puramente teórico.
E eu chafurdo na indignação, e no inconformismo puramente teórico.
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15 junho 2009
...felicidade sim.
__Minha tristeza se parece com alguém se afogando; é como se ela tentasse subir a superfície, naquela ânsia desesperada contra um carrasco distraído - assim que vem a tona eu a empurro de volta, com aquele nó a rasgar a garganta e a contrariar a gravidade, querendo sair pela boca.
__Minha tristeza é mais fiel do que Romeu para Julieta. Ela retorna, me abraça, me engloba e me consome. Me estupra até, quando eu tento afogá-la demais.
__Minha tristeza é como vômito. Nunca vem, acontece e pára. Ela vem, acontece, reacontece, repete, dá bis, tris e sei lá mais o quê; até você ter a impressão de que não vai sarar nunca, e que não há nada a ser feito para impedi-la.
__Minha tristeza é como soluço. Se teme que ainda não tenha passado, toma litros e litros de água até ficar mal, tenta todas as macumbas e até tirar da cabeça, pensar em outra coisa, mas sempre volta, e sempre se pega com a frase 'ela ia voltar, como eu fui pensar que não..?'. Ela sempre está ali, à espreita, vigilante.
__Minha tristeza me distorce inteira; por mais que eu me revolte, ela torce meus músculos da face, aperta minhas glândulas, me espreme as lágrimas. Sua mão é cruel, e me faz encolher.
__Minha tristeza me arranca os sabores da boca, deixa só aquele eco amargo da laranja, aquela vagueza de espírito me amarrando a língua.
__Minha tristeza me desenterra remorsos, me tira a poesia e a literatura do mundo; ela torna tudo seco e arenoso e marrom. Ela transforma o Paraíso do Gênesis em Mendoza, sem as montanhas ao longe, sem o céu complacentemente azul.
__Minha tristeza é mais fiel do que Romeu para Julieta. Ela retorna, me abraça, me engloba e me consome. Me estupra até, quando eu tento afogá-la demais.
__Minha tristeza é como vômito. Nunca vem, acontece e pára. Ela vem, acontece, reacontece, repete, dá bis, tris e sei lá mais o quê; até você ter a impressão de que não vai sarar nunca, e que não há nada a ser feito para impedi-la.
__Minha tristeza é como soluço. Se teme que ainda não tenha passado, toma litros e litros de água até ficar mal, tenta todas as macumbas e até tirar da cabeça, pensar em outra coisa, mas sempre volta, e sempre se pega com a frase 'ela ia voltar, como eu fui pensar que não..?'. Ela sempre está ali, à espreita, vigilante.
__Minha tristeza me distorce inteira; por mais que eu me revolte, ela torce meus músculos da face, aperta minhas glândulas, me espreme as lágrimas. Sua mão é cruel, e me faz encolher.
__Minha tristeza me arranca os sabores da boca, deixa só aquele eco amargo da laranja, aquela vagueza de espírito me amarrando a língua.
__Minha tristeza me desenterra remorsos, me tira a poesia e a literatura do mundo; ela torna tudo seco e arenoso e marrom. Ela transforma o Paraíso do Gênesis em Mendoza, sem as montanhas ao longe, sem o céu complacentemente azul.
Ela me sufoca. E eu não consigo arrancá-la de mim.
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Monólogos
08 junho 2009
gerundindo. (iludindo)
___________infindo
___________(g)emendo
___________
___________descendo
corr-romp-endo
___dis-correndo
___________ex-corre-ndo
___________(g)emendo
___________
___________descendo
corr-romp-endo
___dis-correndo
___________ex-corre-ndo
______________________só-correndo
socorro!
04 junho 2009
Catatôniquinspirrativo
sensacionalismo barato a conta-gotas,
catando cotonetes com os dedos dos pés,
cantando o rugido inaudível das (placas) tectônicas,
semitonando as cocheiras fedorentas.
atchim.
catando cotonetes com os dedos dos pés,
cantando o rugido inaudível das (placas) tectônicas,
semitonando as cocheiras fedorentas.
atchim.
30 maio 2009
- can we...
...just for a minute, stop?
please..?
- no, he said, i'm not upset.yet.
- but why do i have to wait your uneasiness?
...
- 'cuz before that you won't die.
29 maio 2009
dois;
O sinal do intervalo soou, e Alice mal se mexeu. Pensava em algo muito profundo, e de tanta profundidade seus olhos estavam perdidos, a face branca. Ninguém a incomodava. Os ruídos a cercavam. Ela ouvia, ouvia; e pensava.
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Aliciando,
inacabados.
16 maio 2009
(St. Markus Passion)
Ich will hier bei dir stehen, verlasse mich doch nicht, von dir will ich nicht gehn, wenn dir dein Herze bricht, wenn dein Haupt wird erblassen im letzten Todesstoß, alsdann will ich dich fassen in meinen Arm und Schoß.
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Citações,
Estertores
12 maio 2009
um;
Alice pestanejou uma, duas, três vezes. A visão teimava em continuar fora de foco, mas o neurótico despertador apitava cada vez mais alto, e ela não queria acordar o pai, que dormia no quarto ao lado. Tateou o criado-mudo em busca do celular, que guinchava e vibrava sobre o tampo de madeira. Desligou-o. Espiou pela janela ao lado da escrivaninha: mal amanhecera, o céu ainda estava naquele cinza indistinto que pode ser tanto prenúncio de chuva como de um dia qualquer, normal, meio azulado - sabe como é... abril é um mês espacialmente azul, ainda mais em um país onde as folhas não caem no outono. Resmungou um pouquinho e se levantou.
Pedindo licença ao professor para entrar, apressou-se para a sua mesa, fazendo sua saudação tímida de atrasada. Os olhos custavam a focar-se no professor, e logo ela deixou de prestar atenção, desenhando lânguidas formas em seu caderno, em cima de uma longa explicação de botânica.
Pedindo licença ao professor para entrar, apressou-se para a sua mesa, fazendo sua saudação tímida de atrasada. Os olhos custavam a focar-se no professor, e logo ela deixou de prestar atenção, desenhando lânguidas formas em seu caderno, em cima de uma longa explicação de botânica.
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09 maio 2009
I want to know what you got to say
I can tell you taste like the sky 'cause you look like rain
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Citações
30 abril 2009
Praça
vinha vindo em esvoaçantes passos
e velada dor nos olhos invernais
variava a rota com vagar
/ por entre /
os vultos vegetais.
o vento afagava sua figura
fina
desfilava entre folhas mortas
- revoltas em furioso redemoinho -
que, roçando em seu frio rosto
ronronava ruídos
e riscava lágrimas;
arruinava-a.
e velada dor nos olhos invernais
variava a rota com vagar
/ por entre /
os vultos vegetais.
o vento afagava sua figura
fina
desfilava entre folhas mortas
- revoltas em furioso redemoinho -
que, roçando em seu frio rosto
ronronava ruídos
e riscava lágrimas;
arruinava-a.
15 abril 2009
ai, ai.
eu estou num daqueles dias que a gente parece inspirar e o ar vir carregado de melancolia, e quando você olha para o vento roçando nas árvores você vê a melancolia impressa no ato e pensa que tudo aquilo é tão tão bonito e tão tão triste, e aí você suspira bem fundo e percebe que seu corpo não é um receptáculo suficiente para extravasar o suspiro bem maior que você gostaria de ter soltado, então você suspira profundamente várias vezes e as pessoas que estão perto te perguntam o que você tem, se está apaixonado; e é uma conclusão tão disparatada que você tem vontade de dizer que está enamorado pela realidade, pelo mundo que vaza melancolia por todos os prótons.
se.
'Se a gente já não sabe mais
Rir um do outro meu bem
Então o que resta é chorar
E talvez se tem que durar
Vem renascido o amor bento de lágrimas.'
pois é...
Rir um do outro meu bem
Então o que resta é chorar
E talvez se tem que durar
Vem renascido o amor bento de lágrimas.'
pois é...
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Monólogos
04 abril 2009
Composition #4
Once there was no America, no Italy and no Pope, only the huge roman empire ruled by Vespasianus. In that time, christianism was a forbidden creed, so their believers were hunted down and tortured. Some of them, due to these violent treatments, became mentally affected.
And that was the case of Alexius, a joyful young man, who had lost his right thumb when attacked by two drunk legionaries in the last villagge. He had wan away bleeding, in the middle of the night, mumbling beetween his sudden hysteric laughs. However, this incident had been more than ten days before, so he was almost healed.
Alexius finally found another city, which was located at the foot of an enourmous mountain. It was night, and the breathing was as difficult as if the air was magma. He straightened his ragged cloak and stepped in, doing the cross.
Not even two hours had passed when he was found by a violent legionary. Alexius began to run away, closely followed by the berserk. He tripped and fell. The man rose his spear. And petrified. Alexius too, and the entire city, as well.
The mountain wasn't a mountain, as Alexius had thought. It was a vulcan; the city was Pompey, and the year was 79 a.D. .
And that was the case of Alexius, a joyful young man, who had lost his right thumb when attacked by two drunk legionaries in the last villagge. He had wan away bleeding, in the middle of the night, mumbling beetween his sudden hysteric laughs. However, this incident had been more than ten days before, so he was almost healed.
Alexius finally found another city, which was located at the foot of an enourmous mountain. It was night, and the breathing was as difficult as if the air was magma. He straightened his ragged cloak and stepped in, doing the cross.
Not even two hours had passed when he was found by a violent legionary. Alexius began to run away, closely followed by the berserk. He tripped and fell. The man rose his spear. And petrified. Alexius too, and the entire city, as well.
The mountain wasn't a mountain, as Alexius had thought. It was a vulcan; the city was Pompey, and the year was 79 a.D. .
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Compositions
03 abril 2009
Huh... sorry, I guess.
Indeed, I really don't know what I'm doing. Again. And again. And again.
However, it was very good to meet you. And it is.
I'm sorry to use this sentence (I'm almost like my grandma', after all), but I'm just sixteen. Or seventeen; it won't make a big difference. -Yes, I'm trying to justify my lack of knowledge and full awkwardness at the subject; sorry about that.
Well, I think that's it. For now.
I sincerely think I haven't "arrived" at a good time. I'll write later 'bout it. Probably.
However, it was very good to meet you. And it is.
I'm sorry to use this sentence (I'm almost like my grandma', after all), but I'm just sixteen. Or seventeen; it won't make a big difference. -Yes, I'm trying to justify my lack of knowledge and full awkwardness at the subject; sorry about that.
Well, I think that's it. For now.
I sincerely think I haven't "arrived" at a good time. I'll write later 'bout it. Probably.
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