te ver é vertigem
pensar é miragem
se o tempo parasse
guardava essa imagem
mas ele'a-ca-bou-de-pas-sar
20 junho 2016
02 junho 2016
Ela tem passado bastante tempo nessa janela, hein, comentou Ab, se divertindo com minha minúcia em limpar o LP antes de colocar a agulha. Sentado no parapeito, ele deu seus três tragos antes de expirá-los, também em tríade.
Uhm. Um som choroso invadiu o ar.
E você anda um bocado obcecada com essa Opfer, tudo isso é ela?
Capaz. Esse cânon não pára de tocar.
Perpetuum, riu ele. Lembro-me quando ele terminou a Musikalische Opfer, sujeito interessante, ele era. Um pouco excêntrico, como nós, Pequena. Pena que não vingou muito na época. Balançou a perna três vezes e pulou para dentro.
Olhou de esguelho para a guria antes de entrar. È lontan lontano, quella.
Eh, infatti. E come risona qua dentro.
Há essas mentes que vibram na mesma frequência - sabemos disso, não?
Eccome.
Estou faminto, minha querida, vou buscar algo. Apanhou a bengala e, descerrando três vezes a porta, saiu.
É, moça. Essas pessoas não nos deixam. Levantei para fechar os vidros e a cortina e me aninhei nas almofadas, ouvindo a agulha deslizar.
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'Quem conta um conto...',
Relatos.,
sibillando
31 maio 2016
Abri as janelas e acendi o cigarro. Venta muito.
No prédio à frente há uma mulher parada diante da janela. A janela parece fechada, seus cabelos não se movem. Ela come algo de uma cuia, com palitos.
Hashi, me sussurra Ab. Aquiesço, me desvencilhando de sua lembrança.
Hashis, then.
Ela olha fixamente para algum ponto, encolhida como que fustigada pelo vento. Do lado de fora.
Dentro do seu aquário, ri Ab. Te lembra alguém?
Não me dou ao trabalho de responder.
Até as olheiras, Sib, olha ali...
Aham. Amasso a bituca e largo no parapeito. Fechando a janela para entrar, vejo-a pela última vez, imóvel, olhando para o nada.
Pior que parecia mesmo.
No prédio à frente há uma mulher parada diante da janela. A janela parece fechada, seus cabelos não se movem. Ela come algo de uma cuia, com palitos.
Hashi, me sussurra Ab. Aquiesço, me desvencilhando de sua lembrança.
Hashis, then.
Ela olha fixamente para algum ponto, encolhida como que fustigada pelo vento. Do lado de fora.
Dentro do seu aquário, ri Ab. Te lembra alguém?
Não me dou ao trabalho de responder.
Até as olheiras, Sib, olha ali...
Aham. Amasso a bituca e largo no parapeito. Fechando a janela para entrar, vejo-a pela última vez, imóvel, olhando para o nada.
Pior que parecia mesmo.
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02 maio 2016
Já não há mais coração
A cólica reprimida pelos comprimidos, a dor das amígdalas pelo ardido do gengibre mascado, a dos ouvidos pela
zabumba q'bumba esquisito
batendo dentro do peito
Mas o tempo não se deixa enganar. Ele não sai pipocando atrás dos aflitos; segue seu próprio ritmo, e deixa a gente, iludido, achando que não tem jeito, que é assim mesmo.
E as dores abafadas como o trânsito do lado de lá do vidro. Presentes. Latentes.
zabumba q'bumba esquisito
batendo dentro do peito
Mas o tempo não se deixa enganar. Ele não sai pipocando atrás dos aflitos; segue seu próprio ritmo, e deixa a gente, iludido, achando que não tem jeito, que é assim mesmo.
E as dores abafadas como o trânsito do lado de lá do vidro. Presentes. Latentes.
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Estertores
13 janeiro 2016
A intimidade estava latente,
...Sib observou, enquanto bebericava aquele café com leite metido a macchiato. Um passo em falso e o passado desabaria sobre ambos. Parte dele, ao menos.
Para ele, uma chuva de verão. Para Sibilla, outro dilúvio.
A cumplicidade estava na curva da boca, pinicando. Mas o sorriso - ah, esse foi tão somente sarcástico.
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11 janeiro 2016
SMITH, Zadie. On beauty
E será que ainda eram assim, ela se perguntou - essas garotas novas, essa nova geração? Ainda sentiam uma coisa e faziam outra? Continuavam desejando apenas serem desejadas? Continuavam sendo objetos de desejo em vez de - como diria Howard - sujeitos desejantes? (...) Ainda matando a si próprias de fome, ainda lendo revistas femininas que odeiam explicitamente as mulheres, ainda se cortando com pequenas lâminas em lugares que acham que ninguém notará, ainda fingindo orgasmos com homens de quem não gostam, ainda mentindo a todos sobre tudo.
p. 232
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Trechos
14 novembro 2015
De-lira
Enquanto grande vivência deste sábado
14, pós sexta-feira agourenta,
descobri que a morte tem cheiro
Pestilento, diria
- confesso que procurei o almiscarado que me prometeram os poemas e romances -
de cocô incontido
de ferida infecta
de ramela seca que não se permitiu tirar
de 39,4ºC.
Descobri também que
a morte é simples e direta
sem grandes rodeios:
é só dor, sofrimento
e depois mais nada
é líquido leitoso e
pi - pi - piii..
É um grande cansaço que enfim termina
uma exaustão que espasma
e petrifica.
Enfim, soube que a morte
não fecha olhos
nem permite que as orelhas os cubram
fica ali, naquela constatação inerte de que a vida continua para além;
de que a vida corre
e que a tarefa dos vivos, no fim, é a constante
e perene
despedida.
--
P.S. Acho que, por último, a morte é a limpeza dolorosa desse odor
é a espuma do sabão em pó
que esfregamos com força no cimento, para tirar os rastros
da doença
da sofferenza;
é o polimento das lembranças
(uma sistematização, talvez)
despindo-as do cheiro acre e putrefato
da dor esquelética
de quem diz "pra mim já deu"
- eu só gostaria de ter entendido.
14, pós sexta-feira agourenta,
descobri que a morte tem cheiro
Pestilento, diria
- confesso que procurei o almiscarado que me prometeram os poemas e romances -
de cocô incontido
de ferida infecta
de ramela seca que não se permitiu tirar
de 39,4ºC.
Descobri também que
a morte é simples e direta
sem grandes rodeios:
é só dor, sofrimento
e depois mais nada
é líquido leitoso e
pi - pi - piii..
É um grande cansaço que enfim termina
uma exaustão que espasma
e petrifica.
Enfim, soube que a morte
não fecha olhos
nem permite que as orelhas os cubram
fica ali, naquela constatação inerte de que a vida continua para além;
de que a vida corre
e que a tarefa dos vivos, no fim, é a constante
e perene
despedida.
--
P.S. Acho que, por último, a morte é a limpeza dolorosa desse odor
é a espuma do sabão em pó
que esfregamos com força no cimento, para tirar os rastros
da doença
da sofferenza;
é o polimento das lembranças
(uma sistematização, talvez)
despindo-as do cheiro acre e putrefato
da dor esquelética
de quem diz "pra mim já deu"
- eu só gostaria de ter entendido.
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poesia..?
08 novembro 2015
(M. C.)
Poderia escrever teu nome
70 vezes seguidas
Mas isso não espantaria
a saudade que sinto
de dizer o teu nome
entre sal e dentes
Isso em nada iria melhorar
a falta que faz teu corpo
dentro da sombra invisível
que diariamente se senta
a meu lado no restaurante
às 11h da manhã
Ou no lugar direito do automóvel
quando dirijo até a repartição
pública das finanças do estado
O tal Estado escavacado
e tão sobrevalorizado
Escrever o teu nome
repetidamente
primeiro em linhas verticais
depois horizontais
e mais tarde transversais
Como quem espera algum dia ser o vencedor
do Four in a Row
70 vezes seguidas
Mas isso não espantaria
a saudade que sinto
de dizer o teu nome
entre sal e dentes
Isso em nada iria melhorar
a falta que faz teu corpo
dentro da sombra invisível
que diariamente se senta
a meu lado no restaurante
às 11h da manhã
Ou no lugar direito do automóvel
quando dirijo até a repartição
pública das finanças do estado
O tal Estado escavacado
e tão sobrevalorizado
Escrever o teu nome
repetidamente
primeiro em linhas verticais
depois horizontais
e mais tarde transversais
Como quem espera algum dia ser o vencedor
do Four in a Row
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13 agosto 2015
Buzzati, Dino. Poema a fumetti.
Ve lo ricordate, amici?
Vocês se recordam, amigos?
Supremo bene,
O bem supremo.
non allegro, mai.
não alegre, jamais.
Perché sarebbe zero
Porque seria nulo
se mancasse nel profondo quel pensiero
se faltasse no fundo aquele pensamento
che un giorno tutto finirà.
de que um dia tudo acabará.
Sì pure nel vizio più tortuoso,
Sim, mesmo no vício mais tortuoso
per la propagazione della specie
para a propagação da espécie
la natura urgeva, ricordando
a natureza urgia, recordando
il comune destino.
o destino comum.
La carne è il paradiso
A carne é o paraíso
solo perché ciascuno lasci
só para que cada um deixe
un altro dietro a sé,
um outro atrás de si,
e così al termine
e assim, ao término
della divina congiunzione
da divina conjunção,
l’uomo si vedeva intorno
o homem via ao seu redor
la palude sterminata nel crepuscolo
o pântano ilimitado no crepúsculo
sotto la pioggia, e non anima viva
sob a chuva, e nenhuma viva alma
se non due lebbrosi laggiù in fondo.
a não ser dois leprosos lá embaixo, ao fundo.
E suonavano le maledette campane.
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10 agosto 2015
HILST, H. Cantares do sem nome e de partidas
VII
Rios de rumor: meu peito te dizendo adeus.
Aldeia é o que sou. Aldeã de conceitos
Porque me fiz tanto de ressentimentos
Que o melhor é partir. E te mandar escritos.
Rios de rumor no peito: que te viram subir
A colina de alfafas, sem éguas e sem cabras
Mas com a mulher, aquela,
Que sempre diante dela me soube tão pequena.
Sabenças? Esqueci-as. Livros? Perdi-os.
Perdi-me tanto em ti
Que quando estou contigo não sou vista
E quando estás comigo veem aquela.
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11 junho 2015
O estranho dia em que os motoristas de ônibus se tornaram cegos aos passageiros.
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Experiências,
Relatos.
15 maio 2015
no vagão
É domingo à noite, mas o vagão não está vazio. Ao contrário, há pessoas demais para um horário tão morto. Adolescentes bêbados gritando, casais de mãos dadas, senhores com jornais, músicos, viajantes solitários. Há uma mulher sentada com duas crianças. Segura-as com firmeza, e trava com os pés uma mala. Tem o rosto inchado, com manchas escurecidas que se insinuam por entre os cabelos e a pele negra. Olhos estão injetados e o maxilar travado. Fixa o nada.
Uma das crianças dorme, mais nova, sobre seu projeto de mochila. A outra, mais velha, está de pé e desligada.
Apita a chegada na estação. Os olhos da mãe entram em foco. A filha se põe alerta.
Portas abrem. Pessoas saem. Portas fecham.
Ambas relaxam, parcialmente.
'Próxima estação: ... ... Terminal Rodoviário Tietê'
A mulher sacode o filho adormecido. Um senhor ergue os olhos do jornal e bufa, em censura. Ela ignora, e coloca a criança de pé.
O trem pára e as crianças se desequilibram. Ela os puxa de volta, agarra a mala e marcha para fora.
Há tensão em seus ombros e pescoço.
'vamo logo. segura teu irmão. direito. não é pra soltar.'
'isso. agora me dá a mão. vem.'
Passam as catracas e ela agarra a mão da filha com mais força. O terminal é o mesmo formigueiro de sempre. Cheio de formigas desorientadas e enferrujadas da viagem. O cheiro é de gente.
Ela vai abrindo caminho e vai a uma guichê sonolenta. Compra duas passagens, depois de ralhar que pelo pequeno não ia pagar porcaria nenhuma.
Faltam vinte minutos.
A mulher olha ao redor, pega as crianças e vai até o caixa eletrônico. Tira todo o dinheiro que consegue e coloca no sutiã.
Descem para a plataforma. O mais novo senta em cima da mala e adormece de novo. A mais velha ajuda a mãe a preencher as passagens.
Os minutos passam aos trancos no relógio da estação. Elas analisam a plataforma.
Cinco minutos antes da partida o ônibus chega. A mulher enxota o filho e vai entregar a mala.
'cuida do teu irmão. e qualquer coisa grita'
Olha de relance a cada poucos segundos. Ela ainda está lá, segurando o braço do outro com firmeza.
Recebe o comprovante da mala e faz um gesto, eles se aproximam.
'Boa noite.' 'Boa noite.' 'Tem permissão de viagem?' 'O pai morreu' 'Tem certidão?' 'Não, moço, foi mês passado, ainda não saiu. Tem permissão de viagem antiga, serve?'
Ele hesita. 'Meus pêsames, dona'
'Que o Senhor o guarde. Posso subir?'
'Deixa eu ver a antiga pelo menos'
Ela vasculha a bolsa e entrega.
'Tudo bem. Pode subir'
'Obrigada, bom trabalho'
'Amém'
Acomoda os dois, põe o pequeno no colo e puxa a cortina.
Uma das crianças dorme, mais nova, sobre seu projeto de mochila. A outra, mais velha, está de pé e desligada.
Apita a chegada na estação. Os olhos da mãe entram em foco. A filha se põe alerta.
Portas abrem. Pessoas saem. Portas fecham.
Ambas relaxam, parcialmente.
'Próxima estação: ... ... Terminal Rodoviário Tietê'
A mulher sacode o filho adormecido. Um senhor ergue os olhos do jornal e bufa, em censura. Ela ignora, e coloca a criança de pé.
O trem pára e as crianças se desequilibram. Ela os puxa de volta, agarra a mala e marcha para fora.
Há tensão em seus ombros e pescoço.
'vamo logo. segura teu irmão. direito. não é pra soltar.'
'isso. agora me dá a mão. vem.'
Passam as catracas e ela agarra a mão da filha com mais força. O terminal é o mesmo formigueiro de sempre. Cheio de formigas desorientadas e enferrujadas da viagem. O cheiro é de gente.
Ela vai abrindo caminho e vai a uma guichê sonolenta. Compra duas passagens, depois de ralhar que pelo pequeno não ia pagar porcaria nenhuma.
Faltam vinte minutos.
A mulher olha ao redor, pega as crianças e vai até o caixa eletrônico. Tira todo o dinheiro que consegue e coloca no sutiã.
Descem para a plataforma. O mais novo senta em cima da mala e adormece de novo. A mais velha ajuda a mãe a preencher as passagens.
Os minutos passam aos trancos no relógio da estação. Elas analisam a plataforma.
Cinco minutos antes da partida o ônibus chega. A mulher enxota o filho e vai entregar a mala.
'cuida do teu irmão. e qualquer coisa grita'
Olha de relance a cada poucos segundos. Ela ainda está lá, segurando o braço do outro com firmeza.
Recebe o comprovante da mala e faz um gesto, eles se aproximam.
'Boa noite.' 'Boa noite.' 'Tem permissão de viagem?' 'O pai morreu' 'Tem certidão?' 'Não, moço, foi mês passado, ainda não saiu. Tem permissão de viagem antiga, serve?'
Ele hesita. 'Meus pêsames, dona'
'Que o Senhor o guarde. Posso subir?'
'Deixa eu ver a antiga pelo menos'
Ela vasculha a bolsa e entrega.
'Tudo bem. Pode subir'
'Obrigada, bom trabalho'
'Amém'
Acomoda os dois, põe o pequeno no colo e puxa a cortina.
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Paralelos
14 maio 2015
Escritora de tempos.
Reescreves narrativas. Sim, as próprias, as vividas. Reinventas-as, tiras umas emoções, omites uns pedaços que não cabem no teu propósito. Contas a ti mesma: foi tudo tão de repente, chegou do nada, fiquei sem reação. Fantasias as coisas passadas para chafurdar ainda mais fundo. Esqueces das tuas faltas, das tuas culpas, palavras atravessadas.
Aí um dia encontras algo escrito, da época. Teu escrito, tua narrativa. Prova irrefutável de – veja bem, não era bem assim... viste chegando, cantaste a pedra e fizeste da mesma maneira. “como a mariposa indo de encontro à lâmpada” - escreveste. Axiomático.
De sopetão tudo fica meio confuso – mas, calma, então já sabias disso? As narrativas servem para muitas coisas – para iludir, para curar, para colocar panos quentes. Há fatos que nos entalam na garganta e nos fazem sufocar.
Também te fazem reincidir, pois te esqueces. A versão revisada faz sempre mais sentido, é melhor estruturada, tem uma tese, apresenta resultados. A outra só faz trazer inquietações, dúvidas cobertas de poeira, angústias, tristezas. Cruezas. E a certeza de que és tão igual a qualquer um. Um ser humano que desconstrói. E inventa. E se justifica, para ficar de bem com a pessoa mais importante desse teu mundo – tu.
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Devaneios,
Monólogos
17 abril 2015
BEAUVOIR, S. A Mulher Desiludida: A idade da discrição
"E, súbito, o fluxo me arrasta e me arrastará até que eu tombe na morte. Tragicamente, minha vida se precipita. E, entretanto, ela se escoa neste momento com que lentidão - hora por hora, minuto por minuto! É preciso sempre esperar que o açúcar derreta, que a lembrança se apague, que a ferida cicatrize, que o sol se ponha, que o tédio se dissipe. Estranho corte entre esses dois ritmos. Meus dias me escapavam aos galopes e em cada um deles eu enlanguescia."
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