Olha aquela garota lá. É, aquela mesma, a de cabelos fofos, bem parecida comigo, um tantinho mais nova, mas bem pouco. Viu? Ótimo. Pois é, vamos apelidá-la de Maria.
Ela lê muito, sabe... também estuda muito, até demais. Gosta muito de Artes, mas não larga as Exatas por causa disso. Não, meu caro, não sou eu; parece né? Eu sei...
Sabe o que aconteceu com Maria? Ela está apaixonada, ou pelo menos estava, por alguém que mal conversa, ela está (chegue mais perto, isso é meio pessoal) apaixonada por um estranho. Esse ser não tem pretendentes, não tem problemas (aparentemente...), exceto por se mostrar um introvertido convicto. Ecco, io sò che ricorderia di quello ragazzo anche di quella situazione dell'anno scorso. Mas não é a mesma coisa, ela está indecisa sobre a ambigüidade dos atos de seu afeto, não desolada pela impossibilidade. Está bem, fui uma covarde de não me pronunciar, de me manter de cabeça abaixada e olhos marejados enquanto o tempo passava; mas olha a Maria, ela está se 'desapaixonando' do mesmo jeito que fiz: da forma mais amarga e medrosa. Ela está encolhida no canto, com o imaginário rabo fazendo uma perfeita espiral entre as pernas. Ahn..? Ah, d'accordo, io sarò meno rude con lei. Mas me deixa frustrada ver algo se repetir tão ridiculamente. Esse sentimento (na falta de uma palavra melhor) de Maria seria tão frágil a ponto de sucumbir ao pavor por receber um 'não'? Se for, Maria, admita a si mesma, causará menos dor e te tomará menos tempo.
(Corre, Maria
Que a vida não espera
É uma primavera
Não podes perder)
Mas se pensas que isso que lhe aparvalha o ritmo da vida não é tão ignóbil, arrisque e quem sabe, petiscará. Ficar de jejum te deixará com uma ligeira dor, mas bilhões de pessoas existem, uma delas irá te 'apetecer'. Não deixe-nos a fitar o des-enredo do ano passado, mudemos qualquer coisa.
Por favor, não corra o risco de ser o objeto deste trecho.
"...Anda, Maria
Pois eu só teria
A minha agonia
Pra te oferecer"
27 outubro 2008
Olha Maria...
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25 outubro 2008
Ensaio sobre a Cegueira
"(...) provavelmente ninguém o terá notado até hoje, como são absolutamente terríveis os gritos dos cegos, parecem eles que estão a gritar sem saberem porquê, queremos dizer-lhes que se calem e logo acabamos nós a gritar também, só nos falta sermos cegos, mas o dia lá virá."
José Saramago
José Saramago
19 outubro 2008
Somewhat.
I saw you, sitting in a dead-tree
Listening the wind flow beneath us
Waiting for something about something
So I remembered that afternoon on the campus
When we're stretched on the grass, whispering
anything about an ulgy bee.
I wish I could see the better path
as clearly as I solve some math equations
that I know, we both like.
But actually, my dear
live the day you'll strike back
all the stupid things that I did to you
is something that I really fear.
So... hey folk, here I am!
Wheeling in the middle of the wall
Trying to skip this fool jam.
Listening the wind flow beneath us
Waiting for something about something
So I remembered that afternoon on the campus
When we're stretched on the grass, whispering
anything about an ulgy bee.
I wish I could see the better path
as clearly as I solve some math equations
that I know, we both like.
But actually, my dear
live the day you'll strike back
all the stupid things that I did to you
is something that I really fear.
So... hey folk, here I am!
Wheeling in the middle of the wall
Trying to skip this fool jam.
17 outubro 2008
Cookies.
Hoje desmenti (por conta própria) toda aquela algazarra em volta do dito popular que diz que o sentimento do cozinheiro na hora de preparar o alimento é essencial para ele sair bom. Não vou dizer que faz tempo desde a última vez que eu fiquei 'emputecida' desse jeito, porque seria uma hipérbole, mas hoje estou especialmente incomodada (que eufemismo...).
Quantas figuras de linguagem. Seja como for, minha raiva era tão grande há algumas horas atrás - raiva de mim, dos outros, das situações - que eu, nessa minha avalanche confusa de sentimentos agressivos, percebi uma ponta de apreensão quanto à qualidade dos cookies que estavam sendo produzidos. A massa de fato saiu diferente do que costuma sair, com um gosto meio farinhento. E quando essa indignação somava-se ao aglomerado de insatisfações, saiu a primeira fornada (que acabei queimando um pouco), e saiu bom. Assim, não pior do que a média razoável, mas abaixo do patamar que eu esperaria de mim algum outro dia.
Mas, por hoje ser hoje, tá bom vai.
Comamos.
Quantas figuras de linguagem. Seja como for, minha raiva era tão grande há algumas horas atrás - raiva de mim, dos outros, das situações - que eu, nessa minha avalanche confusa de sentimentos agressivos, percebi uma ponta de apreensão quanto à qualidade dos cookies que estavam sendo produzidos. A massa de fato saiu diferente do que costuma sair, com um gosto meio farinhento. E quando essa indignação somava-se ao aglomerado de insatisfações, saiu a primeira fornada (que acabei queimando um pouco), e saiu bom. Assim, não pior do que a média razoável, mas abaixo do patamar que eu esperaria de mim algum outro dia.
Mas, por hoje ser hoje, tá bom vai.
Comamos.
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12 outubro 2008
Conjugação
Eu falo
tu ouves
ele cala.
Eu procuro
tu indagas
ele esconde.
Eu planto
tu adubas
ele colhe.
Eu ajunto
tu conservas
ele rouba.
Eu defendo
tu combates
ele entrega.
Eu canto
tu calas
ele vaia.
Eu escrevo
tu me lês
ele apaga.
Affonso Romano de Sant'Anna (II)
tu ouves
ele cala.
Eu procuro
tu indagas
ele esconde.
Eu planto
tu adubas
ele colhe.
Eu ajunto
tu conservas
ele rouba.
Eu defendo
tu combates
ele entrega.
Eu canto
tu calas
ele vaia.
Eu escrevo
tu me lês
ele apaga.
Affonso Romano de Sant'Anna (II)
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03 outubro 2008
Composition #2
Many years have been gone since that fatidic afternoon. At first, I wasn't dead yet. I lived in Mosoonee those days, in a comfortable house at the suburbs, next to a national park. I was 13 years old and still had lessons at elementary school. Mosoonee, as everybody knows, is a tiny country city, so I used to walk by myself to school, every single day, even if it was snowing (of course, if the day wouldn't have been canceled).
It was the beginning of the spring; the snow had melted recently and I was coming back from school with some friends; it was sunset. I was laughing about some stupid joke that Mike told us when we turned the block and saw a skinny wolf sniffing the air. I stopped my laugh suddenly, but that sound echoed through the space. The wolf looked at us, the mouth half-opened revealing his teeth. It began to walk in our direction. My friends and I were terribly frightened, so when it roared we run away, each one to a random direction. I had so much despair that I couldn't think about where I was going. The starving wolf, for fate or something like that, followed me. When I realized this fact, I shouted between the gaps of my breath "Woooolf!... Wooolf!...". My feet took me to my favorite place: the surrounds of the national park. I was getting more and more slowly, the straps of my heavy bag were cutting my shoulders. Suddenly something (probably my hunter) pushed my back, making me fall and making the bag rip. From inside of it jumped a Tupperware with a half-eat sandwich. I tried to crawl away from the wolf, but my muscles refused to obey me. My hunter sniffed the food and decided to eat it, swallowing all at once. Then it turned to face me, with a tomato between the open teeth. I was paralyzed and couldn't do anything but follow that corpse with the eyes (yes, it seemed more a corpse than a living animal) surrounding me. I could hear noises of a far place, but beside that the scene was silent – I stopped yelling when I fell.
We stayed on that almost static moment until it decided to act. It jumped, aiming my neck, but I put my right arm in front of me. The wolf dilacerated from elbow to wrist; bit my hand and didn't release it. I cried as loud as I could, and saw an elder (neighbor of my uncle) with a rifle. He was trembling, but aimed at the wolf and shot. Lower than my cries, I heard the crash, but the wolf wasn't hurt. The blood flowing down was only mine. The bullet reached the floor, next to the wolf's tail. The monster felt threatened, but it wasn't going away without an award, so it did a hard pull in my hand and began to run away. The pain that I felt that day is something that I remember until today, in my dead-life. In the moment, I didn't realize that two fingers of my right hand had gone with the wolf; just when I saw (with wet eyes) my bloody mutilated hand without the forth and fifth fingers that I understood why it was aching so hardly. I heard another shot while my vision was getting blurred. I fainted.
After, someone told me that the elder killed the wolf with the second bullet. My parents took me to Montreal to visit doctors, but no one could help me. The wound had cured, but I had to became left-handed; I lost friends because of my appearance; I lost my childhood. It complicated my life and continue even now, in my dead.
Meio melô, confesso.
It was the beginning of the spring; the snow had melted recently and I was coming back from school with some friends; it was sunset. I was laughing about some stupid joke that Mike told us when we turned the block and saw a skinny wolf sniffing the air. I stopped my laugh suddenly, but that sound echoed through the space. The wolf looked at us, the mouth half-opened revealing his teeth. It began to walk in our direction. My friends and I were terribly frightened, so when it roared we run away, each one to a random direction. I had so much despair that I couldn't think about where I was going. The starving wolf, for fate or something like that, followed me. When I realized this fact, I shouted between the gaps of my breath "Woooolf!... Wooolf!...". My feet took me to my favorite place: the surrounds of the national park. I was getting more and more slowly, the straps of my heavy bag were cutting my shoulders. Suddenly something (probably my hunter) pushed my back, making me fall and making the bag rip. From inside of it jumped a Tupperware with a half-eat sandwich. I tried to crawl away from the wolf, but my muscles refused to obey me. My hunter sniffed the food and decided to eat it, swallowing all at once. Then it turned to face me, with a tomato between the open teeth. I was paralyzed and couldn't do anything but follow that corpse with the eyes (yes, it seemed more a corpse than a living animal) surrounding me. I could hear noises of a far place, but beside that the scene was silent – I stopped yelling when I fell.
We stayed on that almost static moment until it decided to act. It jumped, aiming my neck, but I put my right arm in front of me. The wolf dilacerated from elbow to wrist; bit my hand and didn't release it. I cried as loud as I could, and saw an elder (neighbor of my uncle) with a rifle. He was trembling, but aimed at the wolf and shot. Lower than my cries, I heard the crash, but the wolf wasn't hurt. The blood flowing down was only mine. The bullet reached the floor, next to the wolf's tail. The monster felt threatened, but it wasn't going away without an award, so it did a hard pull in my hand and began to run away. The pain that I felt that day is something that I remember until today, in my dead-life. In the moment, I didn't realize that two fingers of my right hand had gone with the wolf; just when I saw (with wet eyes) my bloody mutilated hand without the forth and fifth fingers that I understood why it was aching so hardly. I heard another shot while my vision was getting blurred. I fainted.
After, someone told me that the elder killed the wolf with the second bullet. My parents took me to Montreal to visit doctors, but no one could help me. The wound had cured, but I had to became left-handed; I lost friends because of my appearance; I lost my childhood. It complicated my life and continue even now, in my dead.
Meio melô, confesso.
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02 outubro 2008
Reasons
I was opening the gate when the first raindrop fell. And then another, and another, and another.
The clouds were crying so loud that I couldn't listen my-self-pain. The arms of the drunk trees were whipping the air, seeking the highest clouds. It was a Cyclops battle and I wouldn't complain staying at home, listening my mood amplified outside. I turned and went back.
As soon as I opened the door, a wild wind passed by me and made papers on the piano madly dance until touch the floor.
"Oh my fuckin' sheets!" I bawled, pulling my bike in and closing the door.
"The word is 'now'
I'm ready to make my sacrifice
Pray - imagine all the things
That I never talked about" - Qui c'è un bisticcio, può capirlo? Ancora vorresti ascoltarmi ad ogni modo? *sospira* Allora così sia, non si può fare niente.
The clouds were crying so loud that I couldn't listen my-self-pain. The arms of the drunk trees were whipping the air, seeking the highest clouds. It was a Cyclops battle and I wouldn't complain staying at home, listening my mood amplified outside. I turned and went back.
As soon as I opened the door, a wild wind passed by me and made papers on the piano madly dance until touch the floor.
"Oh my fuckin' sheets!" I bawled, pulling my bike in and closing the door.
"The word is 'now'
I'm ready to make my sacrifice
Pray - imagine all the things
That I never talked about" - Qui c'è un bisticcio, può capirlo? Ancora vorresti ascoltarmi ad ogni modo? *sospira* Allora così sia, non si può fare niente.
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22 setembro 2008
Yin Yang..?
Estive ruminando estas inquietações há algumas semanas.Na filosofia oriental (perdoem ignorâncias, sou estupidamente desinformada), para criar uma mentalidade harmoniosa, é necessário o equilíbrio entre os dois lados da moeda, Yin e Yang; ou razão e instinto, se preferirmos pôr nestes termos.
Pois bem, examinando os costumes do budismo, observo ao longo da senda óctupla (se é que o nome é esse e eu não estou alucinando) que há uma supressão do conteúdo instintivo - ou ruim - da parcela que compõe a mentalidade humana. Veja bem, há os preceitos de não matar, não fazer sexo, não comer carne (vermelha?). Matar, reproduzir e se alimentar são aspectos básicos que o instinto animalesco de sobrevivência de si e da espécie produz. Matar para se manter vivo, copular para manter a espécie viva e se alimentar para se manter vivo. A harmonia seria então a completa retirada de qualquer coisa que remeta à condição existencial da espécie humana? O humano perfeito seria aquele que reprimiu até a necrose todo indício de instintivo e tornou-se um ser absolutamente racional, cujo pensamento predomina sobre tudo? Ou o instinto e a razão devem manter-se realmente equilibrados, lado a lado?
E aí começa a minha inquietação em nível pessoal. O andamento que minha vida teve ao longo deste ano foi justamente tentar excluir da minha pessoa, paulatinamente (e convenhamos, baseada em escolhas um tanto quanto oportunas a mim mesma), o aspecto considerado 'ruim' dentro da moralidade que vigora na atualidade (embora seja mendaz). Tentei ser menos pessimista, cuidar dos seres que me rodeiam com menos descaso e mais carinho - as plantas foram grandes empreendimentos neste sentido -, conhecer melhor as pessoas e julgá-las menos, reduzir meus preconceitos, diminuir minha preguiça e meus obstrutores naturais, viver mais em contato com o mundo à minha volta, não tão reclusa nos meus pensamentos. Sei que muitos - senão todos - sequer perceberam o que se passava, mas acontece; é difícil levantar os olhos de si mesmo para examinar o ambiente, com sincera boa vontade. Então as coisas mudaram, e nestas últimas três semanas eu encaro meu passado recente não com desprezo, mas com incompreensão. É como se eu tivesse colocado os óculos escuros para ver melhor o mundo que ofuscava um pouco, e visse o quão inútil fora todo o meu esforço. As coisas morrem e deterioram, as pessoas têm defeitos - além da sina de não conseguir curar todos eles - e não estão nem um pouco interessadas em corrigi-los, o Mundo seguiu adiante (eu havia perdido a profundidade desta citação desde que o ano começou), a paz não existe, tampouco a plena satisfação entre todos, assim como a violência é algo inerente a todos, desde as agressões verbais pensamentos assassinatos à tudo que me cerca. Sei que parece desconexo, mas essa violência essa crueza esse pretoebranco é o que me faz escrever e manter fina a camada de espelho que me separa de Sibilla.
Há quem pense ao ler isto que perdi completamente o fio da meada, que estou deprimida ou algo do gênero; mas isto é apenas uma lista de observações que necessitam de outras para que se saciem e eu consiga um mínimo de calmaria para esta minha confusão mental. Eu preciso de um caminho a seguir. Eu preciso de uma forma de me compor, porque os antigos alicerces ruíram com o passar do Mundo.
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18 setembro 2008
Composition #1 (Dear Lucy...)

I'm sending you this email to explain what happened a few minutes ago (I'm sorry I didn't write a letter, but I found out just now that I don't even have a piece of paper).
As you know, I've got Merry, the hamster, which has the bad habit of running away from the cage. Well, when I woke up today, I realized my milk was over, so I had to go out to buy some for the breakfast before your arrival.
I opened the door but returned to get my wallet; I was locking the door when suddenly I saw Merry on the corridor, next my neighbour's (Marie Dalloway) door. I tried to catch it, but it slipped away and I dumped Marie's door. At that moment, I didn't notice I accidentally opened the door. I began to talk in a low voice "Merry, come on, come with me" but it ran beetween my feet, and it entered in the gap of the half-opened door. I lost my patince and cried, angry "Merry, c'mon, you're driving me crazy!". I put my hand on the gap and definetely opened the door. I entered the room crawling, trying to catch Merry and saying, bored "You aren't allowed to move! Merry, stop!" I finally caught the hamster and stood up, when I saw Marie half-naked looking at me with horror on her face. We stayed a second analysing the situation and then she began to shout "Pervert! Get out of here, now!" I don't know when you arrived and what you saw, but trust me, it wasn't intentional. Sorry about this.
With love,
Stuart.
P.S. I didn't run after you because I had to explain to Marie what happened.
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09 setembro 2008
Three...
...incomplete stories.
Alla mia scuola (presto) avrà un concorso di racconti; parlavo con alcuni maestri de portoghese e ha un rumore che sarà bisonho scrivere il racconto alla scuola, in uno momento specifico. Mentre questa voce non'è smentita, non scriverò niente. Ho solamente idee per finire.
Arrivederci.
Alla mia scuola (presto) avrà un concorso di racconti; parlavo con alcuni maestri de portoghese e ha un rumore che sarà bisonho scrivere il racconto alla scuola, in uno momento specifico. Mentre questa voce non'è smentita, non scriverò niente. Ho solamente idee per finire.
Arrivederci.
02 setembro 2008
"As pessoas se transformavam em cadáveres decompostos à minha frente, minha pele era triste e suja, as noites não terminavam nunca, ninguém me tocava, mas eu reagi, despirei, voltei a isso que dizem que é o normal, e cadê a causa, meu, cadê a luta, cadê o po-ten-ci-al criativo?"
Caio Fernando de Abreu
Caio Fernando de Abreu
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Imagem
Não sou dessa imagem que sou eu.
Não sou dono dessa imagem: ele.
Ele não sou eu.
Conversamos nos desvãos das frases.
Intervalamos pronomes pessoais.
Eu sou meu ele?
Com essa caneta na mão escrevo.
Com essa cabeça nos ombros espantado penso.
Olho aquele, elo, ele.
Quem sou ele?
Desamparado me perco no intervalo
do espelho.
Affonso Romano de Sant'Anna
Não sou dono dessa imagem: ele.
Ele não sou eu.
Conversamos nos desvãos das frases.
Intervalamos pronomes pessoais.
Eu sou meu ele?
Com essa caneta na mão escrevo.
Com essa cabeça nos ombros espantado penso.
Olho aquele, elo, ele.
Quem sou ele?
Desamparado me perco no intervalo
do espelho.
Affonso Romano de Sant'Anna
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01 setembro 2008
Carta..?
Bom dia/tarde/noite, meus caros.
Eu venho hoje, como porta voz de mim mesma (ao invés de expressar a tola que escreveu aqui até hoje - sob a minha tutela, certamente, mas...) não anunciar algo grandioso, mas lançar um simples apelo aos parcos leitores que presenciam este excerto. É algo ínfimo, mas a mim dolente. Eu, Sibilla Liantasse, estou sumindo. Esvanecendo. Esvaindo.
O espelho tem se tornado cada vez mais espesso, e esta pobre inútil não consegue afilá-lo, reverter essa situação que para nós duas é assaz desconfortável.
Ainda não chegamos a conclusão de qual fator desencadeou esta sucessão de inabilidades, de frustrações e fracassos. O decorrido namoro? O distanciamento do nosso primeiro ponto de contato? A postura ensimesmada que este ano a tem feito adotar? Podem ter sido todos, assim como pode ter sido nenhum. Como sabem, não sou daquelas que o 'destino' resolve arrastar para lá e para cá, então sempre fico naquele cantinho confortável, encostada no espelho, esperando esta ingênua que corre para todos os cantos, numa rotina extenuante.
Esperamos (ambas) interromper este processo de 'folheação' do empecilho que nos aparvalha a comunicação. Caso contrário, este depósito de idéias estará com os dias contados, todos eles apontando para o esquecimento.
Cordialmente,
Sib.
Eu venho hoje, como porta voz de mim mesma (ao invés de expressar a tola que escreveu aqui até hoje - sob a minha tutela, certamente, mas...) não anunciar algo grandioso, mas lançar um simples apelo aos parcos leitores que presenciam este excerto. É algo ínfimo, mas a mim dolente. Eu, Sibilla Liantasse, estou sumindo. Esvanecendo. Esvaindo.
O espelho tem se tornado cada vez mais espesso, e esta pobre inútil não consegue afilá-lo, reverter essa situação que para nós duas é assaz desconfortável.
Ainda não chegamos a conclusão de qual fator desencadeou esta sucessão de inabilidades, de frustrações e fracassos. O decorrido namoro? O distanciamento do nosso primeiro ponto de contato? A postura ensimesmada que este ano a tem feito adotar? Podem ter sido todos, assim como pode ter sido nenhum. Como sabem, não sou daquelas que o 'destino' resolve arrastar para lá e para cá, então sempre fico naquele cantinho confortável, encostada no espelho, esperando esta ingênua que corre para todos os cantos, numa rotina extenuante.
Esperamos (ambas) interromper este processo de 'folheação' do empecilho que nos aparvalha a comunicação. Caso contrário, este depósito de idéias estará com os dias contados, todos eles apontando para o esquecimento.
Cordialmente,
Sib.
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28 julho 2008
Relances - I
.
__As luminárias da rua dissipavam sombras na rua deserta. Pairava o silêncio mortal da madrugada. Um discreto Opel Olympia desacelerou a alguns metros da fábrica, e duas silhuetas saltaram do carro. O carro seguiu em frente, deixando para trás um casal hesitante e ligeiramente estranho um ao outro e ao ambiente. Uma jovem de cheios cabelos castanhos vestia um poncho andino verde-oliva; um de seus braços estava cruzado na barriga, e o outro acomodava um longo tubo oculto pela vestimenta. O homem mantinha-se a uma distância prudente de sua companheira, e examinava o lugar atentamente, apoiado numa foice. Trajava uma roupa desgastada e esvoaçante. O Opel logo sumiu de vista. Mantiveram-se em silêncio. A rapariga dirigiu a seu parceiro um olhar incisivo, que foi polidamente ignorado. Então encarou a fábrica e começou a se aproximar dela. Próximos à entrada haviam dois carros civis e sete viaturas, cujas sirenes silenciosas irradiavam seus metódicos clarões avermelhados. A porta de entrada do edifício estava arrombada.
__Um clarão surgiu no fim da rua, acompanhado de um som de explosão. Ambos observaram surpresos 'a distração' providenciada pelo dono do Opel. Eles ouviram a praguejação generalizada e os gritos de ordem seguirem o arranque dessincronizado de alguns carros. Cinco automóveis policiais passaram pela guarita e foram em direção à luminiscência alaranjada que irrompera com a explosão. Os dois carros oficiais que restaram estavam flanqueando a porta da fábrica.
__'Louis, vamos' sussurrou a jovem, pegando no pulso do homem para chamar-lhe a atenção. Ele observou-a com frieza e puxou o braço para si. A moça deu-lhe as costas e andou com cautela em direção à entrada da fábrica. Furtiva, passou pela guarita vazia e se escondeu da vista das viaturas atrás de um Dodge preto. Embora não conseguisse ver o interior do automóvel na sua diagonal, só havia um policial no carro à frente, e ele estava recostado no banco. Ela sorriu. Louis examinou seus passos e depois de alguns instantes seguiu-a. Assim que ele chegou, Irène foi se deslocando para a traseira da viatura oficial. Ao iniciar mesmo caminho, Louis sentiu uma sensação desconfortante apertar seu pomo-de-adão, e preocupado com isso, esqueceu totalmente da pouca coisa que sabia ter de fazer ali.
__Irène olhou para trás para ver onde o filhote estava, frações de segundo antes de ouvir um metálico ruído no vidro da viatura. Com o canto do olho constatou que o policial no interior do veículo pulou de susto e em seguida saiu do carro, com uma pistola já apontada e destravada para o vidro do passageiro. Louis encarou-o surpreso, como se saísse de um transe, depois recolheu sua foice e preparou-a. Dois outros policiais saíram da viatura adiante, com as armas também apontadas. 'Largue a foice, camarada' disse o mais próximo. Os outros se aproximavam.
__Irène praguejou. Agora era mais um para ir buscar depois. Todos estavam reunidos, cercando o filhote, que após algumas palavras secas soltara sua arma. Ela abaixou-se ainda mais e correu para a porta arrombada, enquanto o algemavam e o atiravam no chão, dirigindo-lhe um facho de luz na sua cara. O cara maior riu de alguma coisa que o algemado dissera e retrucou, em altos brados 'De que isso me interessa? Isso não é ponto turístico, ainda mais a essa hora da madrugada'. Os outros se afastaram, enquanto o grandalhão dizia 'Então vamos fazer um interrogatório' antes de chutar-lhe a boca do estômago. Irène retirou das costas sua cimitarra e saiu da recepção apagada da fábrica, indo furtivamente para onde o ar fedia mais a coisa ruim.
__
__'Você está sozinho?' rugiu o policial. Louis resmungou qualquer coisa inaudível, recebendo uma coronhada na cabeça. 'Vamos, diga o que está fazendo aqui!' Ele replicou, com a voz rascante 'Nem eu sei'. O homem deu uma gargalhada 'É o que todos dizem, não é?' Guardou a pistola no cinto, ao lado do suporte dos suspensórios, e desafivelou um envernizado porrete. Seu corpo tingia-se de vermelho esporadicamente. 'Vou lhe apresentar uma amiga, então: Esta é a Palavra' Ele acenou com o porrete. 'Em reuniões costuma-se dizer que quem está com a Palavra sempre tem razão... e o que é isso, senão uma reunião?' Louis ouviu-a silvar vindo ao seu encontro, contra o ar parado. Seus lábios se abriram num rosnado quando uma repetina escuridão (re)ofuscou-lhe a vista.
__
__Irène estava terminando de subir as escadas quando ouviu gritos roucos e barulho de carne dilacerando, junto de metal amassado. Deixou escapar um sorrisinho. Já não era mais um filhote. Apressou a cadência, enquanto retirava de debaixo do poncho um braço torto enfaixado, com tufos de pêlos castanhos saindo de alguns pontos.
__As luminárias da rua dissipavam sombras na rua deserta. Pairava o silêncio mortal da madrugada. Um discreto Opel Olympia desacelerou a alguns metros da fábrica, e duas silhuetas saltaram do carro. O carro seguiu em frente, deixando para trás um casal hesitante e ligeiramente estranho um ao outro e ao ambiente. Uma jovem de cheios cabelos castanhos vestia um poncho andino verde-oliva; um de seus braços estava cruzado na barriga, e o outro acomodava um longo tubo oculto pela vestimenta. O homem mantinha-se a uma distância prudente de sua companheira, e examinava o lugar atentamente, apoiado numa foice. Trajava uma roupa desgastada e esvoaçante. O Opel logo sumiu de vista. Mantiveram-se em silêncio. A rapariga dirigiu a seu parceiro um olhar incisivo, que foi polidamente ignorado. Então encarou a fábrica e começou a se aproximar dela. Próximos à entrada haviam dois carros civis e sete viaturas, cujas sirenes silenciosas irradiavam seus metódicos clarões avermelhados. A porta de entrada do edifício estava arrombada.
__Um clarão surgiu no fim da rua, acompanhado de um som de explosão. Ambos observaram surpresos 'a distração' providenciada pelo dono do Opel. Eles ouviram a praguejação generalizada e os gritos de ordem seguirem o arranque dessincronizado de alguns carros. Cinco automóveis policiais passaram pela guarita e foram em direção à luminiscência alaranjada que irrompera com a explosão. Os dois carros oficiais que restaram estavam flanqueando a porta da fábrica.
__'Louis, vamos' sussurrou a jovem, pegando no pulso do homem para chamar-lhe a atenção. Ele observou-a com frieza e puxou o braço para si. A moça deu-lhe as costas e andou com cautela em direção à entrada da fábrica. Furtiva, passou pela guarita vazia e se escondeu da vista das viaturas atrás de um Dodge preto. Embora não conseguisse ver o interior do automóvel na sua diagonal, só havia um policial no carro à frente, e ele estava recostado no banco. Ela sorriu. Louis examinou seus passos e depois de alguns instantes seguiu-a. Assim que ele chegou, Irène foi se deslocando para a traseira da viatura oficial. Ao iniciar mesmo caminho, Louis sentiu uma sensação desconfortante apertar seu pomo-de-adão, e preocupado com isso, esqueceu totalmente da pouca coisa que sabia ter de fazer ali.
__Irène olhou para trás para ver onde o filhote estava, frações de segundo antes de ouvir um metálico ruído no vidro da viatura. Com o canto do olho constatou que o policial no interior do veículo pulou de susto e em seguida saiu do carro, com uma pistola já apontada e destravada para o vidro do passageiro. Louis encarou-o surpreso, como se saísse de um transe, depois recolheu sua foice e preparou-a. Dois outros policiais saíram da viatura adiante, com as armas também apontadas. 'Largue a foice, camarada' disse o mais próximo. Os outros se aproximavam.
__Irène praguejou. Agora era mais um para ir buscar depois. Todos estavam reunidos, cercando o filhote, que após algumas palavras secas soltara sua arma. Ela abaixou-se ainda mais e correu para a porta arrombada, enquanto o algemavam e o atiravam no chão, dirigindo-lhe um facho de luz na sua cara. O cara maior riu de alguma coisa que o algemado dissera e retrucou, em altos brados 'De que isso me interessa? Isso não é ponto turístico, ainda mais a essa hora da madrugada'. Os outros se afastaram, enquanto o grandalhão dizia 'Então vamos fazer um interrogatório' antes de chutar-lhe a boca do estômago. Irène retirou das costas sua cimitarra e saiu da recepção apagada da fábrica, indo furtivamente para onde o ar fedia mais a coisa ruim.
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__'Você está sozinho?' rugiu o policial. Louis resmungou qualquer coisa inaudível, recebendo uma coronhada na cabeça. 'Vamos, diga o que está fazendo aqui!' Ele replicou, com a voz rascante 'Nem eu sei'. O homem deu uma gargalhada 'É o que todos dizem, não é?' Guardou a pistola no cinto, ao lado do suporte dos suspensórios, e desafivelou um envernizado porrete. Seu corpo tingia-se de vermelho esporadicamente. 'Vou lhe apresentar uma amiga, então: Esta é a Palavra' Ele acenou com o porrete. 'Em reuniões costuma-se dizer que quem está com a Palavra sempre tem razão... e o que é isso, senão uma reunião?' Louis ouviu-a silvar vindo ao seu encontro, contra o ar parado. Seus lábios se abriram num rosnado quando uma repetina escuridão (re)ofuscou-lhe a vista.
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__Irène estava terminando de subir as escadas quando ouviu gritos roucos e barulho de carne dilacerando, junto de metal amassado. Deixou escapar um sorrisinho. Já não era mais um filhote. Apressou a cadência, enquanto retirava de debaixo do poncho um braço torto enfaixado, com tufos de pêlos castanhos saindo de alguns pontos.
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21 julho 2008
shhhh....
O sorriso singelo sumia insinuando-se entre as silhuetas esguias que silenciosamente saíam de cena.
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