15 outubro 2009

MinutoMetragem

Situações cinematográficas que acontecem por aí. Pequenas. Comuns ou exóticas. Elas existem, o tempo inteiro.
Obs.: Os personagens não têm necessariamente a ver comigo.


Teto de um ginásio de alumínio. Borrões vermelhos e brancos se deslocam pela superfície metálica. Sons de gritos, ecos, barulho de gente e bola correndo vão surgindo num crescendo até o volume habitual.

Voz em off (abafada) - P1: ...são essas pessoas que vão ser a elite da nossa sociedade em dez, quinze anos; a elite adepta ao PIG, como os pais, todos repugnantes. Eles vão estar basicamente iguais, com os mesmos planos mesquinhos para o fim de semana, com as mesmas brincadeiras. Estúpidas. Agressivas. Neofascistas...
Voz masculina se destaca da gritaria: Ô Bu(n)da!..

P1 se cala.

P1 (normal, não mais abafada), hesitante:
Buda..?

Imagem desce para os jogadores, ângulo da câmera como uma pessoa deitada na arquibancada. Risada em off (de P2).

P2 em off (rindo):
O quê? Buda?
P1 em off: Alguém falou Buda?

Câmera se movimenta e endireita.

P2 em off:
Deve ter sido Bunda.

Garoto gordo do time escorrega no piso molhado de suor e cai. Caçoam dele, do Bunda.

P1 em off:
Ah... (Silêncio. Câmera deita de novo e aponta para o teto) que calor...
Vozes vão esvanecendo e pálpebras vão se fechando enquanto P1 resmunga
P1 em off (abafada): Buda? Esses imbecis não sabem o que é Buda, devem achar que budismo hinduísmo fenshui é tudo a mesma coisa. Bando de ignorantes, os anabolizantes devem ter explodido os neurônios deles... digo, só deve ter sobrado o Tico e o Teco, com um mataburro entre eles...

09 outubro 2009

(Drummond)

A bomba
é uma flor de pânico apavorando os floricultores
A bomba
é o produto quintessente de um laboratório falido
A bomba
é estúpida é ferotriste é cheia de rocamboles
A bomba
é grotesca de tão metuenda e coça a perna
A bomba
dorme no domingo até que os morcegos esvoacem
A bomba
não tem preço não tem lugar não tem domicílio
A bomba
amanhã promete ser melhorzinha mas esquece
A bomba
não está no fundo do cofre, está principalmente onde não está
A bomba
mente e sorri sem dente
A bomba
vai a todas as conferências e senta-se de todos os lados
A bomba
é redonda que nem mesa redonda, e quadrada
A bomba
tem horas que sente falta de outra para cruzar
A bomba
multiplica-se em ações ao portador e portadores sem ação
A bomba
chora nas noites de chuva, enrodilha-se nas chaminés
A bomba
faz week-end na Semana Santa
A bomba
tem 50 megatons de algidez por 85 de ignomínia
A bomba
industrializou as térmites convertendo-as em balísticos
interplanetários
A bomba
sofre de hérnia estranguladora, de amnésia, de mononucleose,
de verborréia
A bomba
não é séria, é conspicuamente tediosa
A bomba
envenena as crianças antes que comece a nascer
A bomba
continua a envenená-las no curso da vida
A bomba
respeita os poderes espirituais, os temporais e os tais
A bomba
pula de um lado para outro gritando: eu sou a bomba
A bomba
é um cisco no olho da vida, e não sai
A bomba
é uma inflamação no ventre da primavera
A bomba
tem a seu serviço música estereofônica e mil valetes de ouro,
cobalto e ferro além da comparsaria
A bomba
tem supermercado circo biblioteca esquadrilha de mísseis, etc.
A bomba
não admite que ninguém acorde sem motivo grave
A bomba
quer é manter acordados nervosos e sãos, atletas e paralíticos
A bomba
mata só de pensarem que vem aí para matar
A bomba
dobra todas as línguas à sua turva sintaxe
A bomba
saboreia a morte com marshmallow
A bomba
arrota impostura e prosopéia política
A bomba
cria leopardos no quintal, eventualmente no living
A bomba
é podre
A bomba
gostaria de ter remorso para justificar-se mas isso lhe é vedado
A bomba
pediu ao Diabo que a batizasse e a Deus que lhe validasse o batismo
A bomba
declare-se balança de justiça arca de amor arcanjo de fraternidade
A bomba
tem um clube fechadíssimo
A bomba
pondera com olho neocrítico o Prêmio Nobel
A bomba
é russamenricanenglish mas agradam-lhe eflúvios de Paris
A bomba
oferece de bandeja de urânio puro, a título de bonificação, átomos
de paz
A bomba
não terá trabalho com as artes visuais, concretas ou tachistas
A bomba
desenha sinais de trânsito ultreletrônicos para proteger
velhos e criancinhas
A bomba
não admite que ninguém se dê ao luxo de morrer de câncer
A bomba
é câncer
A bomba
vai à Lua, assovia e volta
A bomba
reduz neutros e neutrinos, e abana-se com o leque da reação
em cadeia
A bomba
está abusando da glória de ser bomba
A bomba
não sabe quando, onde e porque vai explodir, mas preliba
o instante inefável
A bomba
fede
A bomba
é vigiada por sentinelas pávidas em torreões de cartolina
A bomba
com ser uma besta confusa dá tempo ao homem para que se salve
A bomba
não destruirá a vida
O homem
(tenho esperança) liquidará a bomba.

27 setembro 2009

Maschera (3)

__Era final de tarde; os pequenos explosivos caseiros atritavam dentro do saco plástico, as ruas estavam apinhadas de pessoas paradas, pessoas andando e pessoas correndo para o semáforo que fechava. Ninguém reparava no homem com sacolas de supermercado, no homem sem cicatrizes, de semblante tranquilo, mas animado (como se andasse a um piquenique). Foi desacelerando o passo conforme se aproximava de uma estação de transmissão elétrica. As torres de alta tensão zumbiam como besouros, altas e desafiadoras contra o céu anil. Incautas cercas separavam a estação da calçada, como o homem havia observado anteriormente. Com um ar distraído, ele foi andando, a recolher do interior da sacola pequenas bolotas do tamanho de nozes interligadas entre si. Ele fez um rolo com os explosivos, amarrou-os com o próprio fio, apertou um botão em uma das bolotas e os atirou através da cerca. Virou-se para correr, mas deu um bruto encontrão em um homem enorme e mal humorado, que grunhiu feito um animal e agarrou-o, rosnando algo que os ouvidos do homem não podiam compreender. Ele tentou desvencilhar-se, em vão; o brutamontes irritou-se mais e começou a rugir com ele; saliva se desprendia da sua boca e respingava no rosto sem cicatrizes. A animosidade das belas feições do homem – ou seria do arlequim? - foi cedendo espaço ao pânico crescente; quem sem demora logo pôs-se a segurar a sacola (com ainda algumas carreiras de explosivos) com mais força e brandiu-a contra o rosto de seu antagonista. Como o ansiado, o aperto afrouxou, o homem soltou-se e, a cambalear para trás, aproveitou a ocasião para atirar a sacola inteira pela cerca; em seguida atravessou a rua feito alucinado, o rosto lívido de desespero. Com um buzinar e um guincho furioso de freio, o homem foi atropelado e lançado longe. Ao encalço do carro veio a explosão.

_

__O médico encarava o paciente adormecido, a franzir o cenho; olhava as queimaduras espalhadas pelo corpo, as costelas quebradas, o joelho esmigalhado com um quê de exasperação. Prosseguiam as investigações sobre o indivíduo, acusado de explodir e incendiar vários pontos da cidade nas semanas anteriores. Sua identificação estava em cima da escrivaninha, mas o homem não parecia se recordar dela – vejam só, respondia somente por “Arlecchino”! Todas as vezes em que acordara – segundo a enfermeira – indagava em voz esmorecida onde estava, e assombrava-se em não se encontrar em Veneza. Perguntava então de seus trajes e repetia o que afirmava ter sido seu último incêndio – em que pulara na água depois de explodir um ônibus-aquático, apinhado de gente. Dizia ter sido atropelado por um outro barco e perdera então os sentidos. Confessava tudo com um ar meio insensato. O neurologista ainda não viera checar o paciente, como observou o médico com irritação. Poderia ser traumatismo craniano – cogitou ele, perscrutando aquele rosto desfigurado mas comum mais de perto. Ou talvez só mais um esquizofrênico, como cansaram de anunciar os noticiários. O médico deu de ombros e passou para o próximo leito.

Maschera (2)

__Com o sobretudo ligeiramente chamuscado nas mangas, ele saiu do beco, sentindo atrás de si um cheiro forte de plástico queimado. Embora tivesse tido dificuldades de atear fogo no lixo ainda molhado pela chuva, seu rosto exibia um sorriso satisfeito. O homem rumou para a padaria para tomar um café com leite; pelas poucas pessoas por quem passava, ninguém parecia dirigir um segundo olhar ao seu rosto pintado.
__Três horas mais tarde, via-se um homem de belas feições a fumar preguiçosamente em um dos bancos do parque municipal; com uma das mãos entretia-se com seu isqueiro. Uma criança corria esbaforida atrás de meia dúzia de pombos, que arrulhavam e se dispersavam em todas as direções; um deles pousou a pouco centímetros dos sapatos do homem, chamando sua atenção. Ele desviou o olhar hipnotizado do isqueiro para observar a ave. O colar furta-cor do pássaro reluziu sob o céu encoberto, e os olhos do homem faiscaram, ávidos.
__Em poucos momentos, o trecho do parque ficou vazio e o homem acocorou-se e pôs-se a atear fogo na cauda dos pombos com uma expressão de puro deleite no rosto; alguns deles de tanto contorcionismo tiveram suas asas em chamas e em pouco tempo se tornaram pequenas bolas de fogo cambaleantes.
__Tendo retornado ao apartamento, foi tomar um banho. Ao apanhar a gilete para fazer a barba – por força do hábito – percebeu, defronte ao espelho enevoado, que não tinha mais barba. Tampouco tinha os losangos coloridos desenhados no rosto; somente estavam lá os seus contornos, como que feitos à caneta. O formato da máscara, entretanto, mantinha-se lá, a suavizar seus traços, a torná-los andróginos.

_

__Um homem estava sentado em uma lanchonete a assistir o noticiário. Ali exibiam a tentativa dos bombeiros de controlar chamas da explosão de um posto de gasolina, cuja causa ainda não havia sido esclarecida. Um sorriso sardônico se insinuava pelos lábios deste homem, que segurava a xícara com ambas as mãos, cobertas de queimaduras. Aberto embaixo do pires havia um mapa da cidade, repleto de anotações. Alguns poucos pontos estavam assinalados de vermelho, a maioria de preto; ele pegou uma caneta e pintou com capricho um deles, enegrecendo um sítio marcado de vermelho. No vidro bem polido da janela via-se o reflexo de seu rosto – belo como uma obra de Buonarrotti, mas com cicatrizes de algo que lembravam losangos; estas, todavia, pareciam afinar ininterruptamente, como se submergissem na pele a sumir de vista – em poucos instantes elas haviam desaparecido. O homem recolheu suas coisas e levantou-se para pagar a conta.

26 setembro 2009

Maschera

__Ela o chamara de vazio e oco enquanto chutava suas malas para fora do apartamento, em seguida fechara a porta; ele então permanecera com sua expressão impassível, fumando os cigarros baratos de menta e jogando as cinzas pela janela aberta. O apartamento ficara vazio, como ele. E agora, naquela chuva fina a empapar-lhe os cabelos, ele andava. Se abrigou embaixo de um toldo vermelho, meio velho, e dirigiu um olhar desinteressado para dentro da vidraça. Era um sebo. E dentro do sebo havia uma máscara.
__O sino da porta anunciou a sua saída meia hora depois. Debaixo de seu braço havia um saco plástico, com aquela máscara e um livro, já que o velho cismara de não vender a máscara à parte. A chuva convenientemente parara, e o homem se aventurou por entre as poças, a caminho do apartamento abandonado. Ao chegar pendurou-a logo acima do espelho rachado da sala. Ela observava de cima aquela vagueza de matéria e de espírito com uma expressão indiscernível. O homem a contemplou por algum tempo, imerso naquela fisionomia tão magnética; em seguida foi à cozinha, preparou um miojo e levou a panela para a sala. Sentou-se na poltrona – que gemeu dolorosamente – e apanhou o livro com a mão livre.
__A noite chegara e já começara a se dissipar com os primeiros raios de sol quando ele finalmente o colocou de lado. A imagem vívida do arlequim mantinha-se em sua mente – sua prática piromaníaca escondida pelos trajes, confeccionados por ele para tais ocasiões – entre pombos, gôndolas e águas venezianas, onde encontrara seu mísero fim, morto por um barco qualquer. Ele olhou-se no espelho, para a sua aparência apagada (os olhos inexpressivos, o rosto comum, a barba por fazer, o jeans manchado e a camisa amassada), tão semelhante a todos os outros que andavam pelo mundo; e acima do espelho estava a máscara, belíssima em sua androginia, atravessada por losangos coloridos. Ela parecia violentá-lo com aqueles olhos sem órbita de uma maneira tão impactante que o homem se pôs de pé e em poucos passos pegou-a nas mãos. Manuseou-a de um jeito automático e meio entorpecido, como se estivesse refletindo sobre um assunto muito sério. Em um dado momento a máscara escorregou de suas mãos, e no ímpeto de salvá-la da queda, o homem apanhou-a e encaixou-a no rosto. Em sua mão ela parecera menor, mas ao encarar-se no espelho percebeu que ela se adequava perfeitamente à sua face de um jeito quase surreal. Não parecia ela mais uma camada de seu rosto, aqueles traços – bem mais suaves que os seus – tinham se sobreposto ao seu rosto de uma forma tão sutil que ele parecia não ter coisa alguma em seu rosto exceto tinta; sem máscara, sem nada, só uma tinta carnavalesca sobre a pele.
__Estava devidamente fantasiado, pensou ele então, com um quê de divertimento. Flexionou as mãos gélidas como se estivesse a reexperimentar seu próprio corpo. Foi até a janela e escancarou-a, colocando a cabeça para fora a observar a rua. Pouca gente passava por ali, alguns ainda trôpegos de sono. O caminhão de lixo reciclável passaria em poucas horas, deixando à sua espera um amontoado de tralhas no beco ao lado de seu prédio. Um impulso o incendiou de tal forma que ele deixou a janela.

14 setembro 2009

Placebo.

Tu mentes para si mesma, na maior cara dura. Conscientemente. Não te convences, mas serve de efeito placebo. É bem contraditório, tu admites. Ages como se acreditasses no que afirmas, mas no fundo - na real, nem tão no fundo assim - sabes que o que é não é. Crias uma imagem que sabes que não é real, mas não é tão distante de ti quanto parece. É como na física: depois de fazer um monte de aproximações para chegar facilitar a conta, a gente acaba num resultado consideravelmente diferente.

"It's been a long time now since I've seen you smile"

10 setembro 2009

Conjuguemos.

Eu corro
tu corres
ele corre
nós corremos
vós correis
eles correm.

corremos todos.
(cansada estou)

22 agosto 2009

Seaside.

But I'm just trying to love you in any kind of way; but I find it hard to love you, girl, when you're far away

11 agosto 2009

três;

' Quando você for inspirar, faça-o até o ar chegar ao pé' ela disse, disfarçando com delicadeza a impaciência que a rondava. 'Como se o ar fosse ser armazenado lá, também, como se você fosse voar'.
Alice fechou as pálpebras enquanto o fez, as narinas a dilatar-se silenciosas, as costelas inflando-se como um balão, a pélvis a segurar-lhe o ar que tramava de escapar-lhe, rindo como criança marota. Ele foi descendo, disseminando-se dentro de seu corpo de fantasia, explorando os vãos entre as células, até que enfim ele chegou ao pé. Os olhos se abriram, extáticos, relampejando triunfo.

É. Extáticos era bem a palavra. Não era ar que a impelia senão seus músculos retesados. A voz de sua professora não era nada senão um eco longínquo em sua mente, deteriorada e distorcida pelas mãos firmes e mornas que lhe subiam pelas coxas, com as costas roçando entre si. Alice fechou os olhos de novo e tenaziou o que pôde primeiro distinguir pelo tatear: sua ovelha de pelúcia. Estava a levantar vôo, e não deixaria para trás sua nuvem particular.

04 agosto 2009

[o acaso entregou] Alguém pra lhe dizer o que qualquer dirá

Parece que o amor chegou aí
Eu não estava lá, mas eu vi...

30 julho 2009

I know it doesn't seem so,

but I know what to wait for, and what I'm seeking out. (:
Trust me, I really do.

23 julho 2009

Obnubilados.

__Meus olhos doem. Não sei se é porque tento enxergar o que está além de mim, ou se porque ele não quer ver o que nos traz a maré. Talvez seja pelas minhas tentativas de enxergar o que não posso (ou não deveria) ver com os olhos.
__Meus olhos doem. Confesso que, na verdade, é um só que dói. Dói daquele jeito cansado, latejante, tão insistente quanto um cachorro com fome. O que dói é o lado direito, o meu lado mais descontrolado, mais irracional. Ele dói como se algo o empurrasse para fora; como se minha cabeça estivesse inchando de um lado só.
__Pronto, agora meus dois olhos doem. O outro se uniu solidariamente, dando um tímido apoio. Minha cabeça também dói agora. A parte de trás.
__É tudo uma dor de espera, de cansaço, de entorpecimento. A dor se infiltra nos órgãos e desce como um doce véu; ela avança, puxada pela gravidade. Chega ao estômago, o corrói por completo e faz o que deveria ser o coração inchar. De dor, de aflição e de impotência. Ele incha e comprime seus vizinhos, e empurra a dor para baixo.
Meus olhos não param de doer.

19 julho 2009

Clap-ton

Clap. Clap. Clap.
A shy noise came from the gate, sounds of hands clapping, anxiously waiting. He looked through the window. The house was dark, although she knew he was standing there, peering at her with his distant eyes.
Clap. Clap. Clap.
The rain pattered the glass, smothering those stubborn clapping hands. They weren’t stubborn, actually, he thought, almost desperate, afflicted, but not stubborn at all. They could be stubborn in other subjects, fleshy ones.
Clap. Clap. Clap.
She wasn’t like that, he considered, and, thinking deeply, she had never been like that. What was she doing, soaked and trembling and clapping?
He stayed, she remained.
Clap. Clap.
Clap.
And then she stopped. Suddenly. Utterly. She stopped as she never clapped there; as a stranger; as someone else. She took her huge bag from her back and dug around it until she found a little white stick. She peeped discreetly and went to the other side of the street. There lay a stately bricked wall, wet by those endless teardrops. She threw her bag away at the sidewalk and began to write something.
Oh, that’s a chalk, he concluded.
The rain cleaned her writing in a few moments, but he could see her strong handwriting fading away with two verses. And then she clapped again, at the other side of the street.
‘And will we cry in passion or will we cry in pain?’
Clap. Clap.
‘And will our lonely teardrops fill the world with rain?’
And then he understood. He looked his dark house, and heard the other Her snoring in the room. He sighed, and went to the window. He didn’t looked at her face, just breathed near the glass, making blurry stains and writing a slow ‘in pain’, backwards.
He left the window and went to bed.

16 julho 2009

Mr. T

"Hey! Mr. Tambourine Man, play a song for me,
I'm not sleepy and there is no place I'm going to.
Hey! Mr. Tambourine Man, play a song for me,
In the jingle jangle morning I'll come followin' you.

Though I know that evenin's empire has returned into sand,
Vanished from my hand,
Left me blindly here to stand but still not sleeping.
My weariness amazes me, I'm branded on my feet,
I have no one to meet
And the ancient empty street's too dead for dreaming."

06 julho 2009

Balacl...

"And there isn't no going back
And it's wrong wrong wrong
But we'll do it anyway cause we love a bit of trouble"