29 março 2009

Olhos nos olhos [quero ver... o que você faz]

eu não faço nada, nem mesmo consigo desviar os olhos. é tipo magnético, saca?
eu só fico olhando, e vendo você me ver. e é isso.

na verdade, tenho medo de acreditar no que eu possa ter visto através deles.

I want you so bad...

It's driving me mad...
it's driving me


e eu sei o tanto de egoísmo que contém este assunto. e o tanto de pontos delicados que ele envolve.

27 março 2009

Once upon a time there was a flyin' cat

Quando eu reparo na instabilidade de tudo (e obviamente, isso me inclui), me sinto um pouco...
..como dizer...
desequilibrada..?

22 março 2009

humpf.

"You're so naive! After a while they always get it, they always reach a sorry end..."
Lasciami capire: Io devo fare tutto? Perché tu vuoi, io devo fare le azioni? Io devo arrivare, attaccare la conversazione, magari lesionarti con qualcosa que neanch'io so se io voglio? Sai, non'è un po' strano? E penso che tutte le persone pensano che io devo infatti fare questo. Ma, cazzo, non ci vuoi tu? Dai, che palle!

17 março 2009

Bell'nd Sebastian

Ooh! Get me away from here I'm dying Play me a song to set me free Nobody writes them like they used to So it may as well be me Here on my own now after hours Here on my own now on a bus Think of it this way You could either be successful or be us With our winning smiles, and us With our catchy tunes, and us Now we're photogenic You know, we don't stand a chance... Oh, I'll settle down with some old story About a boy who's just like me Thought there was love in everything and everyone You're so naive! After a while they always get it They always reach a sorry end Still it was worth it as I turned the pages solemnly, and then With a winning smile, the boy With naivety succeeds At the final moment, I cried I always cry at endings Oh, that wasn't what I meant to say at all From where I'm sitting, rain Washing against the lonely tenement Has set my mind to wander Into the windows of my lovers They never know unless I write "This is no declaration, I just thought I'd let you know goodbye" Said the hero in the story "It is mightier than swords I could kill you sure But I could only make you cry with these words" .

26 fevereiro 2009

Giornalismo Caotico

Seis 'quem', seis 'o quê', seis 'onde', seis 'quando', infinitos porquês e quatro lances de d6.

Resultado
Chi: un barbone
Che: una protesta
Dove: per strada
Quando: ieri all'ora di pranzo
Perché: ?

__La protesta di ieri è stata probabilmente la più bizzarra di tutta la storia di nostro paese. Era un bel giorno di sole, perciò moltissime persone erano sulla spiaggia di San Franceso di Assisi. Secondo i testimoni, un gruppo di turisti, all'improvviso un vecchio barbone ha cominciato a urlare e sgambettare sul pavimento della strada (via Florale, vicino al faro) perché un ragazzo di questo gruppo ha buttato via sulla strada un sacco di confezioni alimentari aperte e non finite. La giapponese Koizumi Miyakashi, 24, ha dichiarato: "L'effetto di quelle urla si è sentito subito; era come se tutti gli abitanti fossero diventati attori cantanti di un Musical - loro hanno cominciato a cantare un inno ed a riunirsi nella via... Subito dopo tutti hanno cominciato a camminare, guidando la nostra escurzione fino a un grande terrapieno, ancora cantando quella canzione. La guida mi ha detto che la musica parlava della natura (...)".
__Sappiamo adesso che la canzione parlava de riciclaggio e della coscienza degli uomini per l'ambiente. Abbiamo anche informazione che sarebbe cominciata dopo quel pranzo una conferenza ambientale (gratuita) sulla cura della natura nelle città moderne, organizzata dalla Società Paceverde.
__Questa inusitata protesta ha scatenato alcune manifestazioni in diversi paesi del mondo. Che dire!

25 fevereiro 2009

isso nunca tinha acontecido.

...digo, nunca havia me dado conta (até ontem, ao fechar os olhos no escuro) de como a escuridão é estática.
ok, isso é óbvio.
I mean... deitada daquele jeito, eu podia até senti-lo do meu lado, no escuro, com o braço me servindo de travesseiro; podia ouvir sua respiração morna.
ou talvez eu simplesmente estivesse começando a dormir. ou a alucinar.
quiçá.

22 fevereiro 2009

bullets.

(...) não me diga que me ama
não me queira
não me afague
sentimento pegue-pague
emoção compre em tabletes
mastigue como um chiclete
e jogue fora na sarjeta
(quem vai querer comprar banana)
compre o ódio do futuro
cheque para trinta dias
nosso plano de seguro
cobre a sua carência
eu perdi o paraíso
mas ganhei inteligência
demência
felicidade
propriedade privada
não se prive
não se prove
don't tell me 'peace and love'
tome logo um engov pra curar sua ressaca
da modernidade
essa
armadilha matilha de cães raivosos e assustados
o presente não devolve o troco do passado
sofrimento não é amargura
tristeza não é pecado
lugar de ser feliz não é supermercado. (...)

17 fevereiro 2009

Um Conto a Quatro Mãos (XVI)

Hallellujah! For the Lord God omnipotent reigneth
The kingdom of this world is become the kingdom of our Lord,
And of His Christ, and He shall reign for ever and ever
King of kings, and Lord of lords. Hallellujah!
_

__Por ali andaram; por aqui passaram; por acolá se empoeiraram, e para adiante se encaminharam, com a galante bengala da Anfitrião a toque-tocar o chão.
Toc, toc.
__
Monami permaneceu na guarda-reta, a raciocinar sobre toda aquela situação; mas algo não parecia funcionar – seu leviano corpo sofria uma pressão interintensa enquanto seus botões começavam a dizer-lhe algo que parecia fazer sentido, ele se sentia a ponto de fazer ‘poc’ e sumir dali –, e aparentemente era tão engraçado que a garota-Sarah em vão tentava esconder seu hi-hi-hiso, e isso o fazia explodir a bolha de sua reflexão (e implodia a in-pressão).

Toc, toc.
__Meinfreud começou a estranhar quando o grande amontoado de brinquedos quiquacarejantes deu espaço a uma escolta enfileirada de choldadinhos de sumbo, de baionetas na mão e canções gregorianas nos lábios rijos. Até então somente o ambiente havia mudado (já havia sido deserto, litoral, cidade, pântano) como se de repente fosse e fazendo-o acreditar que jamais teria sido de outra forma.
“Pa(toc)-ter(toc) no(toc)-os-ter
Qui(toc) es(toc) in cae(toc)-lis,
San(toc)-cti(toc)-fi-ce(toc)-tur(toc) no(toc)-mem(toc) tu(toc)-um...”
__E de improviso, ele não estava mais contornando uma plantação de arroz – ele nunca estivera em plantação de arroz coisíssima nenhuma, em lugar nenhum se não contornando aquela enorme catedral e entrando pelos corredores laterais.
__Meuamigo inchou.
__Haveria ele saído dali, por algum breve instante? A resposta parecia óbvia em sua mente inflada. Não. Era claro; ele jamais saíra dali.
__A luz tímida do alvorecer penetrava pelos belos vitrais de são Jorge cavalgando o santo dragão segurando uma fulgurante espada de fogo, sorrindo vitoriosamente para subjugar um batalhão de anjos aterrorizados que gaguejava Gloria in excelsis Deo. Um penetrante cheiro de sangue fresco estuprou suas narinas tão profissionalmente quanto um incenso de jasmins.
Toc, toc.

08 fevereiro 2009

boca chiusa.

__Uma música soava, a escorrer notas beliscadas de um violão virtual. A sensação, no entanto, era diversa. Era como se ela fosse um órgão (daqueles de centenas de tubos gélidos como seus pés e mãos) e em seu interior estivesse algo esticado, afinado e a ser beliscado por aqueles dedos - (que ela não se lembrava mais como pareciam quando os sentira) confundidos com o ambiente sem luz - e que toda aquela ressonância era pedalada pela tomada e despejava-se pelas efêmeras caixas de som.
__De como as vibrações iam parar naqueles buraquinhos palpitantes, era o mesmo mistério de sua infância, quando ela encarava aqueles imponentes canos de metal nas paredes sacrílegas e se punha a procurar as teclas, o banquinho, os pedais... sempre fora um esforço vão. E dentro dela ele continuava a dedilhá-la como se ela fosse um violão, e em sua cabeça ecoava seu murmúrio morno.

O que será que me dá, que me bole por dentro, será que me dá...

03 fevereiro 2009

The Drawing of the Three.

__"I make you want to puke."
__"That's affirmative."
__"Oh boy," Eddie said. "I love it. I'm sitting here in a little room and I've got nothing on but my underwear and there's seven guys around me with guns on their hips and make you want to puke? Man, you have got a problem."
__Eddie took a step toward him. The Customs guy held his ground for a moment, and then something in Eddie's eyes — a crazy color that seemed half-hazel, half-blue — made him step back against his will.
__"I'M NOT CARRYING!" Eddie roared. "QUIT NOW! JUST QUIT! LET ME ALONE!"

(...)

__As Eddie watched, one of the horrors reached up, lightning quick, and snared a sea-bird which happened to swoop; too close to the beach. The thing fell to the sand in two bloody, spraying chunks. The parts were covered by the shelled horrors even before they had stopped twitching. A single white feather drifted up. A claw snatched it down.
__Holy Christ, Eddie thought numbly. Look at those snappers.
__"Why do you keep looking back there?" the guy in charge had asked.
__"From time to time I need an antidote," Eddie said.
__"From what?"
__"Your face."

S. King

31 janeiro 2009

estranhices.

__Ali, imersa naquele mar de pessoas desconhecidas, naquele lugar quase aleatório (friso o quase), estava uma garota – também desconhecida por todos – parecendo meio confusa. Ela se sentia como se um bolo de bosta grande demais tentasse passar pelo intestino, a dar aquela sensação de desconforto deslizando pelo abdômen. Ela estivera acompanhada por um casal que não parecia menos estranho; mas eles haviam entrado num portal sugador de gente, enquanto o pássaro-de-ferro que a sugaria se recusava a abrir a boca.
__Ela cantou baixinho, perambulou pelo corredor apinhado, foi ao banheiro; mas o nó não afrouxava, e a porra do avião não chamava para o embarque.
__Depois de mais músicas sussurradas, incontáveis pequenos gestos de impaciência, ela entrou, e assim que se acomodou no seu respectivo assento, o nó pareceu se dissolver; abstraindo a parte do estar a milhares de quilômetros longe, era como pegar um ônibus para a casa dos avós. A flying bus, indeed (and not for the grandpa’s house).
__Ela até dormiu (e acordou com a garganta a ranger de secura), comeu, leu, sentiu náuseas no ‘aterramento’ – tudo como de praxe. Nada muito fora do lugar, exceto a ausência do casal estranho.
__Ninguém a barrou, e alguns até a ajudaram com aquela mala quase do seu tamanho. O trem voou sobre os trilhos, o taxista falou bastante e ela chegou na casa de mais uma desconhecida (por ora), onde falou uma língua não-materna, com zilhões de erros e inconveniências; mas essa garota – nem tão desconhecida assim, para alguns – chegou no destino, sem extraviações de qualquer tipo.. nem mesmo de pasta de dente.
__E essa garota era eu (prazer).
PS. Hoje foi um dia estranho.

20 janeiro 2009

19 janeiro 2009

pésapados se emplastravam pelas poças, apressados; as pessoas passavam pela praça, expurgando nuvens mornas no ar.

um violão faceiro soava, debaixo do som da chuva.




pés
sapatos

fardos
pesados

fados

08 janeiro 2009

The Death of Maes Hughes

__Pluft Pong, é assim que Elysia Hughes me chama. Meço três palmos e meio, o que corresponde a sete décimos do tamanho de Ellie. Ao contrário dela - com seus seis invernos e alguns meses -, não tenho idade. Ela me fez branco como neve e sem um fio de cabelo sequer. Deu-me um chapéu cônico alvo como minha pele, vestiu-me com uma camisa e um bermuda de suspensórios, também brancos. Achou graça me colocar um enorme nariz redondo vermelho (parece que tenho um tomate no rosto) e me espremeu o máximo que conseguiu, de modo que eu me tornei um serzinho magricela e mirrado... mas, fazer o quê. Ela quis me fazer assim, então assim vim.
__Cheguei ao seu lado em meados do ano passado, quando o pai de Ellie começou a passar menos tempo em casa e mais tempo no trabalho. Nada indicava que ele estava fazendo algo arriscado. Como se amavam, esses dois... estavam sempre grudados como aquelas bolinhas de plantas que encarrapicham nas nossas roupas. Acho que só surgi porque Ellie precisava de companhia, durante as tardes que esperava o pai, brincando com formigas no jardim ou desenhando com giz na calçada. Eu sempre ria da mania de Maes de falar de seu tesourinho no telefone para desviar dos assuntos indesejados e despertar a fúria de seus superiores. Gracie, esposa de Maes Hughes, era muito carinhosa e atenciosa, mas me impressionava o carinho e alegria que pai e filha compartilhavam. Sempre era deixado de lado quando, ao cair da noite, Ellie corria escadas abaixo assim que ouvia a porta se abrir; mas nunca dei muita atenção para isso, adorava vê-los rolando juntos pelo tapete enquanto a graciosa mãe tricotava alguma coisa, com o tímido sorriso no canto da boca. Toda noite, depois do jantar, Maes levava Ellie no colo para a cama, onde contava histórias de brinquedos que criavam vida a noite. Assim que ele deixava o quarto, me acomodava entre os bracinhos de Elysia até o dia raiar.
__Mas houve então um fatídico dia, um triste dia. Maes saíra para trabalhar, no horário habitual. Ellie não notara, mas ele parecia um pouco mais tenso que o normal, embora sua face sempre se suavizasse ao observar nosso pequeno tesouro saltitante. Volta e meia passava a mão pelo escuro cabelo despenteadamente espetado ou ajeitava os óculos faiscantes. Ele deixou a casa. Brinquei com Elysia toda a tarde debaixo de sua cama, e a noite, dentro da banheira. A lua chegou, soergueu-se com sua cara redonda e branca (como a minha), encarando nossa casa com placidez.
__Depois do jantar, Ellie sentou-se numa poltrona ao lado da lareira e ficou olhando pela janela, comigo encarrapitado do parapeito (embora ela estivesse cerrada, penso que já mencionei minha silhueta). Esperávamos Maes. O tempo passou, tiquetaqueado pelo cuco e pelas afiadas agulhas de tricô de Gracie. Depois de um longo tempo, Gracie pegou o corpinho adormecido de Ellie e levou até nosso quarto, no andar de cima. Depositou-a com carinho embaixo das cobertas, deu-lhe um leve beijo na testa e se virou para sair do quarto enquanto eu me aconchegava entre os bracinhos de Ellie.
__Era meio da madrugada quando alguém bateu em nossa casa. Ouvi as pantufas da mãe arrastando pelos tacos de madeira, oscilantes. Desenlacei-me da pequena e preocupado, saí pela porta entreaberta. Escalei o topo do corrimão e com uma pequena empurradela, deslizei escada abaixo, caindo com leveza ao lado das canelas de Gracie. A porta estava aberta e do lado de fora havia um oficial com o mesmo uniforme de Maes. Ele murmurara algo enquanto eu aterrissava, mas tudo o que foi um soluço estrangulado da pobre mãe, e, ao olhar para cima, a vi de olhos arregalados, as mãos em concha na frente dos lábios e uma torrente de lágrimas escorrendo até o queixo e gotejando. Uma dessas gotas caiu em meu nariz. O homem colocou a mão no ombro da jovem viúva, num gesto que misturava genuína compaixão com um toque de automaticidade. Impactado, escalei as escadas e retornei aos braços de Ellie, onde aguardei que acordasse.
(...)