30 abril 2009

Praça

vinha vindo em esvoaçantes passos
e velada dor nos olhos invernais
variava a rota com vagar
/ por entre /
os vultos vegetais.

o vento afagava sua figura
fina
desfilava entre folhas mortas
- revoltas em furioso redemoinho -

que, roçando em seu frio rosto
ronronava ruídos
e riscava lágrimas;

arruinava-a.

15 abril 2009

ai, ai.

eu estou num daqueles dias que a gente parece inspirar e o ar vir carregado de melancolia, e quando você olha para o vento roçando nas árvores você vê a melancolia impressa no ato e pensa que tudo aquilo é tão tão bonito e tão tão triste, e aí você suspira bem fundo e percebe que seu corpo não é um receptáculo suficiente para extravasar o suspiro bem maior que você gostaria de ter soltado, então você suspira profundamente várias vezes e as pessoas que estão perto te perguntam o que você tem, se está apaixonado; e é uma conclusão tão disparatada que você tem vontade de dizer que está enamorado pela realidade, pelo mundo que vaza melancolia por todos os prótons.

se.

'Se a gente já não sabe mais
Rir um do outro meu bem
Então o que resta é chorar
E talvez se tem que durar
Vem renascido o amor bento de lágrimas.'
pois é...

04 abril 2009

Composition #4

Once there was no America, no Italy and no Pope, only the huge roman empire ruled by Vespasianus. In that time, christianism was a forbidden creed, so their believers were hunted down and tortured. Some of them, due to these violent treatments, became mentally affected.
And that was the case of Alexius, a joyful young man, who had lost his right thumb when attacked by two drunk legionaries in the last villagge. He had wan away bleeding, in the middle of the night, mumbling beetween his sudden hysteric laughs. However, this incident had been more than ten days before, so he was almost healed.
Alexius finally found another city, which was located at the foot of an enourmous mountain. It was night, and the breathing was as difficult as if the air was magma. He straightened his ragged cloak and stepped in, doing the cross.
Not even two hours had passed when he was found by a violent legionary. Alexius began to run away, closely followed by the berserk. He tripped and fell. The man rose his spear. And petrified. Alexius too, and the entire city, as well.
The mountain wasn't a mountain, as Alexius had thought. It was a vulcan; the city was Pompey, and the year was 79 a.D. .

03 abril 2009

Huh... sorry, I guess.

Indeed, I really don't know what I'm doing. Again. And again. And again.
However, it was very good to meet you. And it is.
I'm sorry to use this sentence (I'm almost like my grandma', after all), but I'm just sixteen. Or seventeen; it won't make a big difference. -Yes, I'm trying to justify my lack of knowledge and full awkwardness at the subject; sorry about that.
Well, I think that's it. For now.
I sincerely think I haven't "arrived" at a good time. I'll write later 'bout it. Probably.

29 março 2009

Olhos nos olhos [quero ver... o que você faz]

eu não faço nada, nem mesmo consigo desviar os olhos. é tipo magnético, saca?
eu só fico olhando, e vendo você me ver. e é isso.

na verdade, tenho medo de acreditar no que eu possa ter visto através deles.

I want you so bad...

It's driving me mad...
it's driving me


e eu sei o tanto de egoísmo que contém este assunto. e o tanto de pontos delicados que ele envolve.

27 março 2009

Once upon a time there was a flyin' cat

Quando eu reparo na instabilidade de tudo (e obviamente, isso me inclui), me sinto um pouco...
..como dizer...
desequilibrada..?

22 março 2009

humpf.

"You're so naive! After a while they always get it, they always reach a sorry end..."
Lasciami capire: Io devo fare tutto? Perché tu vuoi, io devo fare le azioni? Io devo arrivare, attaccare la conversazione, magari lesionarti con qualcosa que neanch'io so se io voglio? Sai, non'è un po' strano? E penso che tutte le persone pensano che io devo infatti fare questo. Ma, cazzo, non ci vuoi tu? Dai, che palle!

17 março 2009

Bell'nd Sebastian

Ooh! Get me away from here I'm dying Play me a song to set me free Nobody writes them like they used to So it may as well be me Here on my own now after hours Here on my own now on a bus Think of it this way You could either be successful or be us With our winning smiles, and us With our catchy tunes, and us Now we're photogenic You know, we don't stand a chance... Oh, I'll settle down with some old story About a boy who's just like me Thought there was love in everything and everyone You're so naive! After a while they always get it They always reach a sorry end Still it was worth it as I turned the pages solemnly, and then With a winning smile, the boy With naivety succeeds At the final moment, I cried I always cry at endings Oh, that wasn't what I meant to say at all From where I'm sitting, rain Washing against the lonely tenement Has set my mind to wander Into the windows of my lovers They never know unless I write "This is no declaration, I just thought I'd let you know goodbye" Said the hero in the story "It is mightier than swords I could kill you sure But I could only make you cry with these words" .

26 fevereiro 2009

Giornalismo Caotico

Seis 'quem', seis 'o quê', seis 'onde', seis 'quando', infinitos porquês e quatro lances de d6.

Resultado
Chi: un barbone
Che: una protesta
Dove: per strada
Quando: ieri all'ora di pranzo
Perché: ?

__La protesta di ieri è stata probabilmente la più bizzarra di tutta la storia di nostro paese. Era un bel giorno di sole, perciò moltissime persone erano sulla spiaggia di San Franceso di Assisi. Secondo i testimoni, un gruppo di turisti, all'improvviso un vecchio barbone ha cominciato a urlare e sgambettare sul pavimento della strada (via Florale, vicino al faro) perché un ragazzo di questo gruppo ha buttato via sulla strada un sacco di confezioni alimentari aperte e non finite. La giapponese Koizumi Miyakashi, 24, ha dichiarato: "L'effetto di quelle urla si è sentito subito; era come se tutti gli abitanti fossero diventati attori cantanti di un Musical - loro hanno cominciato a cantare un inno ed a riunirsi nella via... Subito dopo tutti hanno cominciato a camminare, guidando la nostra escurzione fino a un grande terrapieno, ancora cantando quella canzione. La guida mi ha detto che la musica parlava della natura (...)".
__Sappiamo adesso che la canzione parlava de riciclaggio e della coscienza degli uomini per l'ambiente. Abbiamo anche informazione che sarebbe cominciata dopo quel pranzo una conferenza ambientale (gratuita) sulla cura della natura nelle città moderne, organizzata dalla Società Paceverde.
__Questa inusitata protesta ha scatenato alcune manifestazioni in diversi paesi del mondo. Che dire!

25 fevereiro 2009

isso nunca tinha acontecido.

...digo, nunca havia me dado conta (até ontem, ao fechar os olhos no escuro) de como a escuridão é estática.
ok, isso é óbvio.
I mean... deitada daquele jeito, eu podia até senti-lo do meu lado, no escuro, com o braço me servindo de travesseiro; podia ouvir sua respiração morna.
ou talvez eu simplesmente estivesse começando a dormir. ou a alucinar.
quiçá.

22 fevereiro 2009

bullets.

(...) não me diga que me ama
não me queira
não me afague
sentimento pegue-pague
emoção compre em tabletes
mastigue como um chiclete
e jogue fora na sarjeta
(quem vai querer comprar banana)
compre o ódio do futuro
cheque para trinta dias
nosso plano de seguro
cobre a sua carência
eu perdi o paraíso
mas ganhei inteligência
demência
felicidade
propriedade privada
não se prive
não se prove
don't tell me 'peace and love'
tome logo um engov pra curar sua ressaca
da modernidade
essa
armadilha matilha de cães raivosos e assustados
o presente não devolve o troco do passado
sofrimento não é amargura
tristeza não é pecado
lugar de ser feliz não é supermercado. (...)

17 fevereiro 2009

Um Conto a Quatro Mãos (XVI)

Hallellujah! For the Lord God omnipotent reigneth
The kingdom of this world is become the kingdom of our Lord,
And of His Christ, and He shall reign for ever and ever
King of kings, and Lord of lords. Hallellujah!
_

__Por ali andaram; por aqui passaram; por acolá se empoeiraram, e para adiante se encaminharam, com a galante bengala da Anfitrião a toque-tocar o chão.
Toc, toc.
__
Monami permaneceu na guarda-reta, a raciocinar sobre toda aquela situação; mas algo não parecia funcionar – seu leviano corpo sofria uma pressão interintensa enquanto seus botões começavam a dizer-lhe algo que parecia fazer sentido, ele se sentia a ponto de fazer ‘poc’ e sumir dali –, e aparentemente era tão engraçado que a garota-Sarah em vão tentava esconder seu hi-hi-hiso, e isso o fazia explodir a bolha de sua reflexão (e implodia a in-pressão).

Toc, toc.
__Meinfreud começou a estranhar quando o grande amontoado de brinquedos quiquacarejantes deu espaço a uma escolta enfileirada de choldadinhos de sumbo, de baionetas na mão e canções gregorianas nos lábios rijos. Até então somente o ambiente havia mudado (já havia sido deserto, litoral, cidade, pântano) como se de repente fosse e fazendo-o acreditar que jamais teria sido de outra forma.
“Pa(toc)-ter(toc) no(toc)-os-ter
Qui(toc) es(toc) in cae(toc)-lis,
San(toc)-cti(toc)-fi-ce(toc)-tur(toc) no(toc)-mem(toc) tu(toc)-um...”
__E de improviso, ele não estava mais contornando uma plantação de arroz – ele nunca estivera em plantação de arroz coisíssima nenhuma, em lugar nenhum se não contornando aquela enorme catedral e entrando pelos corredores laterais.
__Meuamigo inchou.
__Haveria ele saído dali, por algum breve instante? A resposta parecia óbvia em sua mente inflada. Não. Era claro; ele jamais saíra dali.
__A luz tímida do alvorecer penetrava pelos belos vitrais de são Jorge cavalgando o santo dragão segurando uma fulgurante espada de fogo, sorrindo vitoriosamente para subjugar um batalhão de anjos aterrorizados que gaguejava Gloria in excelsis Deo. Um penetrante cheiro de sangue fresco estuprou suas narinas tão profissionalmente quanto um incenso de jasmins.
Toc, toc.

08 fevereiro 2009

boca chiusa.

__Uma música soava, a escorrer notas beliscadas de um violão virtual. A sensação, no entanto, era diversa. Era como se ela fosse um órgão (daqueles de centenas de tubos gélidos como seus pés e mãos) e em seu interior estivesse algo esticado, afinado e a ser beliscado por aqueles dedos - (que ela não se lembrava mais como pareciam quando os sentira) confundidos com o ambiente sem luz - e que toda aquela ressonância era pedalada pela tomada e despejava-se pelas efêmeras caixas de som.
__De como as vibrações iam parar naqueles buraquinhos palpitantes, era o mesmo mistério de sua infância, quando ela encarava aqueles imponentes canos de metal nas paredes sacrílegas e se punha a procurar as teclas, o banquinho, os pedais... sempre fora um esforço vão. E dentro dela ele continuava a dedilhá-la como se ela fosse um violão, e em sua cabeça ecoava seu murmúrio morno.

O que será que me dá, que me bole por dentro, será que me dá...