Quando estou longe
Quero ficar perto
Quando estou perto
Quero ficar dentro
Quando estou dentro
Quero ficar mudo
Quando estou mudo
Quero dizer tudo
11 março 2012
23 fevereiro 2012
Ai, se sêsse!
Se um dia nois se gostasse
Se um dia nois se queresse
Se nois dois se empareasse
Se juntin nois dois vivesse
Se juntin nois dois morasse
Se juntin nois dois drumisse
Se juntin nois dois morresse
Se pro céu nois assubisse
Mas porém acontecesse de São Pedro não abrisse
a porta do céu e fosse te dizer qualquer tulice
E se eu me arriminasse
E tu cum eu insistisse pra que eu me arresolvesse
E a minha faca puxasse
E o bucho do céu furasse
Tarvês que nois dois ficasse
Tarvês que nois dois caisse
E o céu furado arriasse e as virgi toda fugisse
Se um dia nois se queresse
Se nois dois se empareasse
Se juntin nois dois vivesse
Se juntin nois dois morasse
Se juntin nois dois drumisse
Se juntin nois dois morresse
Se pro céu nois assubisse
Mas porém acontecesse de São Pedro não abrisse
a porta do céu e fosse te dizer qualquer tulice
E se eu me arriminasse
E tu cum eu insistisse pra que eu me arresolvesse
E a minha faca puxasse
E o bucho do céu furasse
Tarvês que nois dois ficasse
Tarvês que nois dois caisse
E o céu furado arriasse e as virgi toda fugisse
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'viva la musica',
Cordel...encantado,
De Outrens,
Queridos
27 dezembro 2011
Um.
A noite é quente. Sente as costas suadas a empapar o pijama, o pijama a embeber o lençol. A cama? Sequer desfeita. O exaustor gira lenta e dolorosamente. O primo, duas camas ao lado, ressona. Os outros estão em paz. E ela ali, a suar feito garrafa fora do freezer.
Algumas ambulâncias passam. Funks correm pela avenida, também.
Passa a mão pela testa e enxuga no lençol. Vem então da janela escancarada um ruído estranho (som de lugar claro, de grandes prateleiras abarrotadas, de pessoas mal humoradas e crianças gritando e anúncios coloridos)... de carrinho de supermercado. Vem do estacionamento do prédio, o barulho de um carrinho, arrastado de um lado ao outro.
Baque-silêncio(breve, sem delongas)-movimento em fórmula cíclica, tal qual os gemidos do circulador de teto. Ela se levanta, curiosa. Se contorce até a janela, e nada vê além de um chinelo solto no meio do asfalto. Deixa o quarto, devagar para não tropeçar nos sapatos largados, cadeiras tortas e quadros imprevistos. Ela avança pelo breu, torce a chave com cuidado e sai pela porta da frente. Deixa-a destrancada. O sensor de movimento acende a luz e a cega. O elevador é sofridamente claro. Ela desce no estacionamento aberto. O céu tem o escuro desbotado das luzes da cidade. Está quente.
Há um homem empurrando o carrinho. Tem só um pé calçado, cabelos com fios prateados, entradas e uma expressão vazia. Ele vem em sua direção, sem parecer tê-la notado. Ela se desvia e ele passa com o carrinho, para bater numa parede. Baque-silêncio. Ele dá ré e ruma para outro lado. Movimento.
Baque-silêncio-movimento.
Ela o observa.
Algumas ambulâncias passam. Funks correm pela avenida, também.
Passa a mão pela testa e enxuga no lençol. Vem então da janela escancarada um ruído estranho (som de lugar claro, de grandes prateleiras abarrotadas, de pessoas mal humoradas e crianças gritando e anúncios coloridos)... de carrinho de supermercado. Vem do estacionamento do prédio, o barulho de um carrinho, arrastado de um lado ao outro.
Baque-silêncio(breve, sem delongas)-movimento em fórmula cíclica, tal qual os gemidos do circulador de teto. Ela se levanta, curiosa. Se contorce até a janela, e nada vê além de um chinelo solto no meio do asfalto. Deixa o quarto, devagar para não tropeçar nos sapatos largados, cadeiras tortas e quadros imprevistos. Ela avança pelo breu, torce a chave com cuidado e sai pela porta da frente. Deixa-a destrancada. O sensor de movimento acende a luz e a cega. O elevador é sofridamente claro. Ela desce no estacionamento aberto. O céu tem o escuro desbotado das luzes da cidade. Está quente.
Há um homem empurrando o carrinho. Tem só um pé calçado, cabelos com fios prateados, entradas e uma expressão vazia. Ele vem em sua direção, sem parecer tê-la notado. Ela se desvia e ele passa com o carrinho, para bater numa parede. Baque-silêncio. Ele dá ré e ruma para outro lado. Movimento.
Baque-silêncio-movimento.
Ela o observa.
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'Quem conta um conto...',
Estalos
23 dezembro 2011
DRUMMOND, Carlos. Cortar o tempo
Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi realmente um sujeito genial.
Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para frente tudo pode ser diferente
a que se deu o nome de ano,
foi realmente um sujeito genial.
Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para frente tudo pode ser diferente
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De Outrens,
poesia..?
13 dezembro 2011
...enquanto os patos vão pro sul
Soa egocêntrico, é egocêntrico - afinal, hipocrisias à parte, quem não é?
É curiosa essa sensação de migrante; e convenhamos, não é como se eu fosse o estereótipo, de mala e cuia para um mundo novo. Meu "mundo novo" se localiza a cem quilômetros de distância do "mundo velho" (se muito), e as interpenetrações desses mundos são muitas e frequentemente contínuas. Mesmo assim, surge esse negocinho estranho - essa aura de não-pertencimento a nenhum dos mundos, de deslocamento tanto aqui quanto ali. É um mal-estar de existir e de ter uma parte da sua história sem relação com o lugar onde se encontra - semelhante a ter um pedaço de si que não pertence àquele ambiente.
Refinando um pouco mais essa 'síndrome do migrante' é muito parecida - se não igual - àquele ranço de ver o tempo passando, de ver as coisas mudando: árvores de infância derrubadas, prédios no lugar de outros prédios, ruas que mudam de mão, pessoas que transformam em algo que você deixa de entender. É a síndrome de quero-que-o-mundo-fique-como-está, e que nada, nem ninguém, mude. É a dicotomia - pensando em um texto que li hoje - "[de se incomodar] com a intransigência da não repetição e com a intransigência da expectativa de repetição."
É curiosa essa sensação de migrante; e convenhamos, não é como se eu fosse o estereótipo, de mala e cuia para um mundo novo. Meu "mundo novo" se localiza a cem quilômetros de distância do "mundo velho" (se muito), e as interpenetrações desses mundos são muitas e frequentemente contínuas. Mesmo assim, surge esse negocinho estranho - essa aura de não-pertencimento a nenhum dos mundos, de deslocamento tanto aqui quanto ali. É um mal-estar de existir e de ter uma parte da sua história sem relação com o lugar onde se encontra - semelhante a ter um pedaço de si que não pertence àquele ambiente.
Refinando um pouco mais essa 'síndrome do migrante' é muito parecida - se não igual - àquele ranço de ver o tempo passando, de ver as coisas mudando: árvores de infância derrubadas, prédios no lugar de outros prédios, ruas que mudam de mão, pessoas que transformam em algo que você deixa de entender. É a síndrome de quero-que-o-mundo-fique-como-está, e que nada, nem ninguém, mude. É a dicotomia - pensando em um texto que li hoje - "[de se incomodar] com a intransigência da não repetição e com a intransigência da expectativa de repetição."
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'viva la musica',
Citações,
Devaneios,
Paralelos
23 novembro 2011
BRECHT, Bertold. O escravo de seus fins.
O sr. K. fez as seguintes perguntas:
"Toda manhã meu vizinho ouve música no gramofone. Por que ele ouve música? Porque faz ginástica, eu soube. Por que faz ginástica? Porque precisa ter força, dizem. Para que precisa ter força? Para derrotar seus inimigos na cidade, diz ele. Por que tem que derrotar seus inimigos? Porque quer comer, eu soube".
Depois de saber que seu vizinho ouvia música para fazer ginástica, fazia ginástica para ser forte, queria ser forte para matar seus inimigos, matava seus inimigos para comer, ele fez a sua pergunta: "Por que ele come?".
"Toda manhã meu vizinho ouve música no gramofone. Por que ele ouve música? Porque faz ginástica, eu soube. Por que faz ginástica? Porque precisa ter força, dizem. Para que precisa ter força? Para derrotar seus inimigos na cidade, diz ele. Por que tem que derrotar seus inimigos? Porque quer comer, eu soube".
Depois de saber que seu vizinho ouvia música para fazer ginástica, fazia ginástica para ser forte, queria ser forte para matar seus inimigos, matava seus inimigos para comer, ele fez a sua pergunta: "Por que ele come?".
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De Outrens,
little ones
19 novembro 2011
às vezes
é tão difícil viver. Não por excesso de problemas, não por conspiração do mundo, por nada disso. Parece que a minha força motriz se esgotou, e todas as ações são - não penosas, porque não infligem dor - difíceis. Parece que a inércia não pode jamais ser vencida. E veja, não é preguiça, é falta de motivação, de disposição de sair da rede e viver. Viver nos sentidos mais primários - interagir, comer, banhar-se, rir, chorar, cagar, mover-se.
A vontade é entrar em estado catatônico, porque o sono não vem mais.
E essas vezes têm sido frequentes demais.
A vontade é entrar em estado catatônico, porque o sono não vem mais.
E essas vezes têm sido frequentes demais.
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Estertores,
Monólogos,
Relatos.
06 novembro 2011
É humilhante,
mas a verdade é que é necessário desconfiar do homem, é preciso temê-lo e até mesmo... odiá-lo. O homem está dividido. Seria bom amar, apenas, mas como consegui-lo? Como perdoar àquele que se precipita sobre nós como um animal selvagem, que não reconhecce em nós uma alma viva e que massacra com socos a nossa cara de homens? É impossível perdoar.
Gorki, Máximo. A Mãe.
Gorki, Máximo. A Mãe.
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De Outrens,
Trechos
12 outubro 2011
10 outubro 2011
Sonhei que andava no jardim de uma embaixada, com bem-cuidados gramados, arbustos com formas geométricas e aquele ar de casa aristocrática de campo. Ao deitar-me ali, notei que o céu tinha riscos escuros e serpenteantes, como um afresco velho e rachado.
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Quiméricos
29 agosto 2011
Paulo
és maltrapilho
insanto estuprado
cujo altar jaz entre lixos e fedores;
foste esquecido pelos religiosos
agora veneradores de outros santos
e que correm atrás da vida impecável
(ainda que pestilenta e oca);
és venerado tão somente pelos in-sãos, abandonados pelas sarjetas
aos seus cuidados de enfermo.
És santo moderno
martirizado pelo câncer de suas células indiferentes
(não revoltosas, não subversivas - não lhes falte com respeito)
que lhe cruzam o corpo purulento em agoniante pressa,
buscando
coletando a mais nova deidade
para adicionar ao seu catálogo indivirtual.
insanto estuprado
cujo altar jaz entre lixos e fedores;
foste esquecido pelos religiosos
agora veneradores de outros santos
e que correm atrás da vida impecável
(ainda que pestilenta e oca);
és venerado tão somente pelos in-sãos, abandonados pelas sarjetas
aos seus cuidados de enfermo.
És santo moderno
martirizado pelo câncer de suas células indiferentes
(não revoltosas, não subversivas - não lhes falte com respeito)
que lhe cruzam o corpo purulento em agoniante pressa,
buscando
coletando a mais nova deidade
para adicionar ao seu catálogo indivirtual.
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Espremidos,
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poesia..?
16 agosto 2011
inquinamento dei sensi
dessa mão que te esmaga o peito expulsa teu ar e só te concede arfadas barulhentas
dessa mão que te impõe medo de qualquer movimento novo e te conduz pelos mesmos descaminhos
dessa mão que te imerge no fedor rançoso deste aqui-agora
dessa mão não gostas. sufoca-te.
dessa mão tens repulsa. e dessa mão não escapas.
dessa mão que te impõe medo de qualquer movimento novo e te conduz pelos mesmos descaminhos
dessa mão que te imerge no fedor rançoso deste aqui-agora
dessa mão não gostas. sufoca-te.
dessa mão tens repulsa. e dessa mão não escapas.
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poesia..?
15 agosto 2011
-
liberdades estranhas
entranhas convulsivas
declarações corrosivas
- abrindo caminho por entre gengivas
que sangram -
que infectam e putrefazem
outrens.
entranhas convulsivas
declarações corrosivas
- abrindo caminho por entre gengivas
que sangram -
que infectam e putrefazem
outrens.
31 julho 2011
Era seduta sul divano e pensava. La stanza era buia e la luce di un altro edificio la dipingeva tutta di blu. Stringeva le mascelle inconsciamente e sempre più forte, fino che percepiva e di subito le rilassava. Ascoltava i suoi organi funzionare mentre cercava di scordare quella messa che aveva saltato di tra quei ricordi antichi, da molto sepolti.
Ma la messa non la lasciava stare, anzi, suonava nella sua mente con tutte le forze, fragorosa, impetuosa. Aveva provato iniziare il suo MP4 – era scaricato; aveva cercato quelle musiche infernali (anche se questa non sarebbe la parola proprio giusta) in internet, senza risultati.
Era un po' impacciata, ed un bel tanto confusa. Stava lì, ferma, sola, a stringere le mascelle.
Ma la messa non la lasciava stare, anzi, suonava nella sua mente con tutte le forze, fragorosa, impetuosa. Aveva provato iniziare il suo MP4 – era scaricato; aveva cercato quelle musiche infernali (anche se questa non sarebbe la parola proprio giusta) in internet, senza risultati.
Era un po' impacciata, ed un bel tanto confusa. Stava lì, ferma, sola, a stringere le mascelle.
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