but I know what to wait for, and what I'm seeking out. (:
Trust me, I really do.
30 julho 2009
23 julho 2009
Obnubilados.
__Meus olhos doem. Não sei se é porque tento enxergar o que está além de mim, ou se porque ele não quer ver o que nos traz a maré. Talvez seja pelas minhas tentativas de enxergar o que não posso (ou não deveria) ver com os olhos.
__Meus olhos doem. Confesso que, na verdade, é um só que dói. Dói daquele jeito cansado, latejante, tão insistente quanto um cachorro com fome. O que dói é o lado direito, o meu lado mais descontrolado, mais irracional. Ele dói como se algo o empurrasse para fora; como se minha cabeça estivesse inchando de um lado só.
__Pronto, agora meus dois olhos doem. O outro se uniu solidariamente, dando um tímido apoio. Minha cabeça também dói agora. A parte de trás.
__É tudo uma dor de espera, de cansaço, de entorpecimento. A dor se infiltra nos órgãos e desce como um doce véu; ela avança, puxada pela gravidade. Chega ao estômago, o corrói por completo e faz o que deveria ser o coração inchar. De dor, de aflição e de impotência. Ele incha e comprime seus vizinhos, e empurra a dor para baixo.
Meus olhos não param de doer.
__Meus olhos doem. Confesso que, na verdade, é um só que dói. Dói daquele jeito cansado, latejante, tão insistente quanto um cachorro com fome. O que dói é o lado direito, o meu lado mais descontrolado, mais irracional. Ele dói como se algo o empurrasse para fora; como se minha cabeça estivesse inchando de um lado só.
__Pronto, agora meus dois olhos doem. O outro se uniu solidariamente, dando um tímido apoio. Minha cabeça também dói agora. A parte de trás.
__É tudo uma dor de espera, de cansaço, de entorpecimento. A dor se infiltra nos órgãos e desce como um doce véu; ela avança, puxada pela gravidade. Chega ao estômago, o corrói por completo e faz o que deveria ser o coração inchar. De dor, de aflição e de impotência. Ele incha e comprime seus vizinhos, e empurra a dor para baixo.
Meus olhos não param de doer.
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19 julho 2009
Clap-ton
Clap. Clap. Clap.
A shy noise came from the gate, sounds of hands clapping, anxiously waiting. He looked through the window. The house was dark, although she knew he was standing there, peering at her with his distant eyes.
Clap. Clap. Clap.
The rain pattered the glass, smothering those stubborn clapping hands. They weren’t stubborn, actually, he thought, almost desperate, afflicted, but not stubborn at all. They could be stubborn in other subjects, fleshy ones.
Clap. Clap. Clap.
She wasn’t like that, he considered, and, thinking deeply, she had never been like that. What was she doing, soaked and trembling and clapping?
He stayed, she remained.
Clap. Clap.
Clap.
And then she stopped. Suddenly. Utterly. She stopped as she never clapped there; as a stranger; as someone else. She took her huge bag from her back and dug around it until she found a little white stick. She peeped discreetly and went to the other side of the street. There lay a stately bricked wall, wet by those endless teardrops. She threw her bag away at the sidewalk and began to write something.
Oh, that’s a chalk, he concluded.
The rain cleaned her writing in a few moments, but he could see her strong handwriting fading away with two verses. And then she clapped again, at the other side of the street.
‘And will we cry in passion or will we cry in pain?’
Clap. Clap.
‘And will our lonely teardrops fill the world with rain?’
And then he understood. He looked his dark house, and heard the other Her snoring in the room. He sighed, and went to the window. He didn’t looked at her face, just breathed near the glass, making blurry stains and writing a slow ‘in pain’, backwards.
He left the window and went to bed.
A shy noise came from the gate, sounds of hands clapping, anxiously waiting. He looked through the window. The house was dark, although she knew he was standing there, peering at her with his distant eyes.
Clap. Clap. Clap.
The rain pattered the glass, smothering those stubborn clapping hands. They weren’t stubborn, actually, he thought, almost desperate, afflicted, but not stubborn at all. They could be stubborn in other subjects, fleshy ones.
Clap. Clap. Clap.
She wasn’t like that, he considered, and, thinking deeply, she had never been like that. What was she doing, soaked and trembling and clapping?
He stayed, she remained.
Clap. Clap.
Clap.
And then she stopped. Suddenly. Utterly. She stopped as she never clapped there; as a stranger; as someone else. She took her huge bag from her back and dug around it until she found a little white stick. She peeped discreetly and went to the other side of the street. There lay a stately bricked wall, wet by those endless teardrops. She threw her bag away at the sidewalk and began to write something.
Oh, that’s a chalk, he concluded.
The rain cleaned her writing in a few moments, but he could see her strong handwriting fading away with two verses. And then she clapped again, at the other side of the street.
‘And will we cry in passion or will we cry in pain?’
Clap. Clap.
‘And will our lonely teardrops fill the world with rain?’
And then he understood. He looked his dark house, and heard the other Her snoring in the room. He sighed, and went to the window. He didn’t looked at her face, just breathed near the glass, making blurry stains and writing a slow ‘in pain’, backwards.
He left the window and went to bed.
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16 julho 2009
Mr. T
"Hey! Mr. Tambourine Man, play a song for me,
I'm not sleepy and there is no place I'm going to.
Hey! Mr. Tambourine Man, play a song for me,
In the jingle jangle morning I'll come followin' you.
Though I know that evenin's empire has returned into sand,
Vanished from my hand,
Left me blindly here to stand but still not sleeping.
My weariness amazes me, I'm branded on my feet,
I have no one to meet
And the ancient empty street's too dead for dreaming."
I'm not sleepy and there is no place I'm going to.
Hey! Mr. Tambourine Man, play a song for me,
In the jingle jangle morning I'll come followin' you.
Though I know that evenin's empire has returned into sand,
Vanished from my hand,
Left me blindly here to stand but still not sleeping.
My weariness amazes me, I'm branded on my feet,
I have no one to meet
And the ancient empty street's too dead for dreaming."
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06 julho 2009
Balacl...
"And there isn't no going back
And it's wrong wrong wrong
But we'll do it anyway cause we love a bit of trouble"
And it's wrong wrong wrong
But we'll do it anyway cause we love a bit of trouble"
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27 junho 2009
picture that.
Há alguém nu em um ambiente claro tentando maquinalmente retirar de sua pele algo que escorre; algo que escorre de seus ouvidos, de seus olhos e cobre seu corpo. É um líquido translúcido, meio viscoso que parece ter imagens em seu interiro distorcidas pela reflexão da luz. Do líquido parece vazar um som indistinto, como várias pessoas murmurando ao mesmo tempo. Esse alguém tem a expressão de entorpecimento, os olhos vidrados, vazios, a boca entreaberta. Suas mãos estão enegrecidas, manchadas de símbolos, desenhos e esquemas. Setas sobem-lhe pelo antebraço; agulhas de acupuntura estão espetadas pelo corpo, algumas tombadas pelo líquido que escorre vagarosamente.
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25 junho 2009
Eclipse solar.
É como se eu estivesse com aqueles negativos para proteger os olhos do sol na hora de ver um eclipse: a luz é mais tolerável para ver, mas o mundo fica mais escuro, marrom e feio. Os defeitos e os problemas saltam a vista, e até então eles eram ofuscados pela claridade.
E eu chafurdo na indignação, e no inconformismo puramente teórico.
E eu chafurdo na indignação, e no inconformismo puramente teórico.
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15 junho 2009
...felicidade sim.
__Minha tristeza se parece com alguém se afogando; é como se ela tentasse subir a superfície, naquela ânsia desesperada contra um carrasco distraído - assim que vem a tona eu a empurro de volta, com aquele nó a rasgar a garganta e a contrariar a gravidade, querendo sair pela boca.
__Minha tristeza é mais fiel do que Romeu para Julieta. Ela retorna, me abraça, me engloba e me consome. Me estupra até, quando eu tento afogá-la demais.
__Minha tristeza é como vômito. Nunca vem, acontece e pára. Ela vem, acontece, reacontece, repete, dá bis, tris e sei lá mais o quê; até você ter a impressão de que não vai sarar nunca, e que não há nada a ser feito para impedi-la.
__Minha tristeza é como soluço. Se teme que ainda não tenha passado, toma litros e litros de água até ficar mal, tenta todas as macumbas e até tirar da cabeça, pensar em outra coisa, mas sempre volta, e sempre se pega com a frase 'ela ia voltar, como eu fui pensar que não..?'. Ela sempre está ali, à espreita, vigilante.
__Minha tristeza me distorce inteira; por mais que eu me revolte, ela torce meus músculos da face, aperta minhas glândulas, me espreme as lágrimas. Sua mão é cruel, e me faz encolher.
__Minha tristeza me arranca os sabores da boca, deixa só aquele eco amargo da laranja, aquela vagueza de espírito me amarrando a língua.
__Minha tristeza me desenterra remorsos, me tira a poesia e a literatura do mundo; ela torna tudo seco e arenoso e marrom. Ela transforma o Paraíso do Gênesis em Mendoza, sem as montanhas ao longe, sem o céu complacentemente azul.
__Minha tristeza é mais fiel do que Romeu para Julieta. Ela retorna, me abraça, me engloba e me consome. Me estupra até, quando eu tento afogá-la demais.
__Minha tristeza é como vômito. Nunca vem, acontece e pára. Ela vem, acontece, reacontece, repete, dá bis, tris e sei lá mais o quê; até você ter a impressão de que não vai sarar nunca, e que não há nada a ser feito para impedi-la.
__Minha tristeza é como soluço. Se teme que ainda não tenha passado, toma litros e litros de água até ficar mal, tenta todas as macumbas e até tirar da cabeça, pensar em outra coisa, mas sempre volta, e sempre se pega com a frase 'ela ia voltar, como eu fui pensar que não..?'. Ela sempre está ali, à espreita, vigilante.
__Minha tristeza me distorce inteira; por mais que eu me revolte, ela torce meus músculos da face, aperta minhas glândulas, me espreme as lágrimas. Sua mão é cruel, e me faz encolher.
__Minha tristeza me arranca os sabores da boca, deixa só aquele eco amargo da laranja, aquela vagueza de espírito me amarrando a língua.
__Minha tristeza me desenterra remorsos, me tira a poesia e a literatura do mundo; ela torna tudo seco e arenoso e marrom. Ela transforma o Paraíso do Gênesis em Mendoza, sem as montanhas ao longe, sem o céu complacentemente azul.
Ela me sufoca. E eu não consigo arrancá-la de mim.
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08 junho 2009
gerundindo. (iludindo)
___________infindo
___________(g)emendo
___________
___________descendo
corr-romp-endo
___dis-correndo
___________ex-corre-ndo
___________(g)emendo
___________
___________descendo
corr-romp-endo
___dis-correndo
___________ex-corre-ndo
______________________só-correndo
socorro!
04 junho 2009
Catatôniquinspirrativo
sensacionalismo barato a conta-gotas,
catando cotonetes com os dedos dos pés,
cantando o rugido inaudível das (placas) tectônicas,
semitonando as cocheiras fedorentas.
atchim.
catando cotonetes com os dedos dos pés,
cantando o rugido inaudível das (placas) tectônicas,
semitonando as cocheiras fedorentas.
atchim.
30 maio 2009
- can we...
...just for a minute, stop?
please..?
- no, he said, i'm not upset.yet.
- but why do i have to wait your uneasiness?
...
- 'cuz before that you won't die.
29 maio 2009
dois;
O sinal do intervalo soou, e Alice mal se mexeu. Pensava em algo muito profundo, e de tanta profundidade seus olhos estavam perdidos, a face branca. Ninguém a incomodava. Os ruídos a cercavam. Ela ouvia, ouvia; e pensava.
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Aliciando,
inacabados.
16 maio 2009
(St. Markus Passion)
Ich will hier bei dir stehen, verlasse mich doch nicht, von dir will ich nicht gehn, wenn dir dein Herze bricht, wenn dein Haupt wird erblassen im letzten Todesstoß, alsdann will ich dich fassen in meinen Arm und Schoß.
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12 maio 2009
um;
Alice pestanejou uma, duas, três vezes. A visão teimava em continuar fora de foco, mas o neurótico despertador apitava cada vez mais alto, e ela não queria acordar o pai, que dormia no quarto ao lado. Tateou o criado-mudo em busca do celular, que guinchava e vibrava sobre o tampo de madeira. Desligou-o. Espiou pela janela ao lado da escrivaninha: mal amanhecera, o céu ainda estava naquele cinza indistinto que pode ser tanto prenúncio de chuva como de um dia qualquer, normal, meio azulado - sabe como é... abril é um mês espacialmente azul, ainda mais em um país onde as folhas não caem no outono. Resmungou um pouquinho e se levantou.
Pedindo licença ao professor para entrar, apressou-se para a sua mesa, fazendo sua saudação tímida de atrasada. Os olhos custavam a focar-se no professor, e logo ela deixou de prestar atenção, desenhando lânguidas formas em seu caderno, em cima de uma longa explicação de botânica.
Pedindo licença ao professor para entrar, apressou-se para a sua mesa, fazendo sua saudação tímida de atrasada. Os olhos custavam a focar-se no professor, e logo ela deixou de prestar atenção, desenhando lânguidas formas em seu caderno, em cima de uma longa explicação de botânica.
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Aliciando,
inacabados.
09 maio 2009
I want to know what you got to say
I can tell you taste like the sky 'cause you look like rain
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